UMA BREVE AVALIAÇÃO DA SAÚDE
LOCAL E NACIONAL
Jarbas Ataíde
Muitos não acreditam. Outros criticam. Outros se omitem até de dar opinião. As entidades de classes da saúde fazem suas reivindicações e movimentos. A classe política de oposição faz uma avaliação pessimista da situação do pouco investimento nos setores básicos da população, esquecendo de fazer autocrítica de seus erros quando estavam no poder. Na avaliação local e nacional dos setores básicos, em particular na área da saúde, estamos passando por um momento de incertezas e desafios cuja resolução depende de planejamento, gestão e investimento bem aplicado e bem direcionado por parte do governo.
Mas
todos sabem que “sem investimento não há desenvolvimento na saúde”, como foi
analisado em artigo anterior. No setor da saúde os avanços conquistados com a
execução do SUS, ao longo de 25 anos, estacionaram e outros retrocederam.
Algumas ações governamentais, ditas “estratégicas”, não passaram de medidas
imediatistas e intempestivas que pouco impactaram efetivamente na saúde da
população.
A
nível nacional a presidente Dilma evita aparecer na mídia devido o desgaste e
desaprovação de seu governo (menos de 8%). Quem aparece para fazer isso, num
lampejo de desespero, é o Vice-Presidente Temer (PMDB), que busca mediar a
crise politico-institucional, e, num discurso de conciliação, tenta chamar os
políticos aliados do governo, a Câmara e o Senado, para um pacto político emergencial
do país. Nessa mesma postura de apelo, o Ministro da Saúde, Arthur Chioro,
lança programa de escuta popular, chamado “Dialoga Brasil/Saúde”, pedindo
opinião na mídia (internet) sobre assuntos relativos a saúde, numa clara “mea
culpa” sobre a distancia com a opinião publica e buscando melhorar a aprovação
das atuais medidas governamentais.
Houve
também comemoração de 2 anos do programa “Mais Médicos”, única novidade na área
da saúde federal, mas que quase nada interferiu na satisfação geral da
população em relação aos atendimentos primários de saúde. O governo federal
contingenciou verbas da área e fez cortes substanciais nos investimentos
federais da atenção básica, interferindo e permanecendo a crise de falta de
infraestrutura e de política de fixação de servidores de saúde e principalmente
Médicos nos municípios menores. A estratégia de substituir médicos nacionais
por intercambistas estrangeiros não funcionou.
Em
reunião de trabalho, no mês de junho, entre a gestão da SESA, Assessores do MS
e setores de emergência e urgência, o Secretário de Planejamento do GEA foi
enfático ao afirmar “que as contas da SESA estão em processo de auditoria e sem
recursos financeiros para investimento na saúde e nos setores críticos”. Foi um
balde de água fria nos servidores presentes, que esperavam ouvir propostas, medidas
e projetos de investimento e melhoria da situação vivida pela saúde publica no
Estado do Amapá.
Ao
contrário da mandatária nacional, que foge da exposição pública e das
afirmações do Secretario de Planejamento, o Governador do Amapá, Waldez Góes
(PDT), na última terça-feira (04.08), chamou a imprensa e junto com assessores
e secretários lançou um “Plano de Obras para o Amapá”, com promessa de investimento
em obras de infraestrutura, inclusive construção, ampliação e reforma de
unidades hospitalares. Isto é uma “luz no fundo do poço”, diante da escuridão e
da situação “de guerra” em que se encontram as unidades hospitalares amapaenses,
como disseram o SINDMED-AP, o Ministério da Saúde, o Conselho Federal de
Medicina e o Ministério Público (Comissão de Saúde), após visitas de inspeção
recentes em unidades de saúde.
Frente
a essa situação de poucos recursos houve a liberação ao Amapá, no mês de julho,
pelo BNDS, de R$ 129, 059 milhões, o que poderá ajudar a dar continuidade e
alavancar as obras importantes paralisadas. O incentivo da construção civil e
os investimentos previstos, “vai interferir e movimentar a economia local e
buscar superar a crise nacional”, disse Waldez Góes. Mas sabemos que esse valor
e os juros, em longo prazo, deverão ser pagos pela população nos próximos 30
anos, cuja sociedade espera que a aplicação seja em obras realmente necessárias
e nos setores mais críticos.
Outro
fato que marcou o início da atual gestão foi o envio da solicitação ao
Ministério da Saúde (MS) de declaração de Emergência em Saúde Publica de
Importância Nacional- ESPIN, através de ofº nº 122/GOV, cujo Decreto Estadual
nº 0387, de 20.01.2015, declara situação de emergência no âmbito da saúde
pública do Amapá. Acontece que apesar da decretação estadual, a análise e
vistoria de inspeção feita nas unidades do Estado e Prefeitura pela SVS/MS e
outras instituições estaduais e municipais concluíram em não acatar o pedido de
emergência federal. No Relatório de Visita Técnica do MS, de 6 a 10.04.15, são
enumerados vários itens que há anos deveriam ser resolvidos, pois estão
constantes na Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080/1990). Entre eles citamos: Garantia
de acesso dos usuários em todas as unidades de saúde, com acolhimento da
demanda espontânea; implantar a classificação de risco nas unidades; fomentar a
criação de protocolos, fluxos e linhas de cuidado; organizar e fomentar a
informação de dados sanitários e implantar tecnologias de informação; adequar o
quantitativo de profissionais para o atendimento qualitativo dos usuários do
SUS, na assistência e na organização administrativa; organizar e planejar
adequação da infraestrutura predial, parque tecnológico e insumos necessários;
implantar a regulação no estado do Amapá; inserir os servidores nas discussões
de reorganização física e de processos de trabalho nos hospitais. Na conclusão
o relatório emite o parecer de que “neste momento o colapso assistencial
observado no estado do Amapá, decorre de desorganização da gestão e seus
processos de trabalho junto aos pontos de assistência. Assim, não restou
configurada a desassistência que estaria embasando uma possível declaração de
ESPIN”, ou melhor, o MS negou a decretação federal do estado de emergência na
saúde no Amapá, por falta de embasamento legal e convincente nas alegações.
Entre
as falhas de gestão do relatório, acima descritas, consta a falta de
investimento na infraestrutura, insumos e equipamentos, que está defasada e
sucateada; desorganização interna dos serviços e dos processos; inadequação do
número de servidores da assistência e administrativos em relação à carga e
complexidade do trabalho; dificuldade do acesso dos usuários aos diversos
serviços; exclusão dos servidores no processo de organização e
operacionalização dos serviços.
Mas
a população amapaense espera que os dirigentes, a classe política, as
instituições públicas, os empresários e os gestores se entendam e encontrem
caminhos para sair da situação de marasmo e trapalhada político-administrativa
que estamos passando a nível nacional e local e tomem decisões acertadas que
respondam aos reclamos da população.

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