Buscando o certo!
Esses tempos de crise, mazelas sociais,
inconformidades políticas e caos administrativo, nos faz buscar respostas na
inteligência espiritual. O incomparável Hammed, das profundezas da erraticidade,
nos ajuda nessa reflexão, inspirados nas coerentes observações do professor
Azevedo (amapaense) Costa, por vezes, nos corredores da Difusora.
“... Aquele que
semeia saiu a semear; e, enquanto semeava, uma parte da semente caiu ao longo
do caminho...” “... Mas aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que
escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou
sessenta, ou trinta por um”.
Na vida, não existe antecipação nem
adiamento, somente o tempo propício de cada um. A humanidade, em geral, recebe
as sementes do crescimento espiritual a todo o instante. Constantemente, a
“Organização Divina” emite ideias de progresso e desenvolvimento, devendo cada
indivíduo absorver a sementeira de acordo com suas possibilidades e habilidades
existenciais. A Natureza nos presenteia com uma diversidade incontável de
flores, que nos encantam e fascinam. Certamente, não as depreciaríamos apenas
por achar que vários botões já deveriam ter desabrochado dentro de um prazo
determinado por nós, nem as repreenderíamos por suas tonalidades não serem
todas iguais conforme nossa maneira de ver. Nem poderíamos sequer compará-las
com outras flores de diferentes jardins, por estarem ou não mais viçosas.
Deixemos que elas possam germinar, crescer e florir, segundo sua natureza e seu
próprio ritmo espontâneo. Isso será sempre mais óbvio. Parece racional que
ofereçamos a quem amamos o mesmo consentimento, porque cada ser tem seu próprio
“marco individual” nas estradas da vida, e não nos é permitido violentar sua
maneira de entender, comparando-o com outros, ou forçando-o com nossa
impaciência para que “cresçam” e “evoluam”, como nós acharíamos que deveria
ser. Cada um de nós possui diferenças exteriores, tanto no aspecto físico como
na forma de se vestir, de sorrir, de falar, de olhar ou de se expressar. Por
que então haveríamos de florescer “a toque de caixa”? Nossa ansiedade não faz
com que as árvores deem frutos instantâneos, nem faz com que as roseiras
floresçam mais céleres. Respeitemos, pois, as possibilidades e as limitações de
cada indivíduo. Jesus, por compreender a imensa multiformidade evolucional dos
homens, exemplificou nessa parábola a “dissemelhança” das criaturas,
comparando-as aos diversos terrenos nos quais as sementes da Vida foram
semeadas. As que caíram ao longo do caminho, e os pássaros as comeram,
representam as pessoas de mentalidade bloqueada e restringida, que recusam
todas as possibilidades de conhecimento que as conteste, ou mesmo, qualquer
forma que venha modificar sua vida ou interferir em seus horizontes
existenciais. São seres de compreensão e aceitação diminuta ou quase nula. São
comparáveis aos atalhos endurecidos e macerados pela ação do tempo. Outras
sementes caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra, mas logo
brotaram. Ao surgir o sol, queimaram-se porque a terra era escassa e suas
raízes não eram suficientemente profundas. Foram logo ressecadas porque não
suportaram o ‘calor da prova’; e, por serem qualificadas como pessoas de
convicção ‘flutuante’, torraram rapidamente seus projetos e intenções. Nossas
bases psicológicas foram recolhidas nas experiências do ontem. São raízes do
passado que nos dão manutenção no presente para ir adiante, nos processos de iluminação
interior. Quando os ‘caules’ não são suficientemente profundos e vetustos, há
bloqueios tanto em nossa consciência intelectual como na emocional. Um
mecanismo opera de forma a assimilar somente o que se pode digerir daquela
informação ou ensinamento recebido. Assim, a disponibilidade de perceber a
realidade das coisas funciona nas bases do ‘potencial’ e da ‘viabilidade
evolutiva’ e, portanto, impor às pessoas que ‘sejam sensíveis’ ou que
‘progridam’, além de desrespeito à individualidade, é fator perigoso e
destrutivo para exterminar qualquer tipo de relacionamento. Os espinheiros que,
ao crescer, abafaram as sementes representam as ‘ideias sociais’ que
impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos, pois, no tempo do Mestre, as
leis do ‘Torah’ asfixiavam e regulamentavam não somente a vida privada, mas
também a pública. Os indivíduos que não pensam por si mesmos acabam caindo nos
domínios das ‘normas e regras’, sem poder erguer em demasia a sua mente,
restrita pelas ideias vigentes, o que os sentencia a viver numa ‘frustração
grupal’, visto que seu grau de raciocínio não pode ultrapassar os níveis
permitidos pela comunidade. Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os
‘espinhos da opressão’ na pessoa daqueles que observavam com rigor rituais e
determinações das leis, em detrimento da pureza interior. Dessa forma, Ele
desqualificou todo espírito de casta entre as criaturas de sua época. As demais
sementes, no entanto, caíram em boa terra e deram frutos abundantes. O que é um
‘solo fértil’? Nossos patrimônios de entendimento, de compreensão e de
discernimento não ocorrem por acaso, porquanto nenhum aprendizado nos envolverá
profundamente se não estivermos dotados de competência e habilidades
propiciadoras. A boa absorção ou abertura de consciência acontece somente no
momento em que não nos prendemos na forma. Aprofundarmo-nos no conteúdo real
quer dizer: “Quem não quebra a noz, só
lhe vê a casca”. Mas para “quebrar a noz e preciso senso e noção, base e
atributos que requerem tempo para se desenvolverem convenientemente. A
consciência da criatura, para que seja receptiva, precisa estar munida de ‘despertamento
natural’ e ‘amadurecimento psicológico’. Reforçando a ideia, examinemos o texto
do apóstolo Marcos, onde encontramos: “porque
a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, e por último
o grão cheio na espiga”. (1) O Mestre aceitava plenamente a diversidade
humana. Ele se opunha a todo e qualquer ‘nivelamento psicológico’ e, portanto,
lançou a Parábola do Semeador, a fim de que entendêssemos que o melhor apoio
que prestaríamos a nossos companheiros de jornada seria simplesmente esperar em
silêncio e com paciência.
Portanto, compreendamos que a nós, somente,
compete ‘semear’; sem esquecer, porém, que o crescimento e a fartura na
colheita dependem da ‘chuva da determinação humana’ e do ‘solo generoso’ da
psique do ser, onde houve a semeadura.

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