ARRAIÁ DO MEIO DO MUNDO
Começaram os folguedos juninos no Amapá
Reinaldo Coelho
Mês de Junho... Logo vem à mente os folguedos
e festas populares características do mês. Tradição pelo Brasil afora, onde
observamos festejos com suas danças, roupas e comidas típicas. Isso varia um
pouco entre os Estados e Regiões. Lá pelas bandas do Amazonas tem o Boi-Bumbá,
diferente do Bumba-meu-boi do Maranhão. As cirandas no Nordeste e tantas
manifestações de muita expressividade em todos os cantos do país.
Aqui no Amapá temos o maior festival da
quadra junina do Norte do Brasil, Arraiá no Meio do Mundo, que é organizado
pela Federação das Entidades Folclóricas do Amapá (FEFAP), que deu início aos
folguedos juninos amapaense com o concurso que vai eleger os melhores
dançarinos da quadra junina amapaense em três categorias, masculino, feminino e
gay, nos dias 1, 2 e 3 de junho, sendo a novidade deste ano a escolha do Casal
de Noivos. O evento acontece na sede do Trem Desportivo Clube, no Centro de
Macapá. Na ocasião será feito o sorteio da ordem de apresentação dos grupos nos
polos, momento também muito esperado. Grupos de todo o Amapá, desde que
federados, participam da disputa, que iniciam nos cinco polos nos quais são
divididos os municípios.
A presidente da entidade, Daiana Ronieli, calcula
a participação de 100 grupos de todo o Estado, que já passaram pelas etapas
iniciais do calendário, iniciado em novembro, com a visita aos polos,
regularização (ainda em vigor), pré-festivais, e após o ‘Garota FEFAP’ iniciarão
as competições nos polos e as finais do estadual.
A disputa é entre os grupos juninos
tradicionais e estilizados. Dividido em polos, as eliminatórias são realizadas
em cinco municípios, enquanto as finais acontecem em Macapá. As eliminatórias
nos polos serão de 10 à 24 de junho e o concurso estadual será realizado de 29
de junho à 8 de julho.
Os quesitos julgados que definem a colocação
no concurso são Coreografia, Tema, Indumentária, Simpatia e Desembaraço. O
primeiro lugar de cada uma das quatro categorias ganha R$ 1 mil, e o segundo
lugar, R$ 500,00, e as passagens para participar das competições nacionais
realizados pela Confederação Brasileira das Entidades de Quadrilhas Juninas (CONFEBRAQ),
em Fortaleza e Rio de Janeiro.
Apoio e incentivos
É o 10º Arraiá no Meio do Mundo, e a
presidente Daiana avalia que, entre altos e baixos, com a falta de apoio e
patrocínio, a exemplo do ano passado, a quadra junina amapaense conseguiu
sobreviver às crises no setor cultural e garantir o respeito. “Temos o apoio
dos grupos que não desistem e do público. E ainda a parceria do Governo do
Estado, através do secretário de Cultura, Dilson Borges, que está dialogando
com a FEFAP, e do deputado federal Marcos Reátegui, que nos apoia e ajuda a
viabilizar a construção do Quadrilhódromo. Após a visita do presidente da CONFEBRAQ,
Carlos Brito, em abril, brigaremos para a realização do próximo festival
nacional aqui no Amapá”.
Investimentos e retorno
Atualmente a quadra junina no Amapá,
organizada pela FEFAP, o Arraiá no Meio do Mundo, é um dos maiores eventos
culturais do Estado, e mobiliza cerca de 17 mil pessoas de todas as idades,
principalmente jovens e de áreas carentes. O evento, que vai para a 10ª edição,
é realizado em todos os municípios, que são divididos em cinco polos, em duas
categorias – Tradicional e Estilizada –, totalizando 102 grupos. A presidente
Daiana estima que durante o calendário serão movimentados em média R$ 1 milhão
de reais com contratação de mão-de-obra, confecção de indumentárias e adereços,
estrutura, som, iluminação, premiação.
O Arraiá envolve um universo ao seu redor, e
os resultados do apoio podem mudar a vida de muitas pessoas. Os quadrilheiros
trabalham o ano inteiro, e paralelo, estão jovens na maioria próximos da faixa
de risco social, pequenos, médios e grandes empreendedores – do vendedor de
batata frita ao empresário de tecidos, pousadas e hotéis –, e uma grande
máquina de profissionais do entretenimento que são os coreógrafos, maquiadores,
desenhistas, jurados, aderecistas e costureiras, que precisam deste incentivo,
e o Estado ganha com a repercussão nacional atraindo centenas de turistas e
injetando recursos durante o festival junino.



Nenhum comentário:
Postar um comentário