sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

SAÚDE EM FOCO

 REFLEXÃO ATUAL DA DIMENSÃO PROFÉTICO-PASTORAL DA IGREJA:   VER, JULGAR, MAS SEM AGIR.     



      Causou-me estranheza as declarações na mídia do padre católico Paulo Ricardo, dizendo que a Igreja Católica e seus seguidores, em especial os clérigos, se distanciaram e se acovardaram diante da atual situação  de crise político- ético-moral dos governos anterior e atual. Questiona a falta da ação concreta e do agir pastoral, diante da grave situação em todas as instituições.
       A Igreja Católica, com sua presença oportuna diante dos problemas  cotidianos, vinha assumindo há alguns anos um papel importante na reflexão dos grandes temas nacionais, que envolvem a vida concreta da sociedade, opinando  e denunciando. A isso se chama missão profética da Igreja.
       A prova e exemplo dessa postura profética são os temas da Campanha da Fraternidade-CF no Brasil e as reflexões das Conferências Latino-americanas, como a de Medellin (II CELAM, Colômbia, 1968) ,e o último em Aparecida (V CELAM, Brasil, 2007), motivadas pelo  Concílio Vaticano II.
       A Igreja Católica como instituição temporal e secular se insere nas dimensões reais e objetivas da vida cotidiana, tratando de questões relacionadas à vida e à saúde. Temas das CF, como o Saneamento Básico (2016), visou despertar para o cuidado com o planeta, evitando a contaminação do ambiente, a promoção e prevenção da saúde. O tema da CF/2017 fala da preservação dos Biomas Brasileiros.  
       Ao  refletir e até opinar sobre temas temporais, a Igreja não quer assumir a função específica que compete às instituições regularmente constituídas, mas dar sua parcela de contribuição como integrante da sociedade. Segundo o padre citado, a Igreja esta olhando (VER) e refletindo (JULGAR), mas não esta AGINDO, como o fazia apoiando protestos, passeatas e até greves.
       Com base nas Conferências Episcopais ( à luz da fé e do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja), a Pastoral da Saúde, com sua análise crítica, “tenta ajudar a sociedade discernir sobre todas as coisas[ relacionadas à saúde e à vida] e luta pela superação de tudo aquilo que é contrário ao Evangelho...” (D. Odilo P. Scherer, Arcebispo de S. Paulo).
       Diante dessa visão profética, os católicos e cristãos, em especial os trabalhadores da saúde, deveriam atuar nos movimentos e ambientes sociais e políticos, “espaço privilegiado da vida e da ação dos cristãos leigos, onde eles exercem suas responsabilidades...” (D. Odilo P. Scherer)). Acontece que os políticos, gestores e governantes, que se dizem católicos, estão legislando e votando contra os avanços já garantidos.
       Apenas os discursos e homilias não comovem e nem mudam as condutas dos dirigentes, mesmo com as manifestações contra a PEC 241 que provocou o desmonte do SUS. O texto congelou os gastos públicos federais com a saúde, levando a um corte de R$ 12 bilhões nos próximos dois anos.  "O orçamento da Saúde, que foi de R$ 102 bilhões, seria de R$ 65 bilhões. O orçamento da Educação, que foi de R$ 103 bilhões, seria de R$ 31 bilhões, alertam integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do SUS.
      Segundo a crítica feita à Igreja, como instituição, ela não esclarece isso para seus fiéis e nem estimula uma postura ou ação concreta contra essas mazelas, retrocessos e agressões à lei e à ordem, cujas medidas do governo Temer ao congelar os gastos na área de saúde, educação e seguridade social, atingiria principalmente as pessoas menos favorecidas.
        Em seu artigo “Uma PEC devastadora e brutal, a 241”, o bispo da CNBB e da PS, D. Roberto Paz, conclui: “Na prática, assistiremos ao desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) e a privatização do sistema de saúde, onde todo esforço para melhorar as condições de saúde das famílias brasileiras ficará à deriva, prejudicando os recentes avanços obtidos no combate à desigualdade e acesso universal à saúde coletiva”. JARBAS ATAÍDE, 27.11.2017, baseado em artigo de 10.10.2016.



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