COBERTURA VACINAL DO HPV PARA ADOLESCENTES
A
vacinação de adolescentes contra o Papiloma Vírus Humano - HPV é uma estratégia
do Ministério da Saúde junto como o Programa Nacional de Imunização, que tem
como público alvo meninas entre 9 a 14 anos e meninos de 12 a 13 anos,
possuindo como porta de entrada as escolas e/ou Unidade Básica de Saúde.
A
vacinação tem por objetivo prevenir a incidência de novos casos de câncer do
Colo do Útero e câncer de Pênis. Ricardo
Barros, ministro da Saúde, anunciou alterações no esquema de vacinação contra
HPV. A partir de agora, essa imunização será oferecida a meninos de 11 a 15
anos incompletos. Desde janeiro, a vacina em questão passou ser disponibilizada
no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos de 12 a 13 anos. Até então, era
aplicada somente em meninas com menos de 15 anos.
A
medida se torna ainda mais importante com a divulgação recente (do dia 27 de
novembro de 2017) de que mais da metade dos jovens brasileiros entre 16 e 25
anos possuem algum tipo de HPV. E, em 38,4% deles, tratam-se do subtipos de
alto risco, maios associados a câncer.
A meta
estipulada para 2018 é vacinar 80% das 7,1 milhões de crianças brasileiras do
sexo masculino nessa faixa etária, a fim de protegê-las, inclusive, dos
cânceres de pênis, garganta e ânus, diretamente ligados ao HPV. Para atingir
esse objetivo, o Ministério da Saúde promoverá campanhas e intensificará os
mutirões de vacinação nas escolas.
As
Unidades Básicas de Saúde agora oferecem a vacina contra o HPV, que já é
oferecida na rede privada há alguns anos. Com forte apoio da Sociedade
Brasileira de Pediatria e suas filiais, da Sociedade Brasileira de Imunização e
da Organização Mundial da Saúde, a vacina é voltada para garotas a partir dos
nove anos. Devido à divulgação da campanha, tanto os pais quanto os
adolescentes tem tido muitos questionamentos, alguns dos quais discuto a seguir:
O que
é o HPV?
O HPV
é um vírus cujo nome é Papiloma Vírus Humano. Sua transmissão se dá
principalmente por via sexual, sendo o responsável por casos de câncer de colo
de útero, além de câncer de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe. Além disso,
é também responsável pelas verrugas genitais conhecidas como condiloma
acuminado. Cerca de 50% dos indivíduos, homens ou mulheres, terá contato com
algum tipo de HPV após 2 anos de vida sexual ativa.
Quem
deve receber a vacina contra o HPV?
Existem
dois tipos de vacina contra o HPV, a quadrivalente, recomendada para meninos e
meninas entre nove e 26 anos de idade e a bivalente, para meninas e mulheres a
partir dos 10 anos de idade. Todos os indivíduos nesta faixa etária deveriam
receber a vacina. Hoje, sabe-se que a resposta imunológica à vacina é melhor
quando aplicada até os 15 anos de idade, o que não contra indica a sua
aplicação para os demais.
Porque
os meninos devem receber a vacina contra o HPV?
Os
meninos devem receber a vacina para sua proteção contra os canceres de pênis,
ânus e garganta e contra as verrugas genitais. Além disso, por serem os
responsáveis pela transmissão do vírus para suas parceiras, ao receber a vacina
estão colaborando com a redução da incidência do câncer de colo de útero e
vulva nas mulheres.
Qual a diferença entre as vacinas?
A
vacina contra HPV bivalente é composta pelos vírus 16 e 18, responsáveis por
70% dos casos de câncer de colo de útero. A vacina contra HPV quadrivalente é
composta pelos vírus 16, 18, 6 e 11, os 2 últimos causadores das verrugas
genitais em 90% dos casos. A vacina oferecida nos postos de saúde é a
quadrivalente.
Quais são os efeitos colaterais desta
vacina?
O
principal efeito colateral desta vacina é a dor no local da aplicação. Pode
ocorrer febre e mal estar nos primeiros dias, mas são efeitos pouco comuns. Os
relatos de desmaios estão associados à ansiedade e dor, sendo bastante comuns
em adolescentes que apresentam medo de agulhas diante de qualquer situação de
medicamentos injetáveis ou coleta de exames.
Quem já iniciou a vida sexual não pode mais
tomar a vacina?
A
vacina pode e deve ser recebida por todos, mesmo aqueles que já iniciaram a
vida sexual ativa. Recomenda-se a vacinação antes para uma prevenção mais
eficaz, mas não existe nenhuma contraindicação para quem já é sexualmente
ativo.
E quem já teve HPV, pode tomar a vacina?
Sim, a
vacina pode e deve ser recebida mesmo por aqueles que já tiveram infecção pelo
HPV. Ela não será útil para o tipo já adquirido, mas fará a proteção contra os
demais.
Vacinar crianças não estimula o início da
vida sexual precoce?
Não.
Vacinar os jovens contra doenças infectocontagiosas é um dever dos pais e não
tem influência na decisão de ter ou não atividade sexual. A hepatite B, por
exemplo, é uma doença transmitida por via sexual cuja vacina é aplicada em
todos os bebês no momento do seu nascimento, ainda na maternidade.
Quando
os adolescentes decidem ter uma relação sexual o fazem independente de terem ou
não recebido as vacinas necessárias e por isso é melhor estarem orientados com
relação à prevenção de gravidez e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis),
além de estarem devidamente vacinados.
Qual o esquema da vacinação contra o
HPV?
O
esquema tradicional, utilizado há anos e com excelentes resultados é: 0, 2 e 6
meses, ou seja, aplica-se a 1ª dose, 2 meses após a segunda dose, 4 meses após
a segunda (e seis meses após a primeira) aplica-se a terceira dose. O
Ministério da Saúde aprovou a vacinação em um esquema diferente, aparentemente
eficaz, mas ainda em fase de estudo: 0, 6 e 60 meses. As clínicas particulares
seguem a orientação de 0, 2 e 6 meses.
Se já se tiver iniciado a vacinação na
rede privada, pode completá-la na rede pública?
Sim,
se as doses aplicadas foram da vacina quadrivalente, o esquema vacinal poderá
ser finalizado na rede pública. Para as famílias que optarem pelo esquema
tradicional de 0, 2, 6 meses, também será aceito que se faça a primeira e
última doses no posto de saúde e a segunda dose em clínicas particulares.

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