Violência urbana, um caos
No meio jornalístico lidar com
informação positiva e negativa é rotina, mas, confesso!Sempre fugi das matérias
policiais. O motivo é não tolerar covardia e quase sempre essas matérias estão
carregadas desse adjetivo.
São estupros, pedofilia, assassinados,
roubos e furtos, latrocínio, estelionato e outros institutos penais que
mostrados pela ótica jornalística dá dó da vítima ou da família e, confesso: me
dá uma vontade enorme de fazer justiça com as próprias mãos. Por isso fujo
sempre que posso desse tipo de fato, embora, sejam eles importantes para medir
o nível de crescimento social, intelectual e econômico de uma sociedade. Falo
aqui especificamente da violência urbana. Sei que existe Países como Israel e
Líbano, por exemplo, que brigam secularmente por questões étnicas e
intolerância religiosa. Embora os motivos não justifiquem a mortandade de ambos
os povos. Insano. Ponto.
Mas arrodeio para relatar que a
cena de uma execução exibida fartamente na rede social (face book) (whatsap) e
nos programas locais de televisão chocou a sociedade. Um jovem caído na ponte
do Axé na área baixa do bairro Jesus de Nazaré é filmado por populares. O primeiro
vídeo mostra o jovem agonizando, segundo informação do repórter policial J. Júnior
ele pertencia a uma gang que invadiu a área da ponte para matar rivais e foram
surpreendidos pelos algozes que os recepcionaram à bala. Os demais integrantes
da gang fugiram e deixaram ferido esse rapaz, vulgo Kicão de 17 anos. Ele
agonizava, meio que pedindo clemência. Os membros da gang que habitam nas
cercanias da Ponte do Axé chegam e sem dó um dos membros desfere violentas
facadas pelo peito e principalmente na região do pescoço do moribundo. Na
filmagem é possível perceber que o assassino tinha cobertura dos comparsas e o
povo assistia aquela cena “dantesca” sob a ordem do silêncio. Um ato de
barbaria.
Obviamente que esse não é um fato
isolado e tão pouco o mais sanguinário ocorrido no submundo do crime. Quem atua
nas editorias de polícia e quem apresenta programas que dão ênfase a esse
segmento da sociedade possuem um sem número de fatos que poderiam corroborar
ainda mais com que me levou a tratar do assunto. Macapá, capital do Amapá é a
40º cidade mais violenta do mundo, segundo informações da pesquisa da ONU que confirma dados
sobre violência apresentados em levantamento elaborado pela ONG mexicana
Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal AC divulgado em março
deste ano. Segundo a pesquisa mexicana, o Brasil é o país com mais municípios
no ranking: 16 e Macapá é o 13° município com- 36,59 homicídios por grupo de
100 mil habitantes no ano passado
Mas esses dados estatísticos são
números frios que ficam à mercê das análises de e
especialistas em segurança
pública. E não precisa ser expert no assunto para chegar a uma conclusão
lógica. A droga, digo, o tráfico e o consequente consumo, a falta de políticas
públicas inclusivas para essa gama de jovens que vivem na mais absoluta falta de
ocupação, não é à toa que o Amapá é o estado da federação que possui o maior
percentual (29,9%) do País da chamada população “NEM NEM”, nem trabalha e nem
estuda. Essa nova classe está na faixa etária de 15 a 29 anos. Veja a idade do
Kicão. 17 anos. Assistam as imagens e notem que o assassino é outro jovem.
Poderíamos enumerar vários fatores que contribuem para o recrudescimento da
violência no Amapá, mas a essa altura dos fatos o que precisamos é a partir de
2015 darmos prioridade a polícia no combate ao crime e estabelecermos uma
agenda positiva para discutir saídas eficazes que possam diminuir a inserção
dessa juventude na criminalidade.
Música, teatro, esporte,
religião, literatura e outras ações que possam mostrar que a vida vai além do
álcool, da droga e da disputa insana por poder. Ah! Claro. Educação.
Fundamental, senão vamos continuar sendo testemunhas oculares de fato como o da
ponte do Axé e sendo prisioneiros de um estado violento onde a luta entre o
crime e a lei está sendo vencida pelo primeiro.
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