sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Necrópoles“Sem vagas”



Cemitério Nossa Senhora da Conceição - lotado
Cemitério São José - 80% comprometido











Necrópoles“Sem vagas”
Cemitérios à beira de um colapso






É preciso que esse tema entre como uma das prioridades das prefeituras de Macapá e Santana, nessa gestão ou na próxima, pois carece de solução. É necessário que os vereadores de ambos os municípios com a problemática se esmerem no sentido de procurar soluções que ajudem o cidadão na hora da dor da perda de um ente querido. Não tenham de enfrentar a burocracia para poder sepultá-lo dignamente. Não esperemos o extremo da superlotação para começarmos a buscar respostas imediatistas. Prevenir é melhor que remediar...


Reinaldo Coelho

Seria cômico, se não fosse trágico, você encontrar na entrada de um cemitério de uma capital estadual o aviso:“Sem vagas, estamos superlotados”, pois essa situação está quase sendo verídica nas duas cidades mais importantes do Estado do Amapá e aonde a concentração populacional estadual chega a quase 80% em Macapá e Santana.
E essa conjuntura está quase passando despercebida, e ainda por grande parte dos macapaenses e santanenses: “a capacidade dos cemitérios de nossas cidades beiram o esgotamento”.




A Região Metropolitana de Macapá, instituída pela Lei Complementar Estadual nº 21, de 26 de fevereiro de 2003, compreende os municípios de Macapá, capital do Estado e de Santana apresentando uma população de 515.883 habitantes segundo as estimativas de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Macapá é considerada uma cidade-estado, pois tem509.883 habitantes, ou seja, 60% do número de habitantes do Estado possuem somente quatro cemitérios, e três deles estão com a lotação esgotada e um com 17 anos de uso está com 70% do uso comprometido.


“Sem vaga”
Essas cidades veem a sua população crescendo a cada dia e começa a refletir sobre vários temas pertinentes ao bom convívio de seus cidadãos. Não menos importante, é a situação dos nossos cemitérios que estão lotados e que em breve não haverá mais capacidade para receber ninguém.

Dos 53 mil lotes registrados pela Prefeitura nos três cemitérios de Macapá (Nossa Senhora da Conceição, São José e São Francisco de Assis), apenas 3.221 foram recadastrados. É necessário que os cidadãos procurem os órgãos municipais e colaborem com o poder municipal para a regularização de seus lotes e providenciem com antecipação os lotes familiares, dessa forma não terem problemas futuros.

A construção de novos cemitérios é necessária e de extrema importância. Outra saída para ajudar na demanda é a criação de crematórios municipais, pois, muitos hoje optam por essa técnica funerária. A cremação oferece menos riscos ao meio ambiente.

É preciso que esse tema entre como uma das prioridades das prefeituras de Macapá e Santana, nessa gestão ou na próxima, pois carece de solução. É necessário que os vereadores de ambos os municípios com a problemática se esmerem no sentido de procurar soluções que ajudem o cidadão na hora da dor da perda de um ente querido. Não tenham de enfrentar a burocracia para poder sepultá-lo dignamente. Não esperemos o extremo da superlotação para começarmos a buscar respostas imediatistas. Prevenir é melhor que remediar.

Necrópoles de Macapá

Os cemitérios de Macapá estão à beira de um colapso. Os três cemitérios do município estão lotados e não dispõem de novas áreas para ampliação.  Com uma média de 100 sepultamentos por mês, e se nada for feito, enterros no município correm o risco de até serem suspensos, como acontece em Santana.

O Cemitério Nossa Senhora da Conceição,que tem mais de 150 anos de criação e fica localizado na parte antiga de Macapá, está há anos com sua lotação esgotada, o cemitério possui03 mil lotes e cerca de 08 mil sepultados. Por diversas vezes foi necessário a retirada dos ossos de sepulturas que não tinham mais identificação e colocados no ossário do campo-santo, hoje ali podem ser enterrados somente os que possuem lotes cadastrados na Prefeitura de Macapá.

Para tentar solucionar o problema de ordenamento, a Prefeitura de Macapá estuda um planejamento que deverá interditar definitivamente o cemitério Nossa Senhora da Conceição e a implantação de um sistema de informática para ajudar na identificação dos lotes e familiares responsáveis. Assim, certamente irá acelerar os processos burocráticos de organização.

Outra medida serão reaproveitamento de alguns lotes que tem amparo na Lei municipal de 1.614 de 2008, que dispõe sobre o ordenamento da implantação de usos de cemitérios há cada 5 anos. O lote que não tiver a estrutura de alvenaria poderá ser reutilizado pela prefeitura. Faz-se necessário, porém, uma grande divulgação de orientação e informação para que os usuários tenham condições de cumprir as determinações legais, pois muitos não possuem condições financeiras para arcarem com uma despesa desse monte.

No cemitério São José, localizado no bairro Buritizal, Zona Sul da capital, foram recadastrados 2.349 dos 30 mil lotes registrados pela secretaria e se encontra na mesma situação do cemitério central, será desativado para novo sepultamento. Sendo somente realizados para aqueles que possuem lotes comprados. Ele não está mais aberto para compras de espaços.

O mais novo cemitério de Macapá foi construído há 17 anos, São Francisco de Assis, que fica no quilômetro 9 da BR 210, tem 8 mil lotes e mais de 17 mil sepultados. E atualmente recebe sepultamento do município vizinho, Santana, que tem sua necrópole lotada.

SANTANA

Não ter onde cair morto é muito mais que uma expressão popular em Santana, município que fica a 30 km de Macapá e possuem 110 565 habitantes. Com a capacidade do único cemitério da cidade esgotada, muitas famílias estão sendo obrigadas a enterrar os parentes na capital amapaense. Criado em 1974 pelo prefeito de Macapá Cleyton Figueiredo de Azevedo, quando era distrito macapaense. O Cemitério Sant’Ana tem 40 anos e foi criado para substituir o existente que funcionava desde a década de 1950 numa área privada, pertencente à Empresa de Portos do Brasil (Portobrás).

Sant’Ana vinha recebendo poucos sepultamentos na década de 80, no local só existiam pouco mais de 40 pessoas sepultadas, porém, em janeiro de 1981, com o maior naufrágio fluvial da América Latina: a tragédia do barco “Novo Amapá” levaria à morte mais de 400 pessoas, obrigando o então Governador do Amapá Comandante Anníbal Barcellos a providenciar a abertura de cinco “valas” extensas no dito cemitério para sepultar as vítimas que chegavam dentro de largos caixotes de compensado (cabendo neles até cinco corpos em cada). Por quatro longos dias, a população assistia estarrecido a esses sepultamentos considerado o maior público fúnebre já ocorrido em Santana.
Segundo a administração do local, em março de 2012, a Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo de Santana efetuou um levantamento, na qual concluíram a existência de mais de 12 mil pessoas (entre adultos, crianças e fetos) sepultadas no referido cemitério, não havendo mais espaço para novos enterros – somente aqueles que possuem jazigos com entes falecidos.

Após o recadastramento feito pela PMS, toda sepultura abandonada a mais de 05 anos, provavelmente o município retome para liberar pra outras pessoas carentes e lotes vazios reservados, porém,não legalizados, também serão retomado pelo município e cedido para atender a grande necessidade do público santanense. 

Enquanto os santanenses têm de enterrar seus entes queridos em Macapá, a prefeitura sugeriu no início do ano ocorresse a desocupação das valas comuns onde há centenas de vítimas e fosse construído um Mausoléu. De acordo com prefeito de Santana,“A ideia é angariarmos esses espaços para que a comunidade possa enterrar seus parentes sem afetar a memória das vítimas do naufrágio”.
Porém, a população não aceitou a ideia que causou indignação entre os parentes das quase 400 vítimas da tragédia. Familiares chegaram a fazer atos públicos contra a possível remoção. A falta de acompanhamento técnico e de projeto ajudou esses familiares, pois o município perdeu que o dinheiro de uma emenda que seria usado na construção do novo sepulcro por falta de apresentação de um projeto da prefeitura.

 

 

Crematório Social
MODELO

Está tramitando na Comissão de Constituição, Redação e Cidadania da Assembleia Legislativa do Amapá, o projeto de lei de autoria do deputado Michel JK (PSDB), que autoriza a criação de capela mortuária e crematória destinada a famílias que não podem arcar com as despesas de um funeral.
Segundo o projeto, a capela deverá contar com uma sala de administração, sala de repouso, sanitários públicos, cozinha e câmaras para incineração de cadáveres e restos mortais humanos.
A Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social (SIMS) ficará responsável em celebrar os convênios para utilização da capela mortuária e crematória e ainda a seleção das famílias.


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