terça-feira, 12 de junho de 2018

Impacto da greve dos caminhoneiros no Amapá


Impacto da greve dos caminhoneiros no Amapá




Devido a sua posição geográfica o abastecimento alimentício no Amapá não teve impacto negativo, pois os empreendedores locais sempre mantem um estoque acima da média dos seus produtos. Porém o preço do combustível pode majorar os preços dos fretes e o governo estadual está vigilante para que não haja manipulação de valores.

Reinaldo Coelho

No Estado do Amapá o impacto da greve dos caminhoneiros no setor de abastecimento alimentício não foi imediato, como em outros Estados, diferente do amapaense, eles trabalham com estoques para um ou dois dias e o Amapá tem um estoque regulador. De acordo com Josué Rocha presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros (SINDIGENEROS), o comércio varejista alimentício veio sentir esse impacto nessa segunda semana pós-greve. “Esse impacto veio acontecer nesta semana devido os pedidos realizados antes da greve para manutenção de estoque regular e que devido a manifestação dos caminhoneiros, as transportadoras não conseguiram cumprir o calendário de entregas das distribuidoras que atendem o mercado amapaense”.
Por conta da situação geográfica do Estado do Amapá, em relação à distância dos centros produtores, os empreendedores daqui sempre mantêm os estoques acima da média. Isto, somado com as medidas preventivas implementadas pelo governo, tem proporcionado ao Amapá sentir menos que outros Estados os efeitos dessa crise.
O desabastecimento local não foi total e sim pontual, e o presidente do SINDIGENEROS explicou a reportagem que alguns produtos estão sendo aguardados para reposição de estoque, porém a previsão da normalidade é que acontecesse a partir da segunda quinzena de junho. “A normalidade deverá acontecer na segunda quinzena de junho. Uma das maiores preocupações é com os produtos perecíveis, caso dos iogurtes, que estavam em trânsito para atender mercado local e causou falta nas prateleiras podem. E essa semana pode estar chegando com validade estourando e o mercado tem que procurar em ofertas para não sofrer prejuízos. Esses produtos não são de estoques altos devido ao seu alto grau de perecividade. Outro item é dos hortifrútis que estão com algumas falhas, mas é pontual”.
Uma das maiores preocupações, além da falta dos produtos nos supermercados e mercantis amapaenses, é que os produtos tiveram aumentos em seus preços. Fato este confirmado pelo empresário Josué Rocha, que informou que aconteceu uma oscilação de preços e que a expectativa é que aconteça uma regularização até o fim do mês. “Devido a interrupção do transporte de mercadorias e a produção no campo paralisada no País, o que levou a muita perdas e todos querendo abastecer simultaneamente ou de modo instantâneo, o que acaba elevando os preços desde o produtor até a indústria de transformação e chega a ponta que é o consumidor”.
Quanto ao abastecimento de proteína animal, desde a carne branca e vermelha, com a produção de grãos paralisada e o plantel das granjas com grandes perdas, levou os frigoríficos a não manter o abastecimento. Sendo que esse segmento (o das aves) uma das maiores dependências do mercado amapaenses, que tem nos fornecedores sulistas o maiores abastecedor de frango. O presidente Josué Rocha explicou que a situação está sendo resolvidas. “As indústrias como a BRF, que são um da maiores abastecedores de proteína aqui no Amapá eles ainda estão com dificuldades, pois algumas de suas unidades foram paralisadas. Quanto a Friboi, que atende o mercado local, por conta da greve, também tiveram algumas unidades paralisadas, pode diminuir a oferta, mas não faltar”.
Josué destacou que quanto a carne vermelha o Amapá possui dois frigoríficos que equilibram esse segmento e podem suprir essa necessidade. “Em geral a população do Estado do Amapá ela não vai ter um desabastecimento, pode ser pontual, mas não trará problemas sérios para a mesa do consumidor local”.

Fretes

Um dos maiores problemas, que pode perdurar, é com referência a regularização do abastecimento de combustível, que ainda não chegou a uma definição, devido aos acordos do governo federal com os grevistas que seria dado descontos de R$ 0,46 no óleo diesel. “Isso atende diretamente a questão do preço do frete, a partir que você tenha um combustível mais barato, que é um dos itens que pesa muito na composição de preços do frete, a tendência é estabilizar e não tem aumentos. No Estado do Amapá, além da redução federal de R$ 0,46, teremos uma redução da alíquota de 25% para 17% no óleo diesel”.
Com referência a essa queda nos impostos federal e estadual, se devem chegar ao bolso do consumidor? – o presidente da SINDIGENEROS explicou que o governo está empenhado juntamente com seus órgão de fiscalização, como PROCON, para que sejam repassado para os preços nas prateleiras. “Pelo fato de sermos um Área de Livre Comércio, ondem existem alguns benefícios, temos de ter o nosso óleo diesel o mais barato do País e beneficiar o consumidor amapaense”.

Alarme falso

Com praticamente todo o abastecimento de combustíveis feito por balsas, o E
Estado do Amapá é das poucas unidades da federação que não sentiu o impacto direto da paralisação nacional dos caminhoneiros.
Apesar disso, ao assistirem no noticiário da situação no resto do país, muitos macapaenses correram para os postos de combustível a fim de encher os tanques ou estocar gasolina. Em consequência do aumento da demanda alguns postos ficaram sem produtos. Aproveitando-se da situação os donos de alguns estabelecimentos aumentaram os preços, o que fez com que o Instituto de Defesa do Consumidor (PROCON) passasse a monitorar eventuais aumentos abusivos na capital e em Santana.
Embora o tradicional abastecimento por balsas-tanques encareça o produto, estando sujeito a imprevistos característicos da navegação de cabotagem, o modal acabou favorecendo o Amapá. Há prós e contras, mas é um transporte alternativo frente a quaisquer adversidades. Na Amazônia, então, é uma alternativa que nunca pode ser descartada.

Parcerias

O Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros (SINDIGENEROS) e o Governo do Estado do Amapá montaram uma frente de trabalho onde a união e o acompanhamento da situação de abastecimento foi feita desde a primeira hora da greve.
Foi criado um Comitê Estadual pelo governo amapaense para minimizar os impactos da greve dos caminhoneiros que reuniu empreendedores e representantes de entidades comerciais dos segmentos atacadista e varejista para coletar informações sobre os estoques e demandar novas providências.
“Tivemos por parte do governo uma preocupação muito grande, que reuniu todos os gestores das áreas envolvidas, dando apoio ao empresariado amapaense, com a finalidade de diminuir esse impacto, pois era de interesse de todos que não tivéssemos desabastecimento”.
A manifestação local não afetou o mercado interno. O problema foi ocasionado nas paralisações nos grandes centros urbanos. Isso porque cerca de 90% do que o amapaense consome, vem de outros estados, inclusive, do tomate à farinha, e do ovo ao frango.
O presidente Josué Rocha definiu que a situação está sendo normalizada e que o amapaense não deverá sofrer com falta de alimentos, e que os prejuízos financeiros causados para o Estado e ao empresariado é imensurável. “Em uma situação desse tipo, todos perdem, o único que não perde é o governo, que diz que está perdendo mais, não está perdendo nada. Todos nós estamos pagando por essa situação inesperada. Pagando preços mais caros, alguns produtos vão chegar com datas próximo de vencimentos e vamos ter de colocar na ponta para queimar, sempre existem perdas”.

Gargalos técnicos

Após o fim da paralisação dos caminhoneiros, a preocupação da população brasileira é com a qualidade dos produtos que estão sendo entregues nos supermercados de todo país. Para comentar sobre o assunto e esclarecer dúvidas sobre os impactos na indústria de alimentos, conversamos via correio eletrônico com a coordenadora do curso de Engenharia de Alimentos do Instituto Mauá de Tecnologia, professora e doutora Eliana Paula Ribeiro.
Ela explicou que a paralisação dos caminhoneiros acabou afetando todas as regiões brasileiras. No Amapá, por ter esse sistema de entrega por balsa, o que não tiver dependência de caminhão, não sofrerá alterações.
Porém, o que envolve o transporte rodoviário, as mercadorias que vão chegar de caminhão podem apresentar alguns problemas sim, principalmente os alimentos perecíveis.
A qualidade com que os perecíveis vão chegar até o Estado vai depender muito de como era a estrutura do caminhão que estava transportando os produtos. Para o caso dos congelados e refrigerados, por exemplo, vai depender se o sistema resistiu a paralisação e se manteve os produtos em um ambiente frio.
“Para as frutas, verduras e legumes já não tem muito jeito, a qualidade vai ser afetada com certeza. Se o caminhão que estava transportando, por exemplo, ficou embaixo do sol, os produtos acabam estragando”, explicou a engenheira alimentar.
No geral, Eliana Ribeiro declarou que vale destacar que o mais importante é saber quanto tempo os alimentos ficaram parados e em quais condições. Entender qual era a estrutura do caminhão, qual a temperatura e se o sistema de refrigeração ficou ligado ou desligado durante o tempo que os veículos ficaram parados nas estradas.

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