sexta-feira, 28 de novembro de 2014

José Alberto Tostes

O que pensar depois de quatro anos?
Autor: José Alberto Tostes

Em novembro de 2010, recebi o convite do jornal Tribuna para escrever para o Jornal. Nesta última semana de novembro completa quatro anos desta coluna, durante este trajeto, foram mais de 200 artigos escritos sobre os mais diversos temas: cidade, planejamento, via urbana, Amapá, Amazônia, indicadores de vida, contexto político do estado do Amapá, os municípios, cidades no estrangeiro, enfim, foram muitas abordagens, não deixei de enviar ao longo de quarenta e oito meses, um único artigo. O trajeto no jornal começa quase que paralelamente ao blogspot, também criado em 2010 no mês de outubro.
Escrever requer muita disciplina, rigor e muita atenção aos fatos que estão ocorrendo, muito embora, não ocorra uma similaridade entre o tempo do artigo, e os fatos decorridos, o que diferencia o que está escrito, é exatamente o trabalho do autor, não é fácil abordar temas de grande interesse da população, que ainda acredita no jornal impresso. É interessante perceber, o público das redes sociais não é o mesmo do jornal impresso, isso incentiva a continuar escrevendo materiais para os fins mais diversos.
No período de quatro anos, recebi diversas correspondências sobre os assuntos abordados, principalmente quando se tratavam de assuntos mais instigantes, sempre tive a preocupação neste período de me deter sobre uma análise fundamentada nos números oficiais, registros publicados e em concepções conceituais para auxiliar na construção de uma ideia. O público não precisa concordar, tão pouco alinhar as questões com quem escreve, é preciso divergir sempre para reconstruir novas ideias. Em todo este período, abordei por diversas vezes o Amapá e as cidades de Macapá e Santana, e tão pouco Oiapoqueficou de lado, teve quase vinte e cinco artigos na tela do debate.
                  Muitos dos artigos sobre o Amapá foram resultados de diversos trabalhos de pesquisas produzidos pela Universidade Federal do Amapá e por outras instituições da região amazônica da qual tive o privilégio de participar, o produto destas pesquisas, bem como os trabalhos técnicos renderam diversas reflexões sobre a forma de pensar o lugar e o desenvolvimento, sempre busquei refletir em cima das dificuldades para alcançarmos a perspectiva mínima de desenvolvimento.
Nestes quarenta e oito meses, foram mais de setenta viagens para os municípios amapaenses, para outros estados e para o exterior, tive a oportunidade de realizar um estágio de pós-doutorado em Coimbra-Portugal, experiência que permitiu ampliar os horizontes, além do conhecimento e a identidade das questões culturais do velho continente. Em qualquer lugar se aprende de tudo, é a troca de experiência, vai e vem constantemente.
                   A soma de tudo isso rendeu números expressivos em relação aos aspectos qualitativos e quantitativos, tive como publicar neste período quatro livros, realizar múltiplas palestras e conferências em diversos lugares, contextos que sempre oportunizei em escrever para o blog e para o jornal. É importante contribuir com a sociedade, exercer a forma de pensar, é acima de tudo possibilitar ao outro a oportunidade de refletir profundamente sobre a realidade onde está inserido.
                    Sempre fui questionado sobre os títulos dados aos artigos, sempre disse aos leitores, isso flui naturalmente, é uma fonte de inspiração, não existe hora especifica para escrever, quando as ideias fluem, tudo acontece, depende do momento, da situação, da influência, de um momento marcante, não poderia dizer especificamente, se tenho um ou outro artigo preferido, cada um, tem a sua importância e valor, por acreditar que seja algo crucial,exercitarmos o desejo de comunicar com os demais.
                    Apesar de estarmos vivendo em uma sociedade contemporânea cada vez mais exigente e interplanetária, onde basicamente muitos estão lendo muito pouco e reduzindo a linguagem a uma meia dúzia de frases, o jornal impresso ainda “vive”, é algo latente. Durante este período tive a autonomia para escrever o que queria sem nenhuma interferência da direção do jornal.
                    Ler ainda é a melhor forma de exercitar o pensamento, refletir é possibilitar desvendar uma serie de ideias soltas em algo estrutural e organizado, conseguir atingir um público fiel a uma leitura crítica, é algo desafiador nos dias atuais, pois até mesmo na academia onde faço parte, isso é um tabu, passar de algumas linhas a análise crítica, o que importa para muitos é o resultado, as novas gerações tem muita pressa, acaba-se confundindo o desejo de avançar com qualidade com a pressa para alcançar algo.
                    Desde o ano de 1997, comecei a escrever para os jornais locais, muita coisa foi produzida em todo este percurso, acredito que contribui para ampliar os horizontes de muita gente, de gerar outras perspectivas de avaliação sobre o que é exercitar o pensamento, de se inserir a academia em um debate mais próximo da sociedade. Que venha mais quatro anos pela frente, sempre com novas ideias para serem escritas e avaliadas pelo público, pois, quem escreve cotidianamente, a mensagem não lhe pertence mais. Agradeço ao grande público leitor pela assiduidade na leitura desta coluna e ao Jornal Tribuna Amapaense de continuar produzindo conhecimento crítico favor da sociedade. Então, o que pensar depois de quatro anos? Sem dúvida há muita coisa que dizer para o grande público.


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