sexta-feira, 29 de setembro de 2017

SAÚDE EM FOCO

          


O ESTRESSE AFETA O TRÂNSITO, O CORAÇÃO E A SAÚDE 

        Pense que você esta atravessando uma rua quando um carro faz uma curva e vem em sua direção. A surpresa é repentina, o coração bate forte, as pernas tremem e você corre para se afastar do perigo. É a reação de fuga resultante do estresse.
       Os estressores externos marcam o cotidiano e a vida das pessoas em varias situações e circunstâncias, afetando sobremaneira a função cardiovascular (coração e vasos), sofrendo influencia direta dos aspectos mentais e emocionais, ou seja, a nossa cabeça pode fazer mal ao coração. As cardiopatias constituem 12% das causas orgânicas de morte súbita no trânsito.
      Na atualidade um dos fatores mais estressantes é o trânsito, cujos estudos em Medicina de Tráfego incluem o envolvimento dos distúrbios do sono, uso de drogas (ilícitas e álcool) e o estresse. O estresse crônico ocasiona forte impacto no coração, podendo ocasionar arritmias e aumento da pressão arterial, o que pode agravar as cardiopatias e levar à morte súbita. A principal causa é o Infarto Agudo do Miocárdio- IAM.
      Diante do estresse o cérebro reconhece o perigo iminente e o corpo passa por diversas transformações: no eixo hipotalâmico, na glândula hipófise, glândulas adrenais e nos rins. Hormônios do estresse, como epinefrina, norepinefrina e cortisol, são secretados no sangue, preparando o corpo a uma resposta de “luta e fuga”. 
      Assim como doenças físicas podem ser agravadas pelo estresse, fatores existenciais e emocionais podem ser desencadeantes de doença física, como úlcera, hipertensão arterial, neurodermite e asma. Personalidades impulsivas, agressivas e competitivas, conhecidas como personalidade “tipo A”, teriam maior risco de sofrer IAM (John Gallacher. Psychossomatic Medicine, 2003). Comportamento hostil e acessos de raiva podem ter 30% de risco de desenvolver arritmia. Já a depressão é extremamente prejudicial à recuperação de pacientes cardíacos.
Por meio de uma conexão neural da medula espinhal e do sistema nervoso simpático a mente, os pensamentos e as crenças são capazes de influenciar a função cardíaca de modo positivo. Por essa mesma conexão o corpo se utiliza para fortalecer e ativar os órgãos vitais, se contrapondo ao estresse crônico, quando entra em ação o sistema parassimpático, influenciado também pelas emoções positivas e bioquímicas das endorfinas. Ocorre uma redução dos hormônios do estresse, sobrevindo a calma, o sono, o alívio da dor, a redução da agitação, descontração e relaxamento mental e muscular.
As técnicas de relaxamento ( mentalização e consciência corporal) utilizam esse mesmo mecanismo para o controle específico do estresse e  melhores chances de sobrevivência de pacientes cardíacos, conforme sugeriu James B.Blumenthal , do Centro Médico da Universidade Duke, em 1997.   Técnicas de Psicoterapia também são eficazes, atuando em áreas especificas do cérebro responsáveis pela consciência de dor ( giro do cíngulo   anterior), que sofrem influencia até simplesmente das palavras pronunciadas pelo paciente.
Igualmente às técnicas de pensamento positivo, oração, meditação, relaxamento, outros fatores são importantíssimos na reversão das doenças cardiovasculares como mudanças de hábitos, alimentação adequada e atividade física regular. Estudos feitos na Universidade da Califórnia, por Dean Ornish, comprovaram a influência de uma dieta  vegetariana de baixa caloria  e  exercícios regulares em pacientes com doença arterial coronariana.
O estresse crônico e suas consequências podem estar por trás de acidentes de transito, complicação de doenças cardíacas e afetar significativamente a saúde física e mental, mostrando a interligação inseparável  entre o corpo e a mente humana. JARBAS ATAÍDE. Macapá-AP, 25.09.2017. 



                                                                                                                                                                                      

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