SAÚDE EM FOCO
ASSISTÊNCIA
À SAÚDE INDÍGENA: INSTITUTO INCENTIVA POLITICAGEM
E PRIVATIZAÇÃO.
A desconsideração e menosprezo com as chamadas
“minorias” é um acontecimento sociológico
vem se repetindo ao longo dos séculos. No Brasil e América Latina esse
fenômeno começa com o genocídio e extermínio das populações indígenas pelas
colônias européias e das civilizações Maias e Astecas no período pré-colonial,
estendendo-se no período imperial com a escravidão negra e, hoje, com o
preconceito velado ou a exclusão do atendimento dessas pessoas no sistema
público oficial. Isso sem falar das
matanças dos regimes ditatoriais como no Nazi-fascismo.
Em relação a
garantia de saúde pública, como direito social conquistado e garantido
constitucionalmente, as populações indígenas, negras e as pessoas com
deficiências, são apenas pontualmente contempladas com políticas públicas de
aplicação deficiente ao longo das últimas décadas. Na saúde indígena tivemos a
FUNAI, SUCAM, FUNASA, que prestaram assistência de maneira precária, devido o
fisiologismo e as administrações
eleitoreiras, que terminaram com grandes escândalos.
As conquistas
históricas dos indígenas estão garantidas desde 1988, com a Constituição
Federal e com a Lei Orgânica de Saúde (Lei 8.080/90), cujo SUS deve prestar
assistência integral, universal e igualitária a todo cidadão sem distinção de
raça, cor ou credo. Participei dessa luta em todas as Conferências Estaduais e
em duas Conferências Nacionais (9ª e 12ª) como delegado pelo Amapá. Apesar das
políticas publicas e da estrutura existente ( Secretaria de Saúde
Indígena-SESAI; Distritos de Saúde Indígena- DSEIS; Casas de Saúde
Indígena-CASAIS), todos os governos desde FHC até o atual (Dilma) tentaram
desqualificar e derrubar as conquistas e
os marcos regulatórios já consolidados, como a não aplicação da Política
Nacional de Saúde das Populações Indígenas(PNSPI).
A PNSPI foi uma
das principais conquistas com propostas para equacionar e colocar em pratica
todo um aparato legal contido na legislação sanitária, em termos de formação,
qualificação e capacitação de um quadro técnico para atender as características
da área, repasse de recursos orçamentários e manutenção da estrutura organizacional
existente, valorizando as características epidemiológicas regionais e culturais
próprias da população indígena.
No entanto o
processo de implantação da política é desproporcional às dificuldades, cujo
acesso às melhorias fica emperrado pela burocracia, pelo investimento
insuficiente e pela tentativa de centralização das decisões, sempre
dificultando a participação das lideranças e das entidades defensoras da causa
indígena. A mais recente medida nesse
sentido, proposta pelo governo federal, é a criação do Instituto Nacional de Saúde
Indígena (INSI) com um enfoque privatista, já que em vez de
fortalecer as estruturas existentes e colocar em pratica a PNSPI, tenta passar
uma sugestão de terceirizar os serviços fora do sistema público de saúde,
contrariando os preceitos do SUS e as conquistas constitucionais, ou seja, é
mais uma tentativa de privatizar o setor, tirar as responsabilidades de
logística e investimento estatal.
Um dos temas
mais polêmicos é a não inclusão da Medicina Tradicional Indígena na formação
dos agentes, instrutores e professores, num processo crescente de aculturação e
imposição da medicina tradicional. Uma experiência exitosa de ensino e formação
de agentes e profissionais de saúde foi feito pelo Distrito de Rondônia, que poderia servir como modelo para
o ensino regular de saúde indígena, porém não foi incorporado pelo sistema
oficial. A inclusão das plantas
medicinais tradicionais, importante recurso milenar da cultura indígena também
não esta inserido na formação dos agentes. Prevalece medidas emergenciais que não
respondem aos anseios e à grande problemática de levar saúde às aldeias,
optando por credenciar e favorecer ONGs que não tem vocação para lidar com as
dificuldades. As faculdades e o ensino formal não preparam os profissionais de
saúde para lidar com essas diferenças culturais, achando que os índios ainda se
vendem por bombons, espelho, pente e que não reivindicam seus direitos.

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