“Com o vozeirão que Deus lhe deu, assumiu de
vez o posto de decano dos radialistas do Amapá, portanto alguém cuja história
precisa ser olhada com admiração e respeito por parte de todos nós. O rádio, na vida do Edvar Mota,
foi a paixão que fica para sempre”. João Silva
Edvar Mota – Radialista – “O Mestre da Voz”
Reinaldo Coelho
Edvar Mota, como era conhecido no meio
radiofônico, era amapaense nascido em 19 de novembro de 1943, na Rua Mário
Cruz, bem em frente à antiga Intendência, no centro de Macapá. Filho de um
próspero comerciante português das ilhas do Pará e da dona de casa paraense
Emília do Espírito Santo Fonseca.
Edvar teve uma infância feliz, no início do
Território Federal do Amapá. Foi aluno do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.
Seu primeiro contato com o mundo artístico começou a partir da mudança de sua
família para próximo à Rádio Difusora de Macapá, quando passou a observar os
apresentadores e tomar gosto pelos programas apresentados na emissora oficial
por locutores de renome na época. Contado por ele mesmo, passou parte da sua
infância e adolescência percorrendo o auditório, salas e corredores da RDM nos
bons tempos do “Clube do Guri”, das batalhas de confete, da novela no rádio e
das personalidades que encantavam o público, como Edna Luz, Reinaldo Farah,
Joíra Tavares, Creusa Bordallo, Ligia Cruz, Agostinho Souza, L. Coimbra, José
Maria de Barros, Amazonas Tapajós, Argemiro Imbiríba, Agostinho Souza e muitos
outros.
Foi lá que conheceu – aos 13 anos de idade –
os técnicos da emissora: Ivaldo Veras, Manoel Veras, José Rodrigues, Otávio
Pinheiro dos Santos, Baião Caçula e muitos outros. Aos 15 anos, ajudando o
pessoal da técnica em pequenos serviços, começou a estagiar como Aprendiz de
Operador de Áudio (antigo controlista) passando depois aos 17 anos a aprender
as primeiras noções de rádio como locutor comercial, devido sua bela voz.
A partir daí trabalhou por longos anos na
Rádio Difusora de Macapá apresentando os programas que marcaram sua carreira
profissional como Carnê Social, Grande Jornal Falado E-2, A Grande Seresta e
muitos outros. Edvar foi uma espécie de faz tudo na Rádio Difusora.
Edvar nas horas de folga também trabalhou,
por muito tempo, em serviços de autofalantes, sendo um deles, o da Casa
Ribamar, de Inácio Serra, que explorava o ramo de tecidos em Macapá. Também
prestou anos de serviços como a voz oficial do Cine Macapá – A Casa dos Grandes
Espetáculos – tanto para anunciar internamente as próximas atrações do cinema,
no início das sessões, como na propaganda volante daquela famosa casa de
projeções cinematográficas. Isso tudo ao vivo, pois na época não havia
gravadores.
Deixar a emoção soltar a voz nas ondas do
rádio, caprichar na pronúncia, botar clareza e competência na transmissão da
notícia, foi uma opção feita por quem vivia o ambiente da RDM, e acreditava que
a comunicação social podia operar transformações na vida de uma cidade, no
dia-a-dia das pessoas em um lugar como o Território Federal do Amapá, 60 anos
atrás.
Edvar leu textos de profissionais da extirpe
de Alcy Araújo, Hélio Penafort, Ezequias Ribeiro de Assis, Carlos Cordeiro
Gomes, Artur Nery e Hernany Marinho, redatores lotados no Gabinete do
Governador que, entre outras tarefas, tinha a incumbência de preparar o ‘Grande
Jornal Falado E-2’, noticiário chapa branca que atravessou várias
administrações, inclusive de todos os governadores da Revolução de 64.
Modernização
Com a modernização que a tecnologia impôs ao
rádio, ficou difícil para um locutor à moda antiga, voz de trovão tipo Cid
Moreira, continuar fazendo sucesso. Como superar ou se integrar aos modismos,
ao rádio FM chegando com força total? O Edvar optou em se adaptar aos novos
tempos – desistir do rádio jamais!
No rádio deixou sua marca no programa ‘A
Grande Seresta’, através das músicas de Orlando Silva, Adelino Moreira, Altemar
Dutra, Edna Fagundes, Nelson Gonçalves e Pixinguinha, cuja composição Rosa era
a sua preferida.
Seu grande parceiro das noitadas da Grande
Seresta foi o músico e professor Nonato Leal, que definiu o companheiro como
“um músico romântico e de uma sensibilidade musical enorme”, além de “excelente
amigo, franco, leal e verdadeiro”.
A história de vida do radialista está
registrada em um documentário de 30’- ‘Edvar Mota – o Mestre da Voz’ – produzido
pelas jornalistas Elainne Juarez, Márcia Corrêa e a saudosa Hanne Capiberibe,
orientadas pelo Mestre em Comunicação, Jackson Barbosa – trabalho de Conclusão
de Curso pela Faculdade SEAMA, em 2004, que não tardiamente reconheceram e
prestaram homenagem em vida ao grande radialista que foi Francisco Edvar do
Espírito Santo Mota.
Verdade é que o decano do rádio tucuju foi escapando,
amealhando algum tocando seresta, fazendo publicidade, trabalhando naquilo que gostava
de fazer, ele que era figura obrigatória nas campanhas políticas, para pinçar
coisa do tempo em que o governador Barcelos tentava sufocar a candidatura de
jovem amapaense a deputado federal, bote tempo (“o bom cabrito não berra, vote
em Paulo Guerra!”).
E assim, um reconhecimento aqui outro acolá,
aquele vozeirão vai fazendo a diferença, o último foi que ‘A Grande Seresta’
virou tema do trabalho de conclusão de curso da primeira turma de jornalismo formada
no Amapá. Claro que o Edvar merece isso, e muito mais que isso.
Esse texto está composto de duas versões da
vida de Edvar Mota, um escrito pelo jornalista João Silva e outro postado pelo
radialista João Lazaro.
¨* Este
post usou como fonte dados do citado documentário: “Edvar Mota – o Mestre da
Voz”, de uma cópia gentilmente cedida ao blog Porta Retrato, através da
jornalista Hanne Capiberibe (falecida).
** O texto de João Silva, foi publicado alguns anos antes da morte do
radialista que passou por várias emissoras de rádio do Amapá.


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