Artigo
No Brasil falta competência, compromisso ou o que?
Essa pergunta não é
despropositada, não. É, na realidade, uma inquietação. Mas no fundo no fundo
sabemos qual é o nosso problema. Apesar dessa certeza ficamos torcendo e,
torcendo muito, para que essa realidade latente seja apenas mais um equívoco
nesse Brasil de obviedades.
Poderia me escorar nos números do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE e concluir o óbvio: falta
para nós espírito republicano, com uma overdose de falta de patriotismo e um ‘tantão’
assim de falta de vergonha na cara.
A população Nem Nem (jovens na
faixa etária de 15 a 29 que nem estuda e nem trabalha) seria um indicativo mais
do que seguro para que nossas autoridades (legislativo e executivo) percebessem
que algo está errado nas políticas públicas dispostas nos Planos Plurianual
concernente ao atendimento dessa massa de jovens que acabam servindo de estoque
para o crime. Mão de obra fácil e barata.
Ora senhores e senhoras enquanto
o Brasil continuar mais preocupado em criar sugestivas nomenclaturas para
programas educacionais como o que hoje está em voga “Brasil, pátria educadora”,
mas contraditoriamente as ações práticas são tímidas, anêmicas e disforme,
vamos continuar assistindo um divórcio entre discurso e práticas.
Como podemos ter uma pátria educadora se os
índices da educação nacional são comparados com as dos piores países do mundo.
Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial (WEF sigla em inglês) numa pesquisa
envolvendo 122 países o Brasil ficou na desonrosa 88ª colocação, mais próximo
dos fona dos que dos primeiros lugares.
Na América do Sul também apresentamos resultados pífios, quando
comparados com Países como Chile, Argentina e Uruguai. Na realidade a educação
no Brasil é secundarizada e percebe-se quando vemos o esforço que faz o governo
federal em tentar privatizar a “ilha de excelência” da educacional nacional que
são as Universidades Públicas.
Esse número não tem reflexo
apenas na educação. Um País com um alto índice de criminalidade envolvendo nos
jovens, menores, principalmente. As populações carcerárias estão aí para provar
isso. A violência é o principal fator que puxa o Brasil para baixo o desempenho
do Brasil em qualidade de vida de acordo com dados do índice de Progresso
Social (IPS). Segundo o Índice dos 132 países analisados pelo documento o
Brasil ficou na 122ª posição no ranking de segurança social.
Esse realidade nacional possui
recortes de excelência em alguns estados do Sul e Centro Oeste e cidades do
interior do sudeste, mas no contexto geral o Brasil é um fiasco na prestação de
serviço público. Os três mais importantes, segurança, saúde e educação não
somos exemplos para ninguém. Dentro desse contexto geral o Amapá, estado pobre
financeiramente, embora rico potencialmente, é sem dúvida um dos piores estado
do Brasil em todos os aspectos.
Discute-se o Plano Plurianual num
estado estrangulado do ponto de vista da economia. Somos um dos piores estados
do Brasil quando o assunto é emprego formal, temos a maior taxa de NEM NEM do
Brasil, vivemos dependente das transferências institucionais, um Estado
eminente importador de produtos e exportador de dinheiro. A criminalidade choca
no Amapá, o tráfico de drogas outro problema grave e nossa saúde e educação
estão na UTI.
Quem sabe a solução para esses
problemas? O povo, mas infelizmente o sistema eleitoral brasileiro, por vias
transversas devolve a elite nacional o controle da República, não mais com o
mandonismo inerente as oligarquias Nordestinas, aos barões do café e do leite,
porém essas elites empreenderam um ataque fulminante para a dominação através
do sucateamento da máquina pública e a privatização ampla, geral e irrestrita do
serviço público. Hoje a educação boa é a particular, a saúde eficiente é a
particular, a telefonia foi privatizada, o setor elétrico também, e a
terceirização é a complementariedade desse processo que iniciou na reforma
administrativa, iniciada pelo Fernando Henrique Cardozo.
Finalizo esse desabafo com a
palavra do ministro Mangabeira Unger. Precisamos de um Amapá rebelado num
Brasil rebelado. Se não...daqui é pra pior.
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