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| Usina Ferreira Gomes |
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| Usina Cachoeira Caldeirão |
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| Usina Coaracy Nunes |
Rio
Araguari
Usinas
hidrelétricas na Amazônia impactos devastadores
Reinaldo
Coelho
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| MORTANDADE DE PEIXES NO RIO ARAGUARI |
O Amapá
tem acompanhado recentes e tristes cenas de deslizamentos, soterramentos e
enchentes em diversas cidades, além de secas na zona rural e agora no maior
centro urbano da América Latina, a cidade de São Paulo. Estes fenômenos
naturais têm causado prejuízos materiais e humanos, haja vista o número de
mortos em cada ocorrência, e tem origem, na maioria das vezes, na ação do homem
sobre o meio ambiente.
Os
estados amazônicos tem que colocar a “barba de molho”enquanto temos água para
isso. Precisamos nos precaver, pois estamos no liminar das ações do homem contra
a natureza amazônica.
O
primeiro impacto está acontecendo no Rio Araguari que é o maior rio
genuinamente amapaense, pois tem sua nascente na Serra Lombarda, norte do
Estado, e atravessa vários Municípios, como as cidades de Porto Grande (cujos
primeiros habitantes chegaram por ele), Ferreira Gomes e Cutias do Araguari.
Esse sinal
de alerta teve o Ministério Público Federal que apresentou a Justiça Federal em
seis estados da Amazônia um pacote de ações para proteger os recursos hídricos
da região, até agora usados sem nenhum planejamento. Na Amazônia, onde está a
maior parte da água do país, a Agência Nacional de Águas nunca exigiu o
planejamento do uso dos rios e mesmo assim concede outorgas.
Foram
feitas ação em Porto Velho, sobre a bacia do rio Madeira, foram ajuizadas ações
em Manaus, sobre as bacias do Negro e do Solimões, em Boa Vista, sobre a bacia
do rio Branco, em Cuiabá, sobre a bacia dos rios Tapajós e Teles Pires, em
Oiapoque e Laranjal do Jari, sobre os rios Jari e Oiapoque, em Redenção, sobre
a bacia Araguaia-Tocantins e em Santarém, sobre o rio Trombetas.
A
situação descrita pelo MPF não inclui o Rio Araguari que tem duas Hidrelétricas
em construção e uma em operação, a de Coaracy Nunes, que desde o inicio de seu
funcionamento, mudou o histórico do Araguari, trazendo na época de verão uma
grande seca que prejudica os ribeirinhos e muitas vezes racionamento de energia
elétrica.
São
enchentes, mortandade de cardumes de espécies variadas e assoreamento do rio,
acabando com as Pororocas e o volume d’água.
Os primeiros sinais
As Usinas
de Ferreira Gomes e de Caldeirão em Porto Grande que estão em construção e já
mostram aos moradores de seu entorno os impactos iniciais dessas obras na
trajetória do Araguari.
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| O Imap foi avisado sobre o problema e mandou pesquisadores para colher amostras no local para análises que expliquem o motivo da morte dos peixes. |
Começamos com a Usina Hidrelétrica
de Ferreira Gomes, sediada no município da mesma denominação e no inicio de
agosto começaram a surgir peixes mortos nas margens do Rio Araguari e próximo
as obras de usina. O geógrafo Gesiel de Souza que esse detalhe ajuda a dar uma dica sobre as reais motivações, “apesar de não
podermos ainda atribuir a culpa exclusivamente a nenhum causador, pois os
laudos definitivos ainda não foram concluídos”.
A mortandade já foi alvo de protestos contra a
empresa executora da obra e alvo de investigação por parte do Instituto de
Meio Ambiente e Ordenamento Territorial (Imap).
Moradores relatam que a cada vez que isso acontece, os
peixes aparecem mortos em quantidades maiores. O mau cheiro e a presença de
urubus são constantes na orla da cidade nesse período. Há uma preocupação
generalizada quanto ao consumo de peixes provenientes do Rio Araguari, e isso têm
impactado profundamente a pesca artesanal nessa região. Os pescadores são os
mais atingidos diretamente, e os efeitos secundários atingem a economia
municipal local e tem provocado muitos questionamentos e preocupações por parte
dos munícipes da região atingida.
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| POROROCA DO AMAPÁ A PERFEIÇÃO DAS ONDAS ATRAI CENTENAS DE TURISTAS ANUALMENTE FOTO BRUNO ALVES. |
A empresa Ferreira Gomes Energia, responsável pela construção da
hidrelétrica, tem sistematicamente alegado que o problema nada tem a ver com a
construção da barragem. Sabe-se que a construção de hidrelétricas afeta o ciclo
de reprodução natural de muitas espécies de peixes, pois na piracema as
espécies costumam subir rio acima para a desova e reprodução. A construção da
barragem atrapalha esse processo natural.
De acordo com Gesiel de Souza em seu artigo publicado no
blogdrgesiel.blogspot.com.
“...... A usina tem recomendação legal para não acionar as turbina
acima do limite permitido, especialmente durante o período de reprodução dos
peixes, no qual cardumes gigantescos sobem o rio para se reproduzirem. Se
isso ocorre, é comum termos o que chamamos tecnicamente de “barotruma”. As
usinas hidrelétricas podem causar diversos impactos ao meio ambiente,
desde aumento do volume d’água antes da barragem, até o
rebaixamento do nível do rio depois da barragem. Dentre tantos impactos
ambientais, um dos mais severos é a mortandade de peixes pela passagem pelas
turbinas (....).
É comum a embolia em peixes provocados pelo turbilhonamento da
água despejada pelas hidrelétricas. A embolia acontece quando o sistema
sanguíneo e pulmonar ficam obstruídos por coágulos decorrentes de bolhas de ar excessivas
no ambiente aquáticos, provocando um processo de asfixia irreversível e fatal
(...).
Um laudo preliminar emitido recentemente pelo Imap (em meados de
agosto) também não detectou a contaminação, mas segundo o diretor técnico do
instituto, o parecer é inconclusivo pelo fato de o Araguari
apresentar grande poder de diluição de água. Pescadores dizem estarem
assustados com a situação. A obra possui Licença de Operação (LO) desde o dia
17 de julho e tem previsão de entrar em funcionamento em janeiro de 2015.
Os pescadores desconfiam
que produtos químicos tenham sido jogados pela hidrelétrica no leito do rio,
mas nada foi confirmado até o presente momento. Há também relatos de
funcionários da empresa que informaram que foi feita uma limpeza (dentro da
hidrelétrica) em agosto com sabão em pó, solução de bateria e outros produtos,
o que poderia ter provocado esse efeito próximo à barragem. Segundo os
moradores das proximidades, as espécies de peixes mais atingidas foram: acari,
filhote e tucunaré.
Outra causa provável seria o rebaixamento do nível do rio, em
decorrência da construção da barragem, o que teria provocado uma variação da
temperatura da água do rio, suficiente para provocar a mortandade de muitas
espécies aquáticas.
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| Usina Cachoeira Caldeirão, no Amapá |
Com referencia a Cachoeira Caldeirão, os primeiros sintomas foi o
alagamento da frente da cidade de Porto Grande esperamos que nada mais ocorra
contra a Natureza que vai cobrar a divida.
Fim do “Hawaii das
Pororocas”.
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| PROCURADO PELOS MAIORES SURFISTAS MUNDIAIS O FENÔMENO ESTÁ AMEAÇADO |
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| VISÃO AÉREA MOSTRA AS VALAS ABERTAS PELOS BÚFALOS. |
O assoreamento da foz do Rio Araguari e o fim da pororoca estão cada vez mais próximos. O fenômeno da pororoca é produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas do Rio Araguari com o Rio Amazonas. Considerada a maior onda em extensão do mundo, hoje só pode ser surfada às margens da Ilha do Maracá e Rio Livramento, no município de Amapá.O Rio Araguari é o maior em volume de água, largura e extensão do Amapá, mas o assoreamento diminuiu tanto a profundidade do rio, que hoje não é mais possível se ver o fenômeno da Pororoca.
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| POROROCA DO AMAPÁ A PERFEIÇÃO DAS ONDAS ATRAI CENTENAS DE TURISTAS ANUALMENTE FOTO BRUNO ALVES. |
A onda do Araguari é considerada o “Hawaii das Pororocas”, diz o
surfista Serginho Laus, um dos maiores especialistas em ondas de rio da
atualidade,. Em 2012, ela assumiu o primeiro lugar do ranking organizado pelo
IPO, seguida pela Silver Dragon, na China, e pela SevenGhosts, ou Bono, na
Indonésia. Mas, graças ao assoreamento provocado pelos rebanhos de búfalos, a
onda começa a perder força e, este ano, caiu para a terceira posição no ranking
do IPO, atrás das ondas da China (1º) e da Indonésia (2º).






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