sexta-feira, 21 de novembro de 2014

artigo do GATO




Violência urbana, um caos


No meio jornalístico lidar com informação positiva e negativa é rotina, mas, confesso!Sempre fugi das matérias policiais. O motivo é não tolerar covardia e quase sempre essas matérias estão carregadas desse adjetivo.

São estupros, pedofilia, assassinados, roubos e furtos, latrocínio, estelionato e outros institutos penais que mostrados pela ótica jornalística dá dó da vítima ou da família e, confesso: me dá uma vontade enorme de fazer justiça com as próprias mãos. Por isso fujo sempre que posso desse tipo de fato, embora, sejam eles importantes para medir o nível de crescimento social, intelectual e econômico de uma sociedade. Falo aqui especificamente da violência urbana. Sei que existe Países como Israel e Líbano, por exemplo, que brigam secularmente por questões étnicas e intolerância religiosa. Embora os motivos não justifiquem a mortandade de ambos os povos. Insano. Ponto.
Mas arrodeio para relatar que a cena de uma execução exibida fartamente na rede social (face book) (whatsap) e nos programas locais de televisão chocou a sociedade. Um jovem caído na ponte do Axé na área baixa do bairro Jesus de Nazaré é filmado por populares. O primeiro vídeo mostra o jovem agonizando, segundo informação do repórter policial J. Júnior ele pertencia a uma gang que invadiu a área da ponte para matar rivais e foram surpreendidos pelos algozes que os recepcionaram à bala. Os demais integrantes da gang fugiram e deixaram ferido esse rapaz, vulgo Kicão de 17 anos. Ele agonizava, meio que pedindo clemência. Os membros da gang que habitam nas cercanias da Ponte do Axé chegam e sem dó um dos membros desfere violentas facadas pelo peito e principalmente na região do pescoço do moribundo. Na filmagem é possível perceber que o assassino tinha cobertura dos comparsas e o povo assistia aquela cena “dantesca” sob a ordem do silêncio. Um ato de barbaria.
Obviamente que esse não é um fato isolado e tão pouco o mais sanguinário ocorrido no submundo do crime. Quem atua nas editorias de polícia e quem apresenta programas que dão ênfase a esse segmento da sociedade possuem um sem número de fatos que poderiam corroborar ainda mais com que me levou a tratar do assunto. Macapá, capital do Amapá é a 40º cidade mais violenta do mundo, segundo informações da pesquisa da ONU que confirma dados sobre violência apresentados em levantamento elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal AC divulgado em março deste ano. Segundo a pesquisa mexicana, o Brasil é o país com mais municípios no ranking: 16 e Macapá é o 13° município com- 36,59 homicídios por grupo de 100 mil habitantes no ano passado
Mas esses dados estatísticos são números frios que ficam à mercê das análises de e
especialistas em segurança pública. E não precisa ser expert no assunto para chegar a uma conclusão lógica. A droga, digo, o tráfico e o consequente consumo, a falta de políticas públicas inclusivas para essa gama de jovens que vivem na mais absoluta falta de ocupação, não é à toa que o Amapá é o estado da federação que possui o maior percentual (29,9%) do País da chamada população “NEM NEM”, nem trabalha e nem estuda. Essa nova classe está na faixa etária de 15 a 29 anos. Veja a idade do Kicão. 17 anos. Assistam as imagens e notem que o assassino é outro jovem. Poderíamos enumerar vários fatores que contribuem para o recrudescimento da violência no Amapá, mas a essa altura dos fatos o que precisamos é a partir de 2015 darmos prioridade a polícia no combate ao crime e estabelecermos uma agenda positiva para discutir saídas eficazes que possam diminuir a inserção dessa juventude na criminalidade.
Música, teatro, esporte, religião, literatura e outras ações que possam mostrar que a vida vai além do álcool, da droga e da disputa insana por poder. Ah! Claro. Educação. Fundamental, senão vamos continuar sendo testemunhas oculares de fato como o da ponte do Axé e sendo prisioneiros de um estado violento onde a luta entre o crime e a lei está sendo vencida pelo primeiro.

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