sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ARTIGO DO TOSTES






City Hall em Londres
Autor: José Alberto Tostes

            Sempre citei em diversos artigos a importância de conhecer pessoalmente as cidades no Amapá, no Brasil, Amazônia e no exterior, o maior aprendizado na área de arquitetura e urbanismo é perceber os projetos e obras ao vivo, tal oportunidade, permite visualizar todos os elementos estéticos visuais e os efeitos produzidos pela criação, possibilita redimensionar o conjunto da paisagem na intima relação entre o edifício e a cidade.
            Durante a estadia na Europa, tive a oportunidade durante três dias, um final de semana, de visitar a cidade de Londres. Londres é uma cidade global (ao lado de Nova Iorque, Tóquio e Paris) é um dos maiores, e mais importantes influentes centros financeiros do mundo. O centro de Londres abriga a sede de mais da metade das 100 melhores companhias do Reino Unido e mais de 100 das 500 maiores da Europa. Londres possui um cenário com uma variada e forte influência da política, das finanças, educação, entretenimento, mídia, moda, artes e cultura em geral, o que contribui para a sua condição de cidade global. É um importante destino turístico para visitantes nacionais e estrangeiros. A cidade tem uma diversidade de povos, culturas e religiões e mais de 300 idiomas são falados em seu território de acordo com os encartes culturais entregues na cidade para os visitantes.
             Na paisagem de Londres tudo parece se mesclar e se adequar a diversidade cultural da cidade, não são poucos os lugares que colocam a perfeita harmonia entre o passado, o atual e o futuro. Um dos cenários oferecidos aos visitantes é conhecer o rio Tâmisa. É exatamente através deste rio que se pode melhor dimensionar o edifício do City Hall. O City Hall foi projetado pelo arquiteto britânico Foster & Partners, é um dos símbolos da capital. Faz parte do More, projeto de desenvolvimento que apresenta uma  nova paisagem para a margem sul do rio Tamisa entre London Bridge e Tower Bridge.
            A Prefeitura de Londres é a sede da Greater London Authority e abriga o gabinete do prefeito de Londres e a Assembleia de Londres. A prefeitura localiza-se em Southwark, às margens do rio Tâmisa e próximo à Tower Bridge, o prédio foi aberto ao público no ano de 2002. A forma arrojada do prédio tem como objetivo reduzir o consumo de energia e proporcionar uma visão mais agradável do céu da Grande Londres. O prédio foi alvo de várias críticas por causa de sua forma, além de ocasionar segundo a crítica durante algumas horas do dia de sol, proporcionar um forte reflexo, o que atrapalha a visão das pessoas e deteriora a pintura dos veículos na área.
            O edifício tem uma forma esférica distorcida e foi construído com tecnologias a vanguardia. O projeto original oval de vidro e aço está localizado no extremo sul do Tâmisa, do outro lado da cidade de Londres e a Catedral de St. Paul, e a metros de um outra criação de Foster, a ponte de pedestres do Milênio, logo impressiona a paisagem quando se tem a oportunidade de aproximação da edificação em três importantes planos. O primeiro do rio Tâmisa indo rio acima, a segundo, retornando no sentido contrário, e a terceira caminhando em direção a edificação.
            Quando você ingressa no prédio permite perceber mais intensamente a forma aparentemente  curiosa, e tem razões muito convincentes: O edifício tenta evitar a luz direta que vem do sul e absorve com a sua enorme fachada de vidro inclinado, a luz difusa procedente do norte. Em termos convencionais, o edifício não tem frente ou trás: a sua forma é derivada de uma esfera geometricamente modificada. Esta forma híbrida é projetado para minimizar a área de superfície exposta à luz solar direta, fato que ocasiona inúmeros efeitos para quem está do lado de fora, bem como no interior do prédio.
              O City Hall, de fato, representa simbolicamente, uma das construções mais importantes da capital, expressa a transparência e a acessibilidade do processo democrático, além de expor todo o sentido multiculturalista da cidade de Londres, na relação entre passado e futuro, para os cidadãos locais, isso parece dar um toque refinado ao próprio rio Tâmisa. No piso térreo do City Hall, está ligado a uma praça, uma cafeteria e uma livraria. O primeiro andar é reservado para exposições. O segundo a câmara, e o terceiro escritórios administrativos até o sétimo andar.
           O oitavo andar é exclusivo do prefeito e seus assessores, enquanto o nono e décimo andar, apelidado de living room de Londres, permite ao público desfrutar de uma vista privilegiada da cidade, têm serviços cafeteria, bar e lojas de souvenirs. Embora o vidro seja o componente externo do edifício, se define através do aço e suas vértebras, proporcionam ao espaço, qualidades incomuns na arquitetura. Foster trouxe o aço como comportamento orgânico, além da mera função de suporte, sujeitando o vidro como vários efeitos diversos, objeto que define o imaginário do criador do edifício.
           Esta experiência sobre um tipo de arquitetura mais arrojada, nos leva a refletir o significado simbólico de uma obra. Londres, talvez seja uma das cidades do mundo com maior diversidade de áreas, edifícios e áreas públicas, contribui para que esta cidade mesmo tendo uma moeda muito forte na própria Europa, seja tão procurada.
            E que dizer do City Hall? Tornou-se, apesar da crítica de alguns, um símbolo, transformou-se em uma grande atração turística, mesmo estando localizado em uma área completamente recheada de edificações históricas e importantes para à cidade de Londres. Portanto, pensar a relação de integração da arquitetura com a cidade não parece ser algo tão complex de pensar, é preciso em primeiro lugar compreender o que irá implicar a significação deste efeito no futuro, passados 12 anos da abertura do City Hall, creio que nem o criador da obra, talvez imaginasse a repercussão que causaria junto ao público.
            Durante alguns anos no curso de Arquitetura e Urbanismo, ministrei a disciplina Arquitetura Contemporânea, por diversas vezes apresentei este projeto de Foster como um efeito diferenciado na produção da arquitetura no novo Milênio, a partir do conhecimento in loco é possível pensar como não limites possíveis para imaginar o que a criação pode ocasionar para transformer um lugar ou uma cidade, porque depois de pronta quem legitima, é o tempo.


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