O que
pensar depois de quatro anos?
Autor:
José Alberto Tostes
Em
novembro de 2010, recebi o convite do jornal Tribuna para escrever para o
Jornal. Nesta última semana de novembro completa quatro
anos desta coluna, durante este trajeto, foram mais de 200 artigos escritos
sobre os mais diversos temas: cidade, planejamento, via urbana, Amapá,
Amazônia, indicadores de vida, contexto político do estado do Amapá, os
municípios, cidades no estrangeiro, enfim, foram muitas abordagens, não deixei
de enviar ao longo de quarenta e oito meses, um único artigo. O trajeto no jornal
começa quase que paralelamente ao blogspot, também criado em 2010 no mês de
outubro.
Escrever
requer muita disciplina, rigor e muita atenção aos fatos que estão ocorrendo,
muito embora, não ocorra uma similaridade entre o tempo do artigo, e os fatos
decorridos, o que diferencia o que está escrito, é exatamente o trabalho do
autor, não é fácil abordar temas de grande interesse da população, que ainda
acredita no jornal impresso. É interessante perceber, o público das redes
sociais não é o mesmo do jornal impresso, isso incentiva a continuar escrevendo
materiais para os fins mais diversos.
No
período de quatro anos, recebi diversas correspondências sobre os assuntos
abordados, principalmente quando se tratavam de assuntos mais instigantes,
sempre tive a preocupação neste período de me deter sobre uma análise fundamentada
nos números oficiais, registros publicados e em concepções conceituais para
auxiliar na construção de uma ideia. O público não precisa concordar, tão pouco
alinhar as questões com quem escreve, é preciso divergir sempre para
reconstruir novas ideias. Em todo este período, abordei por diversas vezes o
Amapá e as cidades de Macapá e Santana, e tão pouco Oiapoqueficou de lado, teve
quase vinte e cinco artigos na tela do debate.
Muitos dos artigos sobre o
Amapá foram resultados de diversos trabalhos de pesquisas produzidos pela
Universidade Federal do Amapá e por outras instituições da região amazônica da
qual tive o privilégio de participar, o produto destas pesquisas, bem como os trabalhos
técnicos renderam diversas reflexões sobre a forma de pensar o lugar e o
desenvolvimento, sempre busquei refletir em cima das dificuldades para
alcançarmos a perspectiva mínima de desenvolvimento.
Nestes
quarenta e oito meses, foram mais de setenta viagens para os municípios
amapaenses, para outros estados e para o exterior, tive a oportunidade de
realizar um estágio de pós-doutorado em Coimbra-Portugal, experiência que
permitiu ampliar os horizontes, além do conhecimento e a identidade das
questões culturais do velho continente. Em qualquer lugar se aprende de tudo, é
a troca de experiência, vai e vem constantemente.
A soma de tudo isso rendeu
números expressivos em relação aos aspectos qualitativos e quantitativos, tive
como publicar neste período quatro livros, realizar múltiplas palestras e
conferências em diversos lugares, contextos que sempre oportunizei em escrever
para o blog e para o jornal. É importante contribuir com a sociedade, exercer a
forma de pensar, é acima de tudo possibilitar ao outro a oportunidade de
refletir profundamente sobre a realidade onde está inserido.
Sempre fui questionado
sobre os títulos dados aos artigos, sempre disse aos leitores, isso flui
naturalmente, é uma fonte de inspiração, não existe hora especifica para
escrever, quando as ideias fluem, tudo acontece, depende do momento, da
situação, da influência, de um momento marcante, não poderia dizer especificamente,
se tenho um ou outro artigo preferido, cada um, tem a sua importância e valor,
por acreditar que seja algo crucial,exercitarmos o desejo de comunicar com os
demais.
Apesar de estarmos vivendo
em uma sociedade contemporânea cada vez mais exigente e interplanetária, onde
basicamente muitos estão lendo muito pouco e reduzindo a linguagem a uma meia
dúzia de frases, o jornal impresso ainda “vive”, é algo latente. Durante este
período tive a autonomia para escrever o que queria sem nenhuma interferência
da direção do jornal.
Ler ainda é a melhor forma
de exercitar o pensamento, refletir é possibilitar desvendar uma serie de
ideias soltas em algo estrutural e organizado, conseguir atingir um público
fiel a uma leitura crítica, é algo desafiador nos dias atuais, pois até mesmo
na academia onde faço parte, isso é um tabu, passar de algumas linhas a análise
crítica, o que importa para muitos é o resultado, as novas gerações tem muita
pressa, acaba-se confundindo o desejo de avançar com qualidade com a pressa
para alcançar algo.
Desde o ano de 1997,
comecei a escrever para os jornais locais, muita coisa foi produzida em todo
este percurso, acredito que contribui para ampliar os horizontes de muita
gente, de gerar outras perspectivas de avaliação sobre o que é exercitar o
pensamento, de se inserir a academia em um debate mais próximo da sociedade. Que
venha mais quatro anos pela frente, sempre com novas ideias para serem escritas
e avaliadas pelo público, pois, quem escreve cotidianamente, a mensagem não lhe
pertence mais. Agradeço ao grande público leitor pela assiduidade na leitura
desta coluna e ao Jornal Tribuna Amapaense de continuar produzindo conhecimento
crítico favor da sociedade. Então, o que pensar depois de quatro anos? Sem
dúvida há muita coisa que dizer para o grande público.
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