sexta-feira, 21 de novembro de 2014

RU – Unifap



RU – Unifap









Reinaldo Coelho
Da Reportagem




O restaurante da Universidade Federal do Amapá existe desde 2011. Ele funciona no Campus Marco Zero, na zona sul de Macapá e oferecia ao valor de R$ 1,50 três refeições diárias; café da manhã, almoço e janta. De acordo com a Unifap, são distribuídas 42 mil refeições por dia. Porém, faltou fiscalização da reitoria como referência à preparação e a qualidade dos alimentos que estavam sendo distribuídos aos acadêmicos.

A situação chegou ao extremo do perigo no inicio de novembro (5), quando mais de cinquenta alunos se sentiram mal após refeições realizadas no local e alguns foram encaminhados ao atendimento médico com problemas estomacais.

Uma das primeiras providências da Reitoria da instituição foi interditar o Restaurante Universitário (RU), e pedir a Agência de Vigilância Sanitária a análise e uma perícia no local. De acordo com o representante da reitoria, após o laudo da Vigilância Sanitária a universidade tomará uma decisão sobre o contrato com a prestadora de serviço. Se for constatado que a responsabilidade é da empresa terceirizada, a assessoria jurídica tomará as providências, inclusive a de abrir nova licitação para contratação de uma nova prestadora de serviço.

Faltou local para a alimentação

Entretanto, um impasse paira com a interdição do RU,os acadêmicos da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) estão sem alimentação, pois o RU era a única opção de alimentação com valor acessível para os discentes. Como o Campus em questão fica afastado do centro da cidade, poucas são as opções de locais de alimentação. Apenas uma lanchonete está funcionando atualmente no interior da Unifap, oferecendo lanches a um valor acima do que a maioria pode pagar.

“O que a gente gastava em um mês, estamos pagando em dois dias, pois não tem lugares baratos. Ou comemos na lanchonete ou na rua, de qualquer forma sai mais caro”, lamenta a estudante Flávia Calado.

A opção foi os alunos cobrarem soluções da Reitoria da Unifap. Nesse sentido, foi marcada uma audiência pública realizada dia 19/11. A audiência foi uma alternativa proposta pelos estudantes para tentar resolver o problema da forma mais democrática consensual possível. Contudo, muitos órgãos convidados ainda não confirmaram presença, nem mesmo a administração da universidade.
Durante aaudiência pública foi informado à comunidade acadêmica as medidas que estão sendo tomadas para a reabertura do Restaurante Universitário (RU). Durante o encontro, os acadêmicos realizaram um novo protesto para cobrar providências imediatas em relação ao RU.


Benedita Sardinha, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), reclamou da maneira como o assunto foi abordado pela reitoria da universidade. Ela acredita que a instituição entendeu que o fechamento do restaurante está associado a uma vontade dos estudantes e não ao fato de ter ocorrido uma intoxicação alimentar.
"A gente quer saber qual vai ser o andamento disso. Nós estudantes sabemos o que de fato é melhor para o restaurante. A empresa que presta o serviço ofereceu há três anos uma alimentação de péssima qualidade. O que aconteceu em novembro foi apenas um dos casos, os demais comunicamos à reitoria e fizemos uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF). Não é justo que ela deixe de cumprir o serviço e não receba nenhum tipo de pena", disse.
Segundo a reitora da universidade, Eliane Superti, o processo de rompimento de contrato com a empresa que prestava o serviço de alimentação já foi iniciado. A inspeção feita pela Vigilância Sanitária na cozinha do restaurante foi finalizada e os resultados dos laudos realizados deverão sair até o fim de novembro.
"Já recebemos um relatório de visita da vigilância onde detalha uma série de elementos que precisam ser corrigidos. Já demos início a este trabalho de manutenção da estrutura física do RU. O próximo passo é contratar uma empresa que atenda as exigências sanitárias e tenha cadastro junto à vigilância. Isso vai ocorrer após a formalização da quebra de contrato com a atual empresa. Como todo esse processo demanda tempo, estamos estudando a possibilidade de firmar um contrato emergencial para que no próximo semestre o restaurante já esteja funcionando", explicou a reitora.

A reitora informou também que a disponibilização do auxílio alimentação aos alunos que precisam se alimentar na universidade está em fase de conclusão. O valor ainda está em análise pela Pró-Reitoria de Ações e Extensões Comunitárias (Proeac). O benefício será destinado aos mais de mil alunos de baixa renda cadastrados na Unifap.
Enquanto isso, a Unifap irá pagar um auxílio aos estudantes que fazem curso integral e de baixa renda, mas o restante dos acadêmicos que não se enquadrem nestes quesitos, não serão atendidos. “Além de deixar muitos acadêmicos desassistidos, esta solução provisória não agrada porque sabemos que existe muita morosidade nos processos em instituições públicas, fato que acaba atrasando o pagamento de muitos benefícios”, explica Flavia Calado.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) acha que o processo é lento. Segundo o DCE, o RU atendia pelo menos 800 alunos de forma gratuita, por meio das bolsas assistenciais destinadas aos alunos carentes. Eles estão há quase duas semanas sem local para as refeições. “Sem contar que outros alunos faziam uso do local por conta do valor de R$ 1,50 cobrado para acadêmicos. E agora todos estão órfãos”.

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