A subnutrição ou fome crônica está relacionada com a pobreza (econômica, material, afetiva), embora exista subnutridos nas classes mais altas, assim como distúrbios relacionados à alimentação (bulimia, anorexia e obesidade). Nas redes sociais o Sociólogo polonês Zigmunt Bauman(89 anos) elogia o Brasil por ter tirado 22 milhões da pobreza, dizendo que “estamos no caminho certo”. Mas será que esses são bem nutridos?
O conteúdo deste artigo sobre “a importância de uma alimentação saudável para um desenvolvimento físico e mental adequados”, foi baseado em artigo da Revista Pediatria Moderna, edição de agosto/2015, que enfoca vários aspectos da alimentação saudável. Consta que Barker (1994) estabeleceu essa hipótese de “condições inadequadas de nutrição no período fetal e a gênese de doenças crônicas no indivíduo quando adulto”.
O período da vida que sofre bastante influencia da alimentação vai da concepção até os dois anos de idade, influenciando no desenvolvimento, crescimento e aprendizado, permitindo “boa saúde ao longo da vida e benefícios sociais e ocupacionais do indivíduo adulto”. A introdução de uma alimentação inadequada, no período citado, tem sido “relacionada com várias doenças na vida adulta, como diabetes tipo 2, alergias, doenças cardiovasculares e imunológicas”.
Portanto, entendemos que tirar alguém da pobreza é dar condições para ter alternativas de alimentação adequada e não apenas oferecer certo valor monetário ou bolsa, como acontece no Brasil com o programa “Bolsa Família”. Existe ainda uma segunda opção que é a merenda escolar, pois a bolsa é vinculada à freqüência escolar e vacinação das crianças nos primeiros anos.
Dessa forma, fica bem claro que a superação da fome e da miséria passa por uma série de programas e estratégias que vão desde o atendimento das gestantes, da efetiva realização do pré-natal e do acompanhamento de crescimento e desenvolvimento da criança tanto pelas UBS, quanto nas primeiras séries escolares.
Na gestação e na lactância as exigências nutricionais e energéticas aumentam, com necessidade de aporte calórico maior e mais saudável. A condição nutricional da mãe vai interferir no desenvolvimento fetal e com riscos na ocasião do parto. Vários nutrientes tomados nessa fase, como óleos contendo ácidos graxos, sais de ferro e ácido fólico, vão interferir na programação metabólica do recém nascido e no desenvolvimento cerebral.
O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e sua continuidade até os dois anos é uma recomendação da OMS e entidades de Pediatria. O leite materno fornece nutrientes, vitaminas e “bífidobactérias e lactobacilos que vão formar a microbiota intestinal permanente do indivíduo”, ajudando na proteção contra doenças de surgimento tardios, como obesidade, déficit de atenção, hiperatividade, hipertensão arterial, dislipidemias e diabetes tipo 2.
A alimentação de transição é aquela que se inicia aos 6 meses até os 2 anos, devendo incluir todos os grupos alimentares, permitindo ao bebe a aquisição de um paladar e facilitando a aceitação dos vários nutrientes nos demais anos. Isso desenvolve tolerância imunológica, entrando em contato com diversas substâncias, o que concorre para a proteção contra doenças alérgicas como asma, doenças atópicas e autoimunes.
Conforme tabela da Sociedade Brasileira de Pediatria o número de porções necessárias de cereais, pães, tubérculos, raízes (3-5), verduras, legumes (3) e frutas (3) é maior que a quantidade de carne e ovos (2) na faixa etária entre 6 meses a 3 anos. Mas a maioria dos nutrientes desses grupos de alimentos (vitaminas e sais minerais) esta presente nas formulas de remédios comerciais, que não possuem a mesma ação do que os alimentos integrais, além de serem caros e inacessíveis à maioria da população. No próximo artigo falaremos do pré-escolar, escolar e adolescente.
JARBAS ATAÍDE, MACAPÁ-AP, 02.11.2015
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