OS DOIS MUROS – Uma breve
comparação. 1 -
O MURO
DE BERLIM, Alemanha.
Durante 28 anos, de 1961 a 1989, a
população de Berlim, ex-capital do Reich alemão, com mais de três milhões de
pessoas, padeceu uma experiência ímpar na história moderna : viu a cidade ser dividida por um
imenso muro. Situação de verdadeira esquizofrenia geopolítica que cortou-a em
duas partes, cada uma delas governada por regimes políticos ideologicamente
inimigos. Abominação provocada pela guerra fria, a grosseira parede foi durante
aqueles anos todos o símbolo da rivalidade entre Leste e oeste, e, também, um
atestado do fracasso do socialismo real em manter-se como um sistema atraente
para a maioria da população alemã.
Na manhã bem cedo do dia 13 de
agosto de 1961, a população de Berlim, próxima à linha que separava a cidade em
duas partes, foi despertada por barulhos estranhos, exagerados. Ao abrirem suas janelas, depararam-se com um inusitado
movimento nas ruas a sua frente. Vários Vopos, os milicianos da RDA – República
Democrática da Alemanha, a Alemanha comunista, com seus uniformes verde-ruço,
acompanhados por patrulhas armadas, estendiam de um poste a outro um
interminável arame farpado que alongou-se nos meses seguinte por 37 quilômetros
adentro da zona residencial da cidade. Enquanto isso, atrás deles,
trabalhadores desembarcavam dos caminhões tijolos, blocos de concreto e sacos
de cimento. Ao tempo em que alguns deles feriam o duro solo com picaretas e
britadeiras, outros começavam a preparar a argamassa. Assim, do nada, começou a
brotar o muro, o pavoroso Mauer, como
o chamavam os alemães. ( texto extraído da internet ).
Para complementar ou reforçar os caminhos da interpretação
objetiva ou subjetiva que desejo emprestar
a este artigo, com integral participação dos leitores no afã de encontrarmos
“ possíveis “ semelhanças entre os “dois muros “.
2 – O MURO
DO AMAPÁ, Brasil.
Outubro de 2010 tem início a
construção do muro amapaense, onde a deflagração de um conluio
político
ideológico foi engendrado, obtendo-se um resultado simplesmente inusitado - “ o último foi o primeiro “, isto é, o
candidato que não expressava a certeza de vitória, fora o vencedor. Daí pra
frente o projeto de construção do muro
ideológico se dera início. O dia 1, do mês de janeiro de 2011, ficou marcado
como o Dia M – o dia de início da construção do muro, com a posse do Governador
Camilo Capiberibe.
O povo amapaense, que emprestara
confiança a nova administração pública, bem como endossou suas esperanças na
juventude do Governador de que o bordão esbravejado na campanha – Dinheiro tem
falta gestão, transformasse o Estado do Amapá em mais um eldorado, recheado de
riquezas mil, de oportunidades de trabalho, de desenvolvimento, de crescimento
econômico, onde as raízes do futuro promissor fossem lançadas no solo fértil
dando bons frutos, onde a paz reinasse na sua plenitude , e a sociedade
almejasse estreitar laços de amizade e fraternidade.
Ledo engano. O muro já estava
planejado. A sua estrutura estava eivada de rancor, de ódio, de ranço, de
perseguição política, de repressão àqueles que ousassem enfrentar seus
idealizadores. A discórdia previamente engendrada entre os Poderes trazia a
marca da prepotência, da intolerância, da ditadura branca e velada onde os do
contra eram os inimigos do poder; onde somente os de cá eram os desonestos,
corruptos, ladrões, bandidos, quadrilheiros, e outros adjetivos mais. O todo poderoso Governador eleito tinha a seu dispor parte dos constitucionalmente designados
de fiscal da lei – o Ministério Público.
À semelhança de Chaves,
Castro, Morales, Hitler, Mussoline, Napoleão, Stalin, elegeu-se o jargão
EU SOU O ESTADO. E por conseqüência advém seu complemento : manda quem pode, obedece
quem tem juízo. A sociedade amapaense estava no dilema de “ se correr o bicho
pega, se ficar o bicho come “. A gestão
do EU implantava-se no território amapaense e estendeu-se por longos 4 anos. E
nesse período a sociedade, detentora do direito de receber assistência do Estado, ficou desprotegida, esquecida,
enganada, espezinhada, ofendida, e, indignada pelo erro que cometera.
A QUEDAS DOS MUROS.
Lá, na Alemanha, um brado retumbou
nos ares despertando o gigante adormecido. ABRAM A BARREIRA, disse o guarda da
fronteira de Berlim Ocidental, o alemão Harald Jaeger. Nesse momento o muro de
pedras e cimento começara a cair. O povo alemão não suportava mais conviver com
a separação territorial imposta pelo poder nazista.
Aqui no Amapá, o herói da derrubada
do muro ideológico, separatista, imoral, leviano, antiético, incompetente,
ditador....... foi o POVO AMAPAENSE, que em 5 de outubro, sob a égide do
direito sagrado e universal do VOTO, dera a primeira marretada, por cuja
abertura via-se a luz da liberdade, da alegria e da felicidade. Esse gesto foi
repetido em 26 do mesmo mês, quando o POVO AMAPAENSE, unido, coeso, marchando
lado a lado em direção a liberdade, abateu o muro com mais de 62 % de
marteladas. Estava consumada a liberdade.
Neste artigo faço minhas e do POVO
AMAPAENSE, a seguinte declaração de Harald Jaeger : Não fui eu que derrubei o Muro. Foram os cidadãos alemãs que se
reuniram naquela noite. Meu único mérito é que tudo aconteceu sem que fosse
preciso derramar uma só gota de sangue .
Tal qual lá, aqui a mesma cena foi repetida.
Para reflexão semanal : “ Neste 15 de
novembro comemora-se a Proclamação da República Brasileira. Se ainda Você
constatar que existem “muros” para derrubar, dê a primeira marretada “ (
j.freitas ).
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