City Hall em Londres
Autor: José Alberto Tostes
Sempre citei em diversos artigos a
importância de conhecer pessoalmente as cidades no Amapá, no Brasil, Amazônia e
no exterior, o maior aprendizado na área de arquitetura e urbanismo é perceber
os projetos e obras ao vivo, tal oportunidade, permite visualizar todos os
elementos estéticos visuais e os efeitos produzidos pela criação, possibilita
redimensionar o conjunto da paisagem na intima relação entre o edifício e a
cidade.
Durante a estadia na Europa, tive a oportunidade durante três dias, um
final de semana, de visitar a cidade de Londres. Londres
é uma cidade global (ao lado de Nova Iorque, Tóquio e Paris)
é um dos maiores, e mais importantes influentes centros financeiros do mundo. O centro de Londres abriga a sede de
mais da metade das 100 melhores companhias do Reino
Unido e mais de 100 das 500 maiores da Europa. Londres possui um cenário com
uma variada e forte influência da política, das finanças, educação, entretenimento, mídia, moda, artes e cultura em geral, o que contribui para a sua
condição de cidade global. É um importante destino turístico para
visitantes nacionais e estrangeiros. A cidade tem uma diversidade de povos, culturas e religiões e mais de 300 idiomas são falados em seu território de acordo com os encartes culturais entregues
na cidade para os visitantes.
Na paisagem de Londres tudo parece se mesclar
e se adequar a diversidade cultural da cidade, não são poucos os lugares que
colocam a perfeita harmonia entre o passado, o atual e o futuro. Um dos
cenários oferecidos aos visitantes é conhecer o rio Tâmisa. É exatamente
através deste rio que se pode melhor dimensionar o edifício do City Hall. O City Hall foi projetado
pelo arquiteto britânico Foster & Partners, é um dos símbolos da capital.
Faz parte do More, projeto de desenvolvimento que apresenta uma nova paisagem para a margem sul do rio Tamisa
entre London Bridge e Tower Bridge.
A Prefeitura de Londres é
a sede da Greater London
Authority e abriga o gabinete do prefeito de Londres e a Assembleia
de Londres. A prefeitura localiza-se em Southwark,
às margens do rio Tâmisa e próximo à Tower Bridge, o prédio foi aberto ao
público no ano de 2002. A forma arrojada do prédio tem como objetivo reduzir o
consumo de energia e proporcionar uma visão mais agradável do céu da Grande
Londres. O prédio foi alvo de várias críticas por causa de sua forma, além de
ocasionar segundo a crítica durante algumas horas do dia de sol, proporcionar
um forte reflexo, o que atrapalha a visão das pessoas e deteriora a pintura dos
veículos na área.
O edifício tem uma forma esférica distorcida e
foi construído com tecnologias a vanguardia. O projeto original oval de vidro e
aço está localizado no extremo sul do Tâmisa, do outro lado da cidade de
Londres e a Catedral de St. Paul, e a metros de um outra criação de Foster, a
ponte de pedestres do Milênio, logo impressiona a paisagem quando se tem a
oportunidade de aproximação da edificação em três importantes planos. O
primeiro do rio Tâmisa indo rio acima, a segundo, retornando no sentido
contrário, e a terceira caminhando em direção a edificação.
Quando você ingressa no prédio permite
perceber mais intensamente a forma aparentemente curiosa, e tem razões muito convincentes: O
edifício tenta evitar a luz direta que vem do sul e absorve com a sua enorme
fachada de vidro inclinado, a luz difusa procedente do norte. Em termos
convencionais, o edifício não tem frente ou trás: a sua forma é derivada de uma
esfera geometricamente modificada. Esta forma híbrida é projetado para
minimizar a área de superfície exposta à luz solar direta, fato que ocasiona
inúmeros efeitos para quem está do lado de fora, bem como no interior do
prédio.
O City Hall, de fato, representa
simbolicamente, uma das construções mais importantes da capital, expressa a
transparência e a acessibilidade do processo democrático, além de expor todo o
sentido multiculturalista da cidade de Londres, na relação entre passado e
futuro, para os cidadãos locais, isso parece dar um toque refinado ao próprio
rio Tâmisa. No piso térreo do City Hall, está ligado a uma praça, uma cafeteria
e uma livraria. O primeiro andar é reservado para
exposições. O segundo a câmara, e o terceiro escritórios administrativos até o
sétimo andar.
O oitavo andar
é exclusivo do prefeito e seus assessores, enquanto o nono e décimo andar,
apelidado de living room de Londres, permite ao público desfrutar de uma vista
privilegiada da cidade, têm serviços cafeteria, bar e lojas de souvenirs. Embora
o vidro seja o componente externo do edifício, se define através do aço e suas
vértebras, proporcionam ao espaço, qualidades incomuns na arquitetura. Foster
trouxe o aço como comportamento orgânico, além da mera função de suporte,
sujeitando o vidro como vários efeitos diversos, objeto que define o imaginário
do criador do edifício.
Esta experiência
sobre um tipo de arquitetura mais arrojada, nos leva a refletir o significado
simbólico de uma obra. Londres, talvez seja uma das cidades do mundo com maior
diversidade de áreas, edifícios e áreas públicas, contribui para que esta
cidade mesmo tendo uma moeda muito forte na própria Europa, seja tão procurada.
E
que dizer do City Hall? Tornou-se, apesar da crítica de alguns, um símbolo,
transformou-se em uma grande atração turística, mesmo estando localizado em uma
área completamente recheada de edificações históricas e importantes para à
cidade de Londres. Portanto, pensar a relação de integração da arquitetura com
a cidade não parece ser algo tão complex de pensar, é preciso em primeiro lugar
compreender o que irá implicar a significação deste efeito no futuro, passados
12 anos da abertura do City Hall, creio que nem o criador da obra, talvez
imaginasse a repercussão que causaria junto ao público.
Durante alguns anos no curso de Arquitetura e Urbanismo, ministrei a
disciplina Arquitetura Contemporânea, por diversas vezes apresentei este
projeto de Foster como um efeito diferenciado na produção da arquitetura no
novo Milênio, a partir do conhecimento in loco é possível pensar como não
limites possíveis para imaginar o que a criação pode ocasionar para transformer
um lugar ou uma cidade, porque depois de pronta quem legitima, é o tempo.
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