quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Rio Araguari

Usina Ferreira Gomes
Usina Cachoeira Caldeirão

Usina Coaracy Nunes
 Rio Araguari
Usinas hidrelétricas na Amazônia impactos devastadores




Reinaldo Coelho

MORTANDADE DE PEIXES NO RIO ARAGUARI

O Amapá tem acompanhado recentes e tristes cenas de deslizamentos, soterramentos e enchentes em diversas cidades, além de secas na zona rural e agora no maior centro urbano da América Latina, a cidade de São Paulo. Estes fenômenos naturais têm causado prejuízos materiais e humanos, haja vista o número de mortos em cada ocorrência, e tem origem, na maioria das vezes, na ação do homem sobre o meio ambiente.

Os estados amazônicos tem que colocar a “barba de molho”enquanto temos água para isso. Precisamos nos precaver, pois estamos no liminar das ações do homem contra a natureza amazônica.

O primeiro impacto está acontecendo no Rio Araguari que é o maior rio genuinamente amapaense, pois tem sua nascente na Serra Lombarda, norte do Estado, e atravessa vários Municípios, como as cidades de Porto Grande (cujos primeiros habitantes chegaram por ele), Ferreira Gomes e Cutias do Araguari.



De acordo com o Gesiel de Souza Oliveira, Geógrafo, escritor e especialista em Geografia do Amapá, ele é um rio historicamente vinculado à origem daquele povo. “O Araguari deságua no oceano Atlântico, na fronteira entre os municípios de Amapá e Cutias do Araguari, e formava até pouco tempo ondas gigantescas quedavam origem a pororoca pelo encontro das águas doces do Araguari com as águas salgadas do Oceano Atlântico, ativadas pela força gravitacional da lua sobre a Terra e pela consequente variação das forças da maré. A situação é cada vez mais complexa” alerta.

Esse sinal de alerta teve o Ministério Público Federal que apresentou a Justiça Federal em seis estados da Amazônia um pacote de ações para proteger os recursos hídricos da região, até agora usados sem nenhum planejamento. Na Amazônia, onde está a maior parte da água do país, a Agência Nacional de Águas nunca exigiu o planejamento do uso dos rios e mesmo assim concede outorgas.

Foram feitas ação em Porto Velho, sobre a bacia do rio Madeira, foram ajuizadas ações em Manaus, sobre as bacias do Negro e do Solimões, em Boa Vista, sobre a bacia do rio Branco, em Cuiabá, sobre a bacia dos rios Tapajós e Teles Pires, em Oiapoque e Laranjal do Jari, sobre os rios Jari e Oiapoque, em Redenção, sobre a bacia Araguaia-Tocantins e em Santarém, sobre o rio Trombetas.

A situação descrita pelo MPF não inclui o Rio Araguari que tem duas Hidrelétricas em construção e uma em operação, a de Coaracy Nunes, que desde o inicio de seu funcionamento, mudou o histórico do Araguari, trazendo na época de verão uma grande seca que prejudica os ribeirinhos e muitas vezes racionamento de energia elétrica.
São enchentes, mortandade de cardumes de espécies variadas e assoreamento do rio, acabando com as Pororocas e o volume d’água.



Os primeiros sinais

As Usinas de Ferreira Gomes e de Caldeirão em Porto Grande que estão em construção e já mostram aos moradores de seu entorno os impactos iniciais dessas obras na trajetória do Araguari.
 
O Imap foi avisado sobre o problema e mandou pesquisadores para colher amostras no local para análises que expliquem o motivo da morte dos peixes.
Começamos com a Usina Hidrelétrica de Ferreira Gomes, sediada no município da mesma denominação e no inicio de agosto começaram a surgir peixes mortos nas margens do Rio Araguari e próximo as obras de usina. O geógrafo Gesiel de Souza que esse detalhe ajuda a dar uma dica sobre as reais motivações, “apesar de não podermos ainda atribuir a culpa exclusivamente a nenhum causador, pois os laudos definitivos ainda não foram concluídos”.
 A mortandade já foi alvo de protestos contra a empresa executora da obra e alvo de investigação por parte do Instituto de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial (Imap). 
Moradores relatam que  a cada vez que isso acontece, os peixes aparecem mortos em quantidades maiores. O mau cheiro e a presença de urubus são constantes na orla da cidade nesse período. Há uma preocupação generalizada quanto ao consumo de peixes provenientes do Rio Araguari, e isso têm impactado profundamente a pesca artesanal nessa região. Os pescadores são os mais atingidos diretamente, e os efeitos secundários atingem a economia municipal local e tem provocado muitos questionamentos e preocupações por parte dos munícipes da região atingida. 


POROROCA DO AMAPÁ A PERFEIÇÃO DAS ONDAS ATRAI CENTENAS DE TURISTAS ANUALMENTE FOTO BRUNO ALVES.

A empresa Ferreira Gomes Energia, responsável pela construção da hidrelétrica, tem sistematicamente alegado que o problema nada tem a ver com a construção da barragem. Sabe-se que a construção de hidrelétricas afeta o ciclo de reprodução natural de muitas espécies de peixes, pois na piracema as espécies costumam subir rio acima para a desova e reprodução. A construção da barragem atrapalha esse processo natural.

De acordo com Gesiel de Souza em seu artigo publicado no blogdrgesiel.blogspot.com. 

“...... A usina tem recomendação legal para não acionar as turbina acima do limite permitido, especialmente durante o período de reprodução dos peixes, no qual cardumes gigantescos sobem o rio para se reproduzirem.  Se isso ocorre, é comum termos o que chamamos tecnicamente de “barotruma”. As usinas hidrelétricas podem causar diversos  impactos ao meio ambiente,  desde aumento do volume d’água antes da barragem, até  o rebaixamento do nível do rio depois da barragem. Dentre tantos impactos ambientais, um dos mais severos é a mortandade de peixes pela passagem pelas turbinas (....).
É comum a embolia em peixes provocados pelo turbilhonamento da água despejada pelas hidrelétricas. A embolia acontece quando o sistema sanguíneo e pulmonar ficam obstruídos por coágulos decorrentes de bolhas de ar excessivas no ambiente aquáticos, provocando um processo de asfixia irreversível e fatal (...).

Um laudo preliminar emitido recentemente pelo Imap (em meados de agosto) também não detectou a contaminação, mas segundo o diretor técnico do instituto, o parecer é inconclusivo pelo fato de o Araguari apresentar grande poder de diluição de água. Pescadores dizem estarem assustados com a situação. A obra possui Licença de Operação (LO) desde o dia 17 de julho e tem previsão de entrar em funcionamento em janeiro de 2015.

 Os pescadores desconfiam que produtos químicos tenham sido jogados pela hidrelétrica no leito do rio, mas nada foi confirmado até o presente momento. Há também relatos de funcionários da empresa que informaram que foi feita uma limpeza (dentro da hidrelétrica) em agosto com sabão em pó, solução de bateria e outros produtos, o que poderia ter provocado esse efeito próximo à barragem. Segundo os moradores das proximidades, as espécies de peixes mais atingidas foram: acari, filhote e tucunaré.

Outra causa provável seria o rebaixamento do nível do rio, em decorrência da construção da barragem, o que teria provocado uma variação da temperatura da água do rio, suficiente para provocar a mortandade de muitas espécies aquáticas.
Usina  Cachoeira Caldeirão, no Amapá

Com referencia a Cachoeira Caldeirão, os primeiros sintomas foi o alagamento da frente da cidade de Porto Grande esperamos que nada mais ocorra contra a Natureza que vai cobrar a divida.



Fim do “Hawaii das Pororocas”. 


PROCURADO PELOS MAIORES SURFISTAS MUNDIAIS O FENÔMENO ESTÁ AMEAÇADO


O Rio Araguari, que outrora impressionava com o seu majestoso fenômeno conhecido como pororoca, hoje sofre com uma possibilidade de extinção. Pontos negativos que contribuem para que o rio tenha uma redução drástica no volume de água. E com a seca surge outro entrave: a morte de peixes em larga escala, prejudicando aqueles que vivem do pescado e utilizam o rio em demasia.
VISÃO AÉREA MOSTRA AS VALAS ABERTAS PELOS BÚFALOS. 

O assoreamento da foz do Rio Araguari e o fim da pororoca estão cada vez mais próximos. O fenômeno da pororoca é produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas do Rio Araguari com o Rio Amazonas. Considerada a maior onda em extensão do mundo, hoje só pode ser surfada às margens da Ilha do Maracá e Rio Livramento, no município de Amapá.O Rio Araguari é o maior em volume de água, largura e extensão do Amapá, mas o assoreamento diminuiu tanto a profundidade do rio, que hoje não é mais possível se ver o fenômeno da Pororoca.
 
POROROCA DO AMAPÁ A PERFEIÇÃO DAS ONDAS ATRAI CENTENAS DE TURISTAS ANUALMENTE FOTO BRUNO ALVES.



A onda do Araguari é considerada o “Hawaii das Pororocas”, diz o surfista Serginho Laus, um dos maiores especialistas em ondas de rio da atualidade,. Em 2012, ela assumiu o primeiro lugar do ranking organizado pelo IPO, seguida pela Silver Dragon, na China, e pela SevenGhosts, ou Bono, na Indonésia. Mas, graças ao assoreamento provocado pelos rebanhos de búfalos, a onda começa a perder força e, este ano, caiu para a terceira posição no ranking do IPO, atrás das ondas da China (1º) e da Indonésia (2º).

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