Até quando
Tem algo que me deixa profundamente decepcionado no meu querido Estado
do Amapá. É a interminável síndrome de território. Lembro perfeitamente que a
discussão para a transformação do Amapá em Estado foi intensificada em 1986 com
o governador Aníbal Barcellos puxando o tema. Fato consolidado em 1988 com o
advento da Constituição Federal. Mas já naquela época falávamos de autonomia
administrativa e financeira. Era uma corrente legítima que pugnava pela
emancipação, uma espécie de maior idade. Coisa do tipo: temos que ser
protagonista da nossa história e etc.
Bem! Em 88 fomos transformado em Estado através do artigo 14 dos Atos
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). A partir de 1990, com a
posse do governador eleito consolidou-se a transformação. Resultado positivo:
aumentou nossa bancada de parlamentares federais para 11 parlamentares.
Passamos a ter representação no Senado e foi só. Pelo menos é o que parece para
algumas figuras que mal acostumadas com o paternalismo do território, onde o
“papai” território bancava tudo, continuam viajando na maionese imaginando que
nada mudou. Esses são os obtusos, outros são figuras que na cara dura enviesam
a informação e acham que estão enganando os esclarecidos. Ledo engano.
Admito até que as mudanças de costume levem um tempo para se modificar,
mas convenhamos. Já faz 28 anos amigos. Chega! É hora da profissionalização, do
amadurecimento político, do espírito empreendedor prevalecer. É hora de ir à
luta, buscar alternativas fora do orçamento estadual para viabilizar eventos,
principalmente o carnaval. Uma festa popular, com uma espetacular aceitação
pelo público, logo, um produto venal. Business business.
Como podemos encarar uma das piores crises econômicas da história do
País, provocadas por vários fatores, o mais evidente a corrupção desenfreada na
gestão pública e ainda tem sujeito que exige que o erário estadual banque um
evento como o carnaval? Fomento está previsto na Constituição, mas bancar tudo?
Impossível.
Atribuir ao governo responsabilidade pela ausência do desfile das
escolas de samba é no mínimo irresponsabilidade. Querer que o Estado encha as
burras das agremiações carnavalescas, financiando as escolas, blocos e etc. e
ainda receber gratuitamente todo o aparato de segurança e a estrutura pública
de saúde para atender possíveis vitimas da violência verificada nesse período
momesco, é um negócio inaceitável. Ninguém quer se comprometer. Apenas acenar
com o chapéu do Estado. Assim fica fácil. As diretorias das escolas somem o ano
todo e próximo ao carnaval aparece com um planejamento onde o objetivo é fazer
gestão junto ao governo estadual para passar a conta que o Estado deve pagar.
Carnaval é cultura, história, esta festa popular está no DNA do
brasileiro, mas nem de longe pode ser encarado com o amadorismo que temos
verificado por anos a fio. Como se deve fazer, poderia alguém me perguntar:
responderia de bate pronto. Não sei, por isso nunca me candidatei a presidente
de Escola de Samba, tão pouco de bloco. Fica a dica: quem não pode com pote,
não segura na rodilha. Pronto. Falei.

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