BRASIL: Ame-o ou
Deixe-o?
Por Marco Antônio
Estamos vivenciando
a maior crise pela qual o Brasil jamais havia passado. Entre aturdidos e
revoltados, ficam os trabalhadores. Ou seja, a maioria do Brasil. O povo,
sofredor, que acorda o galo pra cantar, segue para o trabalho para gerar
impostos que beneficiam as outras duas parcelas.
Enquanto isso,
assistimos a um rosário de “salvadores da pátria”, ou, verdadeiros, filhos da
pátria seguirem nos bancos traseiros dos veículos da Polícia Federal, em
direção aos presídios.
Pode-se comemorar?
Afinal, a lei está sendo aplicada, e os corruptos estão sendo presos, graças às
delações premiadas, à degeneração de seus próprios comparsas, que pra sair da
reta, entregam seus colaboradores. É a justiça, então? Claro que não. Todos
negam categoricamente: estão sendo vítimas de uma armação sórdida! E, no que
pese as filmagens de fortunas e malas aos borbotões sendo entregues e
carregadas, ou aos áudios gravados presencialmente por um dos corruptos, a
maioria faz apenas um passeio no xadrez. Saem com a cara de “não disse. Não fui
eu!” E seguem para a mídia se dizendo a pessoa mais nobre do planeta. Voltam
para os seus cargos, recebendo seus hipersálarios e seguem em direção a uma
nova candidatura. Enquanto isso, o trabalhador, se faltar ao serviço por algum
motivo, tem os dias descontados.
Que é uma inversão
de valores, sabemos muito e bem, mas parece que virou regra, os trabalhadores
pagarem para os políticos e empresários burlarem as regras, as leis, os
escambau, para se locupletarem. As antigas cuecas recheadas agora são
malas. E questionamos, porque para um simples mortal retirar uma quantia mais
avultosa do banco tem que fazer previsão e preencher um monte de papéis.
Enquanto aqueles andam com malas entupidas de centenas de reais, pra lá e pra
cá.
Esse é o Brasil de
hoje. O povo sendo, descaradamente, humilhado, ridicularizado... Roubado. Tendo
que morrer à mingua, nas filas dos hospitais ou soterrado em escândalos e
avalanches de descaso e inaptidões.
A Lei Federal 9.096,
de 19 de setembro de 1995, dispõe que os partidos políticos – por seus
órgãos nacionais, regionais e municipais – devem manter sua
escrituração contábil, com a finalidade de garantir transparência
sobre a fonte de receitas e também da destinação das despesas. Dessa
forma, almeja-se viabilizar o controle das despesas partidárias e ainda de
disputas político-partidárias limpas, justas e equilibradas. Isso teria como
propósito evidenciar a estreita relação que existe entre reforma de Estado,
transparência e democratização.
O financiamento
político torna-se o pote no fim do arco-íris tanto para democracias emergentes
quanto para países com longa tradição democrática. Recursos de campanha só se
fazem necessários se há partidários e simpatizantes a serem mobilizados e
cidadãos convertidos em eleitores com programas, promessas ou benefícios. Do
contrário, em um sistema político em que a eleição confirma acordos prévios
entre membros de uma pequena elite política, a necessidade de financiamento é
limitada. Mais do que um campo de batalha, com ganhadores e perdedores, o
processo eleitoral nesse contexto constituiu um ritual de consagração de
escolhas previamente acordadas. Os eleitores eram objeto de uma mobilização
orquestrada por integrantes da elite.
Manter a transparência
nas ações governamentais - que se apresenta como uma política de fortalecimento
das instituições e da democracia - torna mais democrática as relações entre o
Estado e a sociedade civil. Urge a necessidade de um programa de combate à
corrupção no Brasil. A busca por essa finalização demonstra que a corrupção se
apresenta como um problema grave e estrutural de nossa sociedade e de nosso
sistema político, o que exige aprofundar a reforma do Estado no Brasil,
incluindo medidas legislativas, de gestão política e administrativa. Esse
esforço deve ser feito por meio de uma política permanente do Estado, cujo
principal objetivo deve estar centrado na adoção de novas formas de ação que
possam contribuir para a elevação do nível de transparência governamental.
No entanto, a
inoperância de cada cidadão em fiscalizar, ou mesmo lembrar, os seus
representantes ajudará e muito nesse sentido, tornando-os mais suscetíveis aos
olhares de todos. O fato de apenas cobrar as promessas de campanha os fará
prometerem apenas o que realmente pretendem fazer ou realizar. Caso contrário,
ficaremos todos, e sempre, no poleiro de um circo de horrores em que seremos
atração e meros espectadores.
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