TRISTE
REALIDADE
CRESCE
DE MANEIRA ASSUSTADORA O NÚMERO DE MORADORES DE RUA EM MACAPÁ
Kerllyo
Barbosa
Historicamente
as sociedades dos grandes centros urbanos não conseguem sanar seus problemas em
sua totalidade, por mais desenvolvida que ela seja. As mazelas são inevitáveis.
O progresso expõe as limitações e o descompasso do homem moderno. Uma realidade
que os macapaenses até então só viam pela TV, chega a nossa capital. E de forma
silenciosa pessoas foram tomando conta de espaços públicos como moradia
permanente. Mazelas características de metrópoles como São Paulo e Rio de
Janeiro agora podem ser flagradas bem aqui pertinho, na orla da cidade, em
algumas feiras de produtores rurais, e em outros locais ainda não detectados pelo
poder público. Nesse contexto, o importante mesmo não é apontar culpados, é assumir
responsabilidades.
Vista
Grossa
A
capital amapaense não para de crescer, seja de maneira horizontal ou vertical.
Junto com esse crescimento a população também aumenta obviamente. O que não
acompanha esse desenvolvimento são as políticas públicas e a infraestrutura
para suportar essas demandas. Mendigos e viciados em drogas e álcool ocupam cartões postais de Macapá, é só dar um
passeio na orla da cidade que logo se vê pessoas ocupando pontos estratégicos
onde a chuva ou o sol não alcançam. Fazer turismo nesses locais certamente não
é possível. A Prefeitura parece fazer vista grossa para esse problema.
Problema, diga-se de passagem, que não é de hoje. Mas nas propagandas está tudo
em ordem, e isso é o que importa. Aparência. Apenas aparência.
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| Policial flaga morador de rua em burraco sob o Trapiche Eliezer Levy, usado como residência e depósito de roubos que praticavam na orla |
Um
exemplo da situação que esta crescendo em Macapá foi a descoberta pela Policia
Militar de uma espécie de gruta, debaixo do Trapiche Eliezer Levy, em pleno
Complexo Beira-Rio, que servia de albergue para verdadeiros zumbis das drogas.
Eles passavam o dia dormindo, se drogando, e a noite realizam pequenos furtos
para financiar o vício. Após a Policia
Militar selar o local, por conta própria, pois a prefeitura não se manifestou
através da secretaria municipal de Mobilização Social e Trabalho (Semat), O
abrigo que ficava debaixo de uma sorveteria e existe há muito tempo. Na
verdade, as autoridades sabiam que ali moram viciados e ladrões, mas ninguém
até hoje fez nada para lacrar o lugar.
Hoje
esses elementos se encontram na área poliesportiva, abandonada pela prefeitura,
e passaram a utilizar a área embaixo da arquibancada e continuam praticando
roubos para manterem seus vícios. O local já foi motivo de diversas reportagens
para que seja revitalizado e que a Guarda Municipal ocupe o local, levando
segurança aos que praticavam suas caminhadas no local, agora impossível de
acontecer.
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| Cerca de 10 pessoas sem teto moram embaixo da arquibancada do campinho da Zagury, na orla de Macapá |
Esses
jovens precisam ter a oportunidade de se desintoxicar, de sair da agonia
permanente gerado pelo consumo constante de drogas. A maioria já perdeu o
controle sobre as próprias vontades, a noção do certo e o errado, e a certeza
de que é possível vencer, apesar das adversidades.
Causas - Conflitos
familiares, desemprego e fracasso escolar estão entre as causas que levam as
pessoas a morar ao relento.
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É
dever do Estado garantir moradia digna a todos os cidadãos, isso é assegurado
inclusive na Constituição Federal. Mas seria gasto desnecessário enumerar tudo
que a Constituição nos garante e que fica apenas na teoria. A falta de um
planejamento habitacional aliado ao crescimento desordenado da capital, sem
dúvida, é um dos principais motivos para o surgimento de pessoas desprovidas de
um teto sob suas cabeças. Outras possibilidades podem estar relacionadas às
drogas, muitos dependentes químicos ou alcóolicos não conseguem mais conviver
em família, que muitas vezes o rejeita, dessa forma, sem saída, essa pessoa
acaba por ganhar as ruas. No caso de Macapá, a ineficiência das políticas
públicas em relação aos projetos habitacionais podem ser uma das principais
causas do frequente aparecimento de moradores de rua. Problema esse que não
parece ter previsão de solução. O que se vê são apenas soluções paliativas,
pois nem mesmo os conjuntos habitacionais dão conta de abranger essas pessoas
em vulnerabilidade social e que não têm nem um lar digno.
Políticas pública
Ainda em 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva
assinou um decreto que criou a Política Nacional para População de Rua. Uma das
metas era implantar centros nacionais de referência em direitos humanos para
cuidar dos moradores de rua. Além disso, deveriam ser desenvolvidas ações nas
áreas de educação, saúde, moradia e qualificação profissional. Entretanto, o
decreto não saiu do papel. O que se percebe são pequenas ações de assistencialismo.
Uma ação mais efetiva e comprometida entre os governos federal, estadual e municipal.
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| Moradores de rua ocupam o estádio em Santana |
Na cidade de Macapá as políticas públicas direcionadas às
pessoas que precisam de uma casa própria não são diferentes de muitos lugares
do resto do Brasil. São medidas assistencialistas e não resolvem. Um exemplo
muito claro é o aluguel social oferecido pela Prefeitura de Macapá às famílias
que necessitam desse recurso. Segundo o site oficial da Prefeitura de Macapá o
aluguel social é um benefício eventual, acompanhe abaixo a explicação da PMM.
“O Aluguel Social é um benefício
eventual, no valor de R$ 350,00, de uma prestação temporária e não contributiva
de assistência social e habitacional para reduzir a vulnerabilidade provocada
por incêndio acidental, enchentes, deslizamentos de encosta com perda total
e/ou parcial dos bens materiais, demolidas em decorrência da expansão urbana,
ou para pessoas que estejam momentaneamente desempregadas, mediante
comprovação, através de parecer social expedido por equipe técnica da Semast.”
Fica
explícito, nesse sentido, que não há qualquer referência aos moradores de rua,
a não ser que esses sofram com os acidentes citados no site da Prefeitura. Não
um olhar a longo prazo para os problemas das famílias que não possuem um lar,
ou mesmo aos dependentes químicos e alcóolicos que vagam sem rumo na cidade de
Macapá.
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| Doente mental mora na rua de Macapá |
Prostituição
Existe
ainda em Macapá vários pontos de prostituição, revelando outra faceta
preocupante de nossa capital. Mulheres, muitas delas menores de idade se
prostituem por acreditarem não ter outro caminho para seu sustento. Algumas
ações são feitas na direção desse público, que tratam de prevenção a doenças
sexualmente transmissíveis. No entanto, são medidas paliativas, não solucionam
o problema de maneira definitiva. Alguns pontos já mapeados são os da
Claudomiro de Moraes, bairro Buritizal. Orla da cidade, bairro Central. Avenida
FAB, também bairro Central. E em alguns outros locais, pois novos pontos de
prostituição surgem a cada ano.
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| Um dos pontos já mapeados é o da Claudomiro de Moraes, bairro buritizal |
O articulista da Revista Veja discorre sobre
esse “trabalho” exercidos por milhares de mulheres brasileiras, para ele “A
prostituição é um desses temas que embatucam a cabeça dos politicamente
corretos. A primeira inclinação é ver a prostituta como vítima. Mas isso também
pode soar como demonização do sexo, o que convém evitar nestes tempos de
vale-tudo (e não aquele do Tim Maia, que era muito conservador…). Por outro
lado, admitir que é uma simples escolha retira da personagem certo ar, sei lá,
de resistência heroica. Então se chega a esta estranha expressão: “prostitui-se
para sustentar a família”.
Segundo o IBGE, 48,8% da prostituição no Brasil é motivada pelo uso de
drogas. Na região Norte, 49% das mulheres que vendem seus corpos, fazem isso em
troca de drogas. Porto Velho (RO) e Manaus (AM) são as cidades com maiores
índices de prostituição na região. O Acre e o Pará são os estados com maior
proporção de prostitutas de acordo com a população regional. 35% dos programas
são feitos em troca de entorpecentes. De acordo com um levantamento da
Associação das Mulheres Profissionais do Sexo no Amapá, atualmente, existem 2.500
prostitutas cadastradas no Estado. Porém, acredita-se ser muito maior esse
número, pois, esses números foram colhidos em 2001 – ano de criação da
entidade. Hoje em cada ponto mapeado é visível o aumento diário da quantidade
profissionais do sexo.
Na capital, o
lugar preferido para a prática dessa atividade são as esquinas, como, por
exemplo, a da Avenida Raimundo Álvares da Costa com a Rua Odilardo Silva;
Avenida 13 de Setembro com Rua Claudomiro de Morais, entre outras. Além de
bares tradicionais conhecidos do ramo, como o Bar da Loura, Jambeirinho, Casa
das Primas etc. Já em Santana, os pontos de encontro são na área portuária, e
em praças movimentadas da cidade.
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