sexta-feira, 14 de novembro de 2014

DE TUDO UM POUCO


OS DOIS MUROS – Uma breve comparação.1 - 

O MURO DE BERLIM,  Alemanha.


            Durante 28 anos, de 1961 a 1989, a população de Berlim, ex-capital do Reich alemão, com mais de três milhões de pessoas, padeceu uma experiência ímpar na história  moderna : viu a cidade ser dividida por um imenso muro. Situação de verdadeira esquizofrenia geopolítica que cortou-a em duas partes, cada uma delas governada por regimes políticos ideologicamente inimigos. Abominação provocada pela guerra fria, a grosseira parede foi durante aqueles anos todos o símbolo da rivalidade entre Leste e oeste, e, também, um atestado do fracasso do socialismo real em manter-se como um sistema atraente para a maioria da população alemã.
            Na manhã bem cedo do dia 13 de agosto de 1961, a população de Berlim, próxima à linha que separava a cidade em duas partes, foi despertada por barulhos estranhos, exagerados. Ao  abrirem suas janelas, depararam-se com um inusitado movimento nas ruas a sua frente. Vários Vopos, os milicianos da RDA – República Democrática da Alemanha, a Alemanha comunista, com seus uniformes verde-ruço, acompanhados por patrulhas armadas, estendiam de um poste a outro um interminável arame farpado que alongou-se nos meses seguinte por 37 quilômetros adentro da zona residencial da cidade. Enquanto isso, atrás deles, trabalhadores desembarcavam dos caminhões tijolos, blocos de concreto e sacos de cimento. Ao tempo em que alguns deles feriam o duro solo com picaretas e britadeiras, outros começavam a preparar a argamassa. Assim, do nada, começou a brotar o muro, o pavoroso Mauer, como o chamavam os alemães. ( texto extraído da internet ).
            Para complementar  ou reforçar os caminhos da interpretação objetiva ou subjetiva que desejo emprestar  a este artigo, com integral participação dos leitores no afã de encontrarmos “ possíveis “ semelhanças entre os “dois muros “.
2 – O MURO DO AMAPÁ, Brasil.
            Outubro de 2010 tem início a construção do muro amapaense, onde a deflagração de um conluio
político ideológico foi engendrado, obtendo-se um resultado simplesmente inusitado  - “ o último foi o primeiro “, isto é, o candidato que não expressava a certeza de vitória, fora o vencedor. Daí pra frente  o projeto de construção do muro ideológico se dera início. O dia 1, do mês de janeiro de 2011, ficou marcado como o Dia M – o dia de início da construção do muro, com a posse do Governador Camilo Capiberibe.
            O povo amapaense, que emprestara confiança a nova administração pública, bem como endossou suas esperanças na juventude do Governador de que o bordão esbravejado na campanha – Dinheiro tem falta gestão, transformasse o Estado do Amapá em mais um eldorado, recheado de riquezas mil, de oportunidades de trabalho, de desenvolvimento, de crescimento econômico, onde as raízes do futuro promissor fossem lançadas no solo fértil dando bons frutos, onde a paz reinasse na sua plenitude , e a sociedade almejasse estreitar laços de amizade e fraternidade.
            Ledo engano. O muro já estava planejado. A sua estrutura estava eivada de rancor, de ódio, de ranço, de perseguição política, de repressão àqueles que ousassem enfrentar seus idealizadores. A discórdia previamente engendrada entre os Poderes trazia a marca da prepotência, da intolerância, da ditadura branca e velada onde os do contra eram os inimigos do poder; onde somente os de cá eram os desonestos, corruptos, ladrões, bandidos, quadrilheiros, e outros adjetivos mais.  O todo poderoso Governador eleito tinha a seu  dispor parte dos constitucionalmente designados de fiscal da lei – o Ministério Público.
            À semelhança de  Chaves,  Castro, Morales, Hitler, Mussoline, Napoleão, Stalin, elegeu-se o jargão EU SOU O ESTADO. E por conseqüência advém seu complemento : manda quem pode, obedece quem tem juízo. A sociedade amapaense estava no dilema de “ se correr o bicho pega, se ficar o bicho come “.  A gestão do EU implantava-se no território amapaense e estendeu-se por longos 4 anos. E nesse período a sociedade, detentora do direito de receber assistência  do Estado, ficou desprotegida, esquecida, enganada, espezinhada, ofendida, e, indignada pelo erro que cometera.


 A QUEDAS DOS MUROS.
            Lá, na Alemanha, um brado retumbou nos ares despertando o gigante adormecido. ABRAM A BARREIRA, disse o guarda da fronteira de Berlim Ocidental, o alemão Harald Jaeger. Nesse momento o muro de pedras e cimento começara a cair. O povo alemão não suportava mais conviver com a separação territorial imposta pelo poder nazista.
            Aqui no Amapá, o herói da derrubada do muro ideológico, separatista, imoral, leviano, antiético, incompetente, ditador....... foi o POVO AMAPAENSE, que em 5 de outubro, sob a égide do direito sagrado e universal do VOTO, dera a primeira marretada, por cuja abertura via-se a luz da liberdade, da alegria e da felicidade. Esse gesto foi repetido em 26 do mesmo mês, quando o POVO AMAPAENSE, unido, coeso, marchando lado a lado em direção a liberdade, abateu o muro com mais de 62 % de marteladas. Estava consumada a liberdade.
            Neste artigo faço minhas e do POVO AMAPAENSE, a seguinte declaração de Harald Jaeger : Não fui eu que derrubei o Muro. Foram os cidadãos alemãs que se reuniram naquela noite. Meu único mérito é que tudo aconteceu sem que fosse preciso derramar uma só gota de sangue .
            Tal qual lá, aqui a mesma cena foi repetida.
Para reflexão semanal : “ Neste 15 de novembro comemora-se a Proclamação da República Brasileira. Se ainda Você constatar que existem “muros” para derrubar, dê a primeira marretada “ ( j.freitas ).


                        

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