REFLEXÃO ATUAL DA DIMENSÃO PROFÉTICO-PASTORAL
DA IGREJA: VER, JULGAR, MAS SEM AGIR.
Causou-me estranheza as declarações na
mídia do padre católico Paulo Ricardo, dizendo que a Igreja Católica e seus
seguidores, em especial os clérigos, se distanciaram e se acovardaram diante da
atual situação de crise político- ético-moral
dos governos anterior e atual. Questiona a falta da ação concreta e do agir
pastoral, diante da grave situação em todas as instituições.
A Igreja Católica, com sua presença oportuna
diante dos problemas cotidianos, vinha
assumindo há alguns anos um papel importante na reflexão dos grandes temas
nacionais, que envolvem a vida concreta da sociedade, opinando e denunciando. A isso se chama missão profética da Igreja.
A prova e exemplo dessa postura
profética são os temas da Campanha da Fraternidade-CF no Brasil e as reflexões
das Conferências Latino-americanas, como a de Medellin (II CELAM, Colômbia,
1968) ,e o último em Aparecida (V CELAM, Brasil, 2007), motivadas pelo Concílio Vaticano II.
A Igreja Católica como instituição
temporal e secular se insere nas dimensões reais e objetivas da vida cotidiana,
tratando de questões relacionadas à vida e à saúde. Temas das CF, como o
Saneamento Básico (2016), visou despertar para o cuidado com o planeta,
evitando a contaminação do ambiente, a promoção e prevenção da saúde. O tema da
CF/2017 fala da preservação dos Biomas Brasileiros.
Ao refletir e até opinar sobre temas temporais, a
Igreja não quer assumir a função específica que compete às instituições
regularmente constituídas, mas dar sua parcela de contribuição como integrante
da sociedade. Segundo o padre citado, a Igreja esta olhando (VER) e refletindo
(JULGAR), mas não esta AGINDO, como o fazia apoiando protestos, passeatas e até
greves.
Com base nas Conferências Episcopais ( à
luz da fé e do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja), a Pastoral da Saúde,
com sua análise crítica, “tenta ajudar a
sociedade discernir sobre todas as coisas[ relacionadas à saúde e à vida] e
luta pela superação de tudo aquilo que é contrário ao Evangelho...” (D.
Odilo P. Scherer, Arcebispo de S. Paulo).
Diante dessa visão profética, os católicos e
cristãos, em especial os trabalhadores da saúde, deveriam atuar nos movimentos
e ambientes sociais e políticos, “espaço
privilegiado da vida e da ação dos cristãos leigos, onde eles exercem suas
responsabilidades...” (D. Odilo P. Scherer)). Acontece que os políticos,
gestores e governantes, que se dizem católicos, estão legislando e votando
contra os avanços já garantidos.
Apenas os discursos e homilias não
comovem e nem mudam as condutas dos dirigentes, mesmo com as manifestações contra
a PEC 241 que provocou o desmonte do SUS. O texto congelou os gastos públicos
federais com a saúde, levando a um corte de R$ 12 bilhões nos próximos dois
anos. "O orçamento da Saúde, que foi de R$ 102
bilhões, seria de R$ 65 bilhões. O orçamento da Educação, que foi de R$ 103
bilhões, seria de R$ 31 bilhões, alertam integrantes da Frente Parlamentar
em Defesa do SUS.
Segundo a crítica feita à Igreja, como
instituição, ela não esclarece isso para seus fiéis e nem estimula uma postura
ou ação concreta contra essas mazelas, retrocessos e agressões à lei e à ordem,
cujas medidas do governo Temer ao congelar os gastos na área de saúde, educação
e seguridade social, atingiria principalmente as pessoas menos favorecidas.
Em seu artigo “Uma PEC devastadora e
brutal, a 241”, o bispo da CNBB e da PS, D. Roberto Paz, conclui: “Na prática, assistiremos ao desmonte do
Sistema Único de Saúde (SUS) e a privatização do sistema de saúde, onde todo
esforço para melhorar as condições de saúde das famílias brasileiras ficará à
deriva, prejudicando os recentes avanços obtidos no combate à desigualdade e
acesso universal à saúde coletiva”. JARBAS
ATAÍDE, 27.11.2017, baseado em artigo de 10.10.2016.
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