O ESTRESSE AFETA O TRÂNSITO, O CORAÇÃO E A SAÚDE
Pense que você esta atravessando uma
rua quando um carro faz uma curva e vem em sua direção. A surpresa é repentina,
o coração bate forte, as pernas tremem e você corre para se afastar do perigo.
É a reação de fuga resultante do estresse.
Os estressores externos marcam o
cotidiano e a vida das pessoas em varias situações e circunstâncias, afetando
sobremaneira a função cardiovascular (coração e vasos), sofrendo influencia
direta dos aspectos mentais e emocionais, ou seja, a nossa cabeça pode fazer
mal ao coração. As cardiopatias constituem 12% das causas orgânicas de morte
súbita no trânsito.
Na atualidade um dos fatores mais
estressantes é o trânsito, cujos estudos em Medicina de Tráfego incluem o
envolvimento dos distúrbios do sono, uso de drogas (ilícitas e álcool) e o
estresse. O estresse crônico ocasiona forte impacto no coração, podendo
ocasionar arritmias e aumento da pressão arterial, o que pode agravar as
cardiopatias e levar à morte súbita. A principal causa é o Infarto Agudo do
Miocárdio- IAM.
Diante do estresse o cérebro reconhece o
perigo iminente e o corpo passa por diversas transformações: no eixo
hipotalâmico, na glândula hipófise, glândulas adrenais e nos rins. Hormônios do
estresse, como epinefrina, norepinefrina e cortisol, são secretados no sangue,
preparando o corpo a uma resposta de “luta e fuga”.
Assim
como doenças físicas podem ser agravadas pelo estresse, fatores existenciais e
emocionais podem ser desencadeantes de doença física, como úlcera, hipertensão
arterial, neurodermite e asma. Personalidades impulsivas, agressivas e
competitivas, conhecidas como personalidade “tipo A”, teriam maior risco de
sofrer IAM (John Gallacher. Psychossomatic Medicine, 2003).
Comportamento hostil e acessos de raiva podem ter 30% de risco de desenvolver
arritmia. Já a depressão é extremamente prejudicial à recuperação de pacientes
cardíacos.
Por
meio de uma conexão neural da medula espinhal e do sistema nervoso simpático a
mente, os pensamentos e as crenças são capazes de influenciar a função cardíaca
de modo positivo. Por essa mesma conexão o corpo se utiliza para fortalecer e
ativar os órgãos vitais, se contrapondo ao estresse crônico, quando entra em
ação o sistema parassimpático, influenciado também pelas emoções positivas e
bioquímicas das endorfinas. Ocorre uma redução dos hormônios do estresse,
sobrevindo a calma, o sono, o alívio da dor, a redução da agitação,
descontração e relaxamento mental e muscular.
As
técnicas de relaxamento ( mentalização e consciência corporal) utilizam esse
mesmo mecanismo para o controle específico do estresse e melhores chances de sobrevivência de
pacientes cardíacos, conforme sugeriu James
B.Blumenthal , do Centro Médico da Universidade Duke, em 1997. Técnicas de Psicoterapia também são eficazes,
atuando em áreas especificas do cérebro responsáveis pela consciência de dor (
giro do cíngulo anterior), que sofrem influencia
até simplesmente das palavras pronunciadas pelo paciente.
Igualmente
às técnicas de pensamento positivo, oração, meditação, relaxamento, outros
fatores são importantíssimos na reversão das doenças cardiovasculares como
mudanças de hábitos, alimentação adequada e atividade física regular. Estudos
feitos na Universidade da Califórnia, por Dean
Ornish, comprovaram a influência de uma dieta vegetariana de baixa caloria e
exercícios regulares em pacientes com doença arterial coronariana.
O
estresse crônico e suas consequências podem estar por trás de acidentes de
transito, complicação de doenças cardíacas e afetar significativamente a saúde
física e mental, mostrando a interligação inseparável entre o corpo e a mente humana. JARBAS ATAÍDE. Macapá-AP, 25.09.2017.

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