RU – Unifap
Reinaldo Coelho
Da Reportagem
O restaurante
da Universidade Federal do Amapá existe desde 2011. Ele funciona no Campus
Marco Zero, na zona sul de Macapá e oferecia ao valor de R$ 1,50 três refeições
diárias; café da manhã, almoço e janta. De acordo com a Unifap, são distribuídas
42 mil refeições por dia. Porém, faltou fiscalização da reitoria como referência
à preparação e a qualidade dos alimentos que estavam sendo distribuídos aos
acadêmicos.
A situação chegou
ao extremo do perigo no inicio de novembro (5), quando mais de cinquenta alunos
se sentiram mal após refeições realizadas no local e alguns foram encaminhados
ao atendimento médico com problemas estomacais.
Uma das
primeiras providências da Reitoria da instituição foi interditar o Restaurante
Universitário (RU), e pedir a Agência de Vigilância Sanitária a análise e uma
perícia no local. De acordo com o representante da reitoria, após o laudo da
Vigilância Sanitária a universidade tomará uma decisão sobre o contrato com a
prestadora de serviço. Se for constatado que a responsabilidade é da empresa
terceirizada, a assessoria jurídica tomará as providências, inclusive a de
abrir nova licitação para contratação de uma nova prestadora de serviço.
Faltou local
para a alimentação
Entretanto,
um impasse paira com a interdição do RU,os acadêmicos da Universidade Federal
do Amapá (UNIFAP) estão sem alimentação, pois o RU era a única opção de
alimentação com valor acessível para os discentes. Como o Campus em questão
fica afastado do centro da cidade, poucas são as opções de locais de
alimentação. Apenas uma lanchonete está funcionando atualmente no interior da
Unifap, oferecendo lanches a um valor acima do que a maioria pode pagar.
“O que a
gente gastava em um mês, estamos pagando em dois dias, pois não tem lugares
baratos. Ou comemos na lanchonete ou na rua, de qualquer forma sai mais caro”,
lamenta a estudante Flávia Calado.
A opção foi
os alunos cobrarem soluções da Reitoria da Unifap. Nesse sentido, foi marcada
uma audiência pública realizada dia 19/11. A audiência foi uma alternativa proposta pelos
estudantes para tentar resolver o problema da forma mais democrática consensual
possível. Contudo, muitos órgãos convidados ainda não confirmaram presença, nem
mesmo a administração da universidade.
Durante aaudiência
pública foi informado à comunidade acadêmica as medidas que estão sendo tomadas
para a reabertura do Restaurante Universitário (RU). Durante o encontro, os
acadêmicos realizaram um novo protesto para cobrar providências imediatas em
relação ao RU.
Benedita Sardinha, do Diretório Central dos
Estudantes (DCE), reclamou da maneira como o assunto foi abordado pela reitoria
da universidade. Ela acredita que a instituição entendeu que o fechamento do
restaurante está associado a uma vontade dos estudantes e não ao fato de ter
ocorrido uma intoxicação alimentar.
"A gente quer saber qual vai ser o andamento
disso. Nós estudantes sabemos o que de fato é melhor para o restaurante. A
empresa que presta o serviço ofereceu há três anos uma alimentação de péssima
qualidade. O que aconteceu em novembro foi apenas um dos casos, os demais
comunicamos à reitoria e fizemos uma denúncia no Ministério Público Federal
(MPF). Não é justo que ela deixe de cumprir o serviço e não receba nenhum tipo
de pena", disse.
Segundo a reitora da universidade, Eliane Superti,
o processo de rompimento de contrato com a empresa que prestava o serviço de
alimentação já foi iniciado. A inspeção feita pela Vigilância Sanitária na
cozinha do restaurante foi finalizada e os resultados dos laudos realizados
deverão sair até o fim de novembro.
"Já recebemos um relatório de visita da
vigilância onde detalha uma série de elementos que precisam ser corrigidos. Já
demos início a este trabalho de manutenção da estrutura física do RU. O próximo
passo é contratar uma empresa que atenda as exigências sanitárias e tenha
cadastro junto à vigilância. Isso vai ocorrer após a formalização da quebra de
contrato com a atual empresa. Como todo esse processo demanda tempo, estamos
estudando a possibilidade de firmar um contrato emergencial para que no próximo
semestre o restaurante já esteja funcionando", explicou a reitora.
A reitora informou também que a disponibilização do
auxílio alimentação aos alunos que precisam se alimentar na universidade está
em fase de conclusão. O valor ainda está em análise pela Pró-Reitoria de Ações
e Extensões Comunitárias (Proeac). O benefício será destinado aos mais de mil
alunos de baixa renda cadastrados na Unifap.
Enquanto isso, a Unifap irá pagar um auxílio aos
estudantes que fazem curso integral e de baixa renda, mas o restante dos
acadêmicos que não se enquadrem nestes quesitos, não serão atendidos. “Além de
deixar muitos acadêmicos desassistidos, esta solução provisória não agrada porque
sabemos que existe muita morosidade nos processos em instituições públicas,
fato que acaba atrasando o pagamento de muitos benefícios”, explica Flavia
Calado.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) acha que o processo é lento. Segundo o DCE, o RU atendia pelo menos 800 alunos de forma gratuita, por meio das bolsas assistenciais destinadas aos alunos carentes. Eles estão há quase duas semanas sem local para as refeições. “Sem contar que outros alunos faziam uso do local por conta do valor de R$ 1,50 cobrado para acadêmicos. E agora todos estão órfãos”.


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