Impacto da greve dos caminhoneiros no Amapá
Devido a sua posição geográfica o abastecimento
alimentício no Amapá não teve impacto negativo, pois os empreendedores locais
sempre mantem um estoque acima da média dos seus produtos. Porém o preço do
combustível pode majorar os preços dos fretes e o governo estadual está
vigilante para que não haja manipulação de valores.
Reinaldo Coelho
No
Estado do Amapá o impacto da greve dos caminhoneiros no setor de abastecimento
alimentício não foi imediato, como em outros Estados, diferente do amapaense,
eles trabalham com estoques para um ou dois dias e o Amapá tem um estoque regulador.
De acordo com Josué Rocha presidente do Sindicato do Comércio Varejista de
Gêneros (SINDIGENEROS), o comércio varejista alimentício veio sentir esse
impacto nessa segunda semana pós-greve. “Esse impacto veio acontecer nesta
semana devido os pedidos realizados antes da greve para manutenção de estoque
regular e que devido a manifestação dos caminhoneiros, as transportadoras não
conseguiram cumprir o calendário de entregas das distribuidoras que atendem o
mercado amapaense”.
Por
conta da situação geográfica do Estado do Amapá, em relação à distância dos
centros produtores, os empreendedores daqui sempre mantêm os estoques acima da
média. Isto, somado com as medidas preventivas implementadas pelo governo, tem
proporcionado ao Amapá sentir menos que outros Estados os efeitos dessa crise.
O
desabastecimento local não foi total e sim pontual, e o presidente do SINDIGENEROS
explicou a reportagem que alguns produtos estão sendo aguardados para reposição
de estoque, porém a previsão da normalidade é que acontecesse a partir da
segunda quinzena de junho. “A normalidade deverá acontecer na segunda quinzena
de junho. Uma das maiores preocupações é com os produtos perecíveis, caso dos
iogurtes, que estavam em trânsito para atender mercado local e causou falta nas
prateleiras podem. E essa semana pode estar chegando com validade estourando e
o mercado tem que procurar em ofertas para não sofrer prejuízos. Esses produtos
não são de estoques altos devido ao seu alto grau de perecividade. Outro item é
dos hortifrútis que estão com algumas falhas, mas é pontual”.
Uma
das maiores preocupações, além da falta dos produtos nos supermercados e
mercantis amapaenses, é que os produtos tiveram aumentos em seus preços. Fato
este confirmado pelo empresário Josué Rocha, que informou que aconteceu uma
oscilação de preços e que a expectativa é que aconteça uma regularização até o
fim do mês. “Devido a interrupção do transporte de mercadorias e a produção no
campo paralisada no País, o que levou a muita perdas e todos querendo abastecer
simultaneamente ou de modo instantâneo, o que acaba elevando os preços desde o
produtor até a indústria de transformação e chega a ponta que é o consumidor”.
Quanto
ao abastecimento de proteína animal, desde a carne branca e vermelha, com a produção
de grãos paralisada e o plantel das granjas com grandes perdas, levou os
frigoríficos a não manter o abastecimento. Sendo que esse segmento (o das aves)
uma das maiores dependências do mercado amapaenses, que tem nos fornecedores
sulistas o maiores abastecedor de frango. O presidente Josué Rocha explicou que
a situação está sendo resolvidas. “As indústrias como a BRF, que são um da
maiores abastecedores de proteína aqui no Amapá eles ainda estão com
dificuldades, pois algumas de suas unidades foram paralisadas. Quanto a Friboi,
que atende o mercado local, por conta da greve, também tiveram algumas unidades
paralisadas, pode diminuir a oferta, mas não faltar”.
Josué
destacou que quanto a carne vermelha o Amapá possui dois frigoríficos que
equilibram esse segmento e podem suprir essa necessidade. “Em geral a população
do Estado do Amapá ela não vai ter um desabastecimento, pode ser pontual, mas
não trará problemas sérios para a mesa do consumidor local”.
Fretes
Um
dos maiores problemas, que pode perdurar, é com referência a regularização do
abastecimento de combustível, que ainda não chegou a uma definição, devido aos
acordos do governo federal com os grevistas que seria dado descontos de R$ 0,46
no óleo diesel. “Isso atende diretamente a questão do preço do frete, a partir
que você tenha um combustível mais barato, que é um dos itens que pesa muito na
composição de preços do frete, a tendência é estabilizar e não tem aumentos. No
Estado do Amapá, além da redução federal de R$ 0,46, teremos uma redução da alíquota
de 25% para 17% no óleo diesel”.
Com
referência a essa queda nos impostos federal e estadual, se devem chegar ao
bolso do consumidor? – o presidente da SINDIGENEROS explicou que o governo está
empenhado juntamente com seus órgão de fiscalização, como PROCON, para que sejam
repassado para os preços nas prateleiras. “Pelo fato de sermos um Área de Livre
Comércio, ondem existem alguns benefícios, temos de ter o nosso óleo diesel o
mais barato do País e beneficiar o consumidor amapaense”.
Alarme falso
Com
praticamente todo o abastecimento de combustíveis feito por balsas, o E
Estado
do Amapá é das poucas unidades da federação que não sentiu o impacto direto da
paralisação nacional dos caminhoneiros.
Apesar
disso, ao assistirem no noticiário da situação no resto do país, muitos
macapaenses correram para os postos de combustível a fim de encher os tanques
ou estocar gasolina. Em consequência do aumento da demanda alguns postos
ficaram sem produtos. Aproveitando-se da situação os donos de alguns
estabelecimentos aumentaram os preços, o que fez com que o Instituto de Defesa
do Consumidor (PROCON) passasse a monitorar eventuais aumentos abusivos na
capital e em Santana.
Embora
o tradicional abastecimento por balsas-tanques encareça o produto, estando
sujeito a imprevistos característicos da navegação de cabotagem, o modal acabou
favorecendo o Amapá. Há prós e contras, mas é um transporte alternativo frente
a quaisquer adversidades. Na Amazônia, então, é uma alternativa que nunca pode
ser descartada.
Parcerias
O
Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros (SINDIGENEROS) e o Governo do Estado
do Amapá montaram uma frente de trabalho onde a união e o acompanhamento da
situação de abastecimento foi feita desde a primeira hora da greve.
Foi
criado um Comitê Estadual pelo governo amapaense para minimizar os impactos da
greve dos caminhoneiros que reuniu empreendedores e representantes de entidades
comerciais dos segmentos atacadista e varejista para coletar informações sobre
os estoques e demandar novas providências.
“Tivemos
por parte do governo uma preocupação muito grande, que reuniu todos os gestores
das áreas envolvidas, dando apoio ao empresariado amapaense, com a finalidade
de diminuir esse impacto, pois era de interesse de todos que não tivéssemos
desabastecimento”.
A
manifestação local não afetou o mercado interno. O problema foi ocasionado nas
paralisações nos grandes centros urbanos. Isso porque cerca de 90% do que o
amapaense consome, vem de outros estados, inclusive, do tomate à farinha, e do
ovo ao frango.
O
presidente Josué Rocha definiu que a situação está sendo normalizada e que o
amapaense não deverá sofrer com falta de alimentos, e que os prejuízos
financeiros causados para o Estado e ao empresariado é imensurável. “Em uma
situação desse tipo, todos perdem, o único que não perde é o governo, que diz
que está perdendo mais, não está perdendo nada. Todos nós estamos pagando por
essa situação inesperada. Pagando preços mais caros, alguns produtos vão chegar
com datas próximo de vencimentos e vamos ter de colocar na ponta para queimar,
sempre existem perdas”.
Gargalos técnicos
Após
o fim da paralisação dos caminhoneiros, a preocupação da população brasileira é
com a qualidade dos produtos que estão sendo entregues nos supermercados de
todo país. Para comentar sobre o assunto e esclarecer dúvidas sobre os impactos
na indústria de alimentos, conversamos via correio eletrônico com a
coordenadora do curso de Engenharia de Alimentos do Instituto Mauá de
Tecnologia, professora e doutora Eliana Paula Ribeiro.
Ela
explicou que a paralisação dos caminhoneiros acabou afetando todas as regiões
brasileiras. No Amapá, por ter esse sistema de entrega por balsa, o que não
tiver dependência de caminhão, não sofrerá alterações.
Porém,
o que envolve o transporte rodoviário, as mercadorias que vão chegar de
caminhão podem apresentar alguns problemas sim, principalmente os alimentos
perecíveis.
A
qualidade com que os perecíveis vão chegar até o Estado vai depender muito de
como era a estrutura do caminhão que estava transportando os produtos. Para o
caso dos congelados e refrigerados, por exemplo, vai depender se o sistema
resistiu a paralisação e se manteve os produtos em um ambiente frio.
“Para
as frutas, verduras e legumes já não tem muito jeito, a qualidade vai ser
afetada com certeza. Se o caminhão que estava transportando, por exemplo, ficou
embaixo do sol, os produtos acabam estragando”, explicou a engenheira
alimentar.
No
geral, Eliana Ribeiro declarou que vale destacar que o mais importante é saber
quanto tempo os alimentos ficaram parados e em quais condições. Entender qual
era a estrutura do caminhão, qual a temperatura e se o sistema de refrigeração
ficou ligado ou desligado durante o tempo que os veículos ficaram parados nas
estradas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário