Mentira!
Mentira!
Ferreira Gomes Energia,
queremos a verdade!
Reinaldo
Coelho
A construção de hidrelétricas e, consequentemente,
suas barragens e lagos, causam diversos impactos sociais e ambientais extremamente
negativos. As populações são atingidas direta e concretamente através do
alagamento de suas propriedades, casas, áreas produtivas e até cidades. Existem
também os impactos indiretos como a perda de laços comunitários, separação de
comunidades e famílias, destruição de igrejas, capelas e inundação de locais
sagrados para comunidades indígenas e tradicionais.
Na área ambiental o principal impacto costuma ser o
alagamento de importantes áreas florestais e o desaparecimento do habitat dos
animais. Muitas vezes a hidrelétrica é construída em áreas onde se concentram
os últimos remanescentes florestais da região, desmatando e inundando espécies já
ameaçadas de extinção.
De acordo com o geógrafo e professor universitário
da USP, Aziz Nacib Ab'Saber, (falecido em 2012) deve-se considerar “que quando se barra um rio, este deixa de ter o seu curso normal, há
um acréscimo de água em um determinado setor (o lago) e cria-se uma
estratificação térmica. Em regiões tropicais, como a Amazônia, a mega fitomassa
aumenta em grande quantidade o número de nutrientes em decomposição, alterando
os níveis de oxigênio em contato com a complexa estratificação térmica criada;
acrescenta-se a isso que as chamadas classes produtoras veem na natureza apenas
os recursos que interessam ao tipo de atividade a que se dedicam”. (citação que
fez em 2009)
A construção de hidrelétricas e, consequentemente
suas barragens e lagos, causam diversos impactos sociais e ambientais extremamente
negativos. As populações são atingidas diretamente através do alagamento de
suas propriedades, casas, áreas produtivas e até cidades. Existem também os
impactos indiretos como a perda de laços comunitários, separação de comunidades
e famílias, destruição de igrejas, capelas e inundação de locais sagrados para
comunidades indígenas e tradicionais.
Na área ambiental o principal impacto costuma ser o
alagamento de importantes áreas florestais e o desaparecimento do habitat dos
animais. Muitas vezes a hidrelétrica é construída em áreas onde se concentram os
últimos remanescentes florestais da região, desmatando e inundando espécies já ameaçadas
de extinção.
No Amapá o impacto já é visível
Mesmo quando os Estudos de Impacto Ambiental são
realizados de forma correta, apontando os verdadeiros impactos gerados por uma
hidrelétrica, na maioria das vezes as ações de mitigação desses impactos não
chegam a compensar de fato os efeitos negativos por interessarem diretamente
aos investidores. Além disso, cada rio tem características únicas, espécies da
fauna e flora próprias, vazões e ciclos particulares. Cada rio tem também
diferentes populações morando em seu entorno, com realidades econômicas e
sociais diferenciadas.
Hoje o que se sabe comumente é que o Amapá, um Estado
nortista à margem da mídia nacional e terra de intenso fluxo migratório, sempre
teve uma carência energética acentuada. Se acontece um período de estiagem
maior, já se fala em racionamento e apagões. A perspectiva é que isso deveria
terminar com as obras das usinas de Ferreira Gomes e de Santo Antônio. Há
também outros projetos, como a PCH Capivara (Oiapoque) e Caldeirão (Porto
Grande) em andamento.
Acidente ambiental
Já é a terceira ocorrência de mortandade de peixes
no entorno de obras de hidrelétricas no Amapá. A primeira situação aconteceu em
agosto de 2014, quando milhares de espécies foram encontradas mortas no Rio
Araguari, em Ferreira Gomes, a 137 quilômetros de Macapá. Na época, a empresa
Ferreira Gomes Energia foi multada em R$ 20 milhões pelo acidente ambiental e
em um ano a tragédia se repete em Laranjal do Jari (UHE de Santo Antônio) e em
Ferreira Gomes com maior densidade, pois foram toneladas de morticínio de
peixes. Além do que, as obras da Usina Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão em 2014
contribuíram com uma enchente que desalojou centenas de moradores deixando-os
desabrigados no município de Ferreira Gomes.
A segunda foi em fim de junho na UHE de Santo Antônio,
na Zona Sul do Estado, na fronteira com o Pará e a terceira se repete, agora, no
Rio Araguari, em Ferreira Gomes, fruto dos descuidados ambientais gerados pela Ferreira
Gomes Energia.
Ferreira Gomes sofreu uma traumática enchente em
todo o município, por culpa da Usina Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão que em
2014, sem aviso prévio, abriu suas comportas, causando mais um desastre
ecológico que deixou milhares de desabrigados, além do prejuízo de agricultores
e pecuaristas.
As Falsas Justificativas
A Empresa Cachoeira Energia, concessionária da
Usina Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, emitiu nota na ocasião informando que “devido à cheia do rio Araguari, realizou a
abertura controlada na ensecadeira da 2ª fase para permitir a passagem das
águas do rio, e garantir a segurança das estruturas e comunidades ribeirinhas,
não provocando danos às pessoas, equipamentos e ao meio ambiente”. Pura
mentira, pois a realidade constatada foi bem outra.
Porém a Ferreira Gomes Energia, responsável pela
hidrelétrica de mesmo nome, no rio Araguari, disse que a enchente que atingiu
parte da cidade de Ferreira Gomes foi provocada pela Cachoeira Caldeirão.
Segundo a empresa, um volume de água do rio foi liberado pela Cachoeira
Caldeirão sem que houvesse comunicação às demais hidrelétricas instaladas no
Araguari: a Ferreira Gomes Energia e a Coaracy Nunes. A EDP disse que comunicou
a abertura de uma ensecadeira às empresas.
Na verdade, um jogo de empurra-empurra entre as
concessionárias.
De acordo com a prefeitura do município, mais de
600 pessoas foram atingidas pela cheia. A cidade ficou em situação de
emergência. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado a época, no dia 18
de maio entre os Ministérios Públicos Estadual e Federal e a Empresa de Energia
Cachoeira Caldeirão (EECC), responsável pelas obras da hidrelétrica onde
ocorreu o rompimento da ensecadeira, fixou os valores de R$ 20 mil por família,
no caso de imóveis residenciais, e R$ 35 mil por comerciante, no caso de
imóveis comerciais atingidos pela inundação. Esses valores foram determinados
de forma consensual entre a empresa e a comunidade local, em reunião intermediada
pelo MP-AP e pelo MPF/AP. E para desespero geral a empresa até hoje deve
indenização para um grande número de sinistrados.
O começo de
tudo...
PRIMEIRO
ACIDENTE AMBIENTAL
UHE Ferreira Gomes – município de Ferreira Gomes
Em outubro de 2014 parte da BR-156, em Ferreira
Gomes, foi interditada pelos moradores do município que cobravam do Instituto
de Meio Ambiente do Amapá (IMAP) e da empresa Ferreira Gomes Energia
informações sobre a causa da morte de peixes no rio Araguari, onde estava sendo
construída a hidrelétrica. A comunidade também pedia compensação financeira
pela mortandade.
Em novembro volta acontecer o aparecimento de
peixes mortos no leito do Rio Araguari, em um trecho próximo a construção da hidrelétrica.
Na ocasião os moradores já previam o problema, pois desde quando a hidrelétrica
começou a operar em fase de testes, com a abertura das comportas o estrago
começou a surgir e o morticínio de peixes estaria causando até escassez do
produto no município e prejuízos aos pescadores que dependem da atividade.
A tragédia continua...
SEGUNDO
ACIDENTE AMBIENTAL
UHE Santo Antônio – Município de Laranjal do Jari
Em Julho deste ano o Batalhão Ambiental e o
Instituto de Mapeamento e Ordenamento Territorial do Amapá (IMAP) investigaram
o aparecimento súbito de uma grande quantidade de peixes mortos no Rio Jari, em
comunidades próximas a obra da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Laranjal do
Jari, município distante 295 quilômetros da capital, na divisa com o Estado do
Pará.
Pescadores da região relataram aos analistas
ambientais do IMAP que a mortandade estava reduzindo a oferta de peixe na
região. A maioria das espécies encontradas estava concentrada em uma área do
rio esvaziada pela própria construtora, nas proximidades da barragem principal
da hidrelétrica.
A empresa EDP, responsável pela UHE Santo Antônio
do Jari, informou, na época, que tinha iniciado em 27 de junho uma operação
para o resgate de peixes na área esvaziada. O procedimento é comum todas as
vezes que o rio deixa de correr pelo trecho, e serve para 'salvar' as espécies
que ficam impedidas de seguir até a água.
Mas para a surpresa de todos, a justificativa
imposta pela empresa, segundo a ela própria, responsável pela obra, estaria aprovada
pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA),
responsável pela licença de construção, pelo fato de a obra estar construída em
territórios do Amapá e Pará, o que limita o Instituto de pedir a suspensão ou
licença das obras. Outra grande mentira!
Crimes repetidos...
TERCEIRO
ACIDENTE AMBIENTAL
UHE Ferreira
Gomes – município de Ferreira Gomes
Para não ser diferente e confirmar as previsões dos
ribeirinhas, mais uma vez os espoliados ferreirenses, foram surpreendidos com uma
grande quantidade de peixes mortos às margens do Rio Araguari. A Associação de
Atingidos por Barragens atribui o incidente às atividades da Hidrelétrica de
Ferreira Gomes e afirma que essa foi a maior mortandade de peixes já registrada
na região.
A orla de Ferreira Gomes amanheceu tomada de peixes
de várias espécies, porém, mortos. Aproveitando a situação, famílias mais
pobres apressaram-se em recolher os peixes para comer.
Foi a terceira vez que houve registro de mortandade
de peixes no Araguari, em pouco mais de um ano. A primeira foi registrada em
setembro de 2014.
Nos dois primeiros casos ficou constatado por meio
de exames técnicos que a mortandade foi causada pela liberação violenta de água
da barragem. A Ferreira Gomes Energia foi multada em mais de R$ 20 milhões e
obrigada a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, garantindo a indenização
aos atingidos pelos crimes ambientais.
O que justifica a Ferreira Gomes Energia
A empresa Ferreira Gomes Energia defendeu-se
apontando o acidente como um fenômeno natural que causou a mortandade de várias
espécies e argumenta em nota que a morte de peixes registrada na então sexta-feira
(13), próximo ao empreendimento no rio Araguari, no Amapá, deveu-se pelo
período de reprodução das espécies, também chamado de piracema quando mais de
100 kg de peixes morreu.
A empresa ainda afirmou que o fenômeno provocou a
ida de “uma grande quantidade de peixes
até às proximidades da usina”, em Ferreira Gomes.
“As
primeiras análises sugerem que esta ocorrência específica pode ter relação com
o início do período da piracema que, além da baixa vazão do rio, compreende a
subida de uma grande quantidade de peixes até as proximidades da usina”,
argumentou em nota a empresa.
Foi a primeira vez que a Ferreira Gomes Energia se
manifestou após o aparecimento de peixes mortos às margens do rio Araguari. É o
quarto registro em menos de um ano.
As suspeitas da SEMA
A hipótese levantada pela empresa contraria a
Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), aliás,
contraria a própria comunidade que já não aguenta mais tanta irresponsabilidade.
A suspeita mais coerente é de que manobras irregulares na abertura das
comportas da hidrelétrica tenham elevado o nível de oxigenação da água e
provocado a morte dessa enorme quantidade de peixes.



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