sábado, 6 de outubro de 2018

'Uma Democracia forte exige um Executivo e um Legislativo forte'




Escolher o legislador é tão importante quanto a escolha de presidente e do governador. Faça o seu voto ter o poder de decidir a favor do desenvolvimento do Estado do Amapá.

Reinaldo Coelho

Neste 7 de outubro estaremos escolhendo seis candidatos (Presidente, dois Senadores, Deputado Federal, Governador e Deputado Estadual) que durante quatro anos estarão com as rédeas da economia e da política em suas mãos, poder esse outorgado pelos brasileiros nessa votação de 2018.
Amanhã, quando estivermos indo para as Zonas Eleitorais e em conversas com amigos, devemos lembrar que desde 2013 estamos enfrentando uma crise política, econômica e institucional. E o pior ela ainda não acabou.
A função dos Estados é prestar serviços à população usando o dinheiro dos impostos. O problema é que com a economia do jeito que está os gastos crescem mais rápido que a arrecadação.
Teve aumento dos preços da energia elétrica, combustível, remédios e alimentos. A arrecadação não acompanha porque há menos emprego, produção e consumo, as atividades sobre as quais incidem os impostos. Essa situação já levou diversos Estados a gastar mais do que arrecadam. E outros vão pelo mesmo caminho.
A velha saída era pegar dinheiro emprestado, mas os Estados não podem mais fazer isso. Em 1997 o governo federal lançou o Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal, financiando a dívida dos estados por até 30 anos, a juros camaradas de 6% ao ano mais inflação.
Em troca fez uma série de exigências, entre elas, privatizações, redução de novos investimentos, limites para gastos com funcionários e proibição de novas dívidas. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 1999, trouxe termos ainda mais severos: com ela, os governadores que não cumprirem a lei podem parar na cadeia.

Economia lenta

Ainda que a positividade dos dados apresentados pelos economistas esse não se reflete de forma prática na melhoria das condições de vida dos brasileiros, os indicadores confirmam que a confiança no País voltou. Prova disso é a Bolsa de Valores de São Paulo estar registrando recorde após recorde neste início de ano.
Então por que ainda persiste a sensação de que o fim da crise é quase uma utopia?
“A gente vê que, de uma maneira geral, a economia vem melhorando. Mas é uma melhora lenta e gradual” afirma o economista Marcel Grillo Balassiano, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Uma das razões para a lentidão da retomada é a o efeito destruidor da recessão no biênio anterior, o que, na prática, colocou a economia no mesmo patamar que estava em 2010. Com o avanço do PIB no ano passado, avançamos para o cenário de 2011. É muito atraso para recuperar de uma vez só. A única vez que o PIB brasileiro ficou negativo por dois anos seguidos foi logo após a crise de 1929, e mesmo assim, em níveis menores. Estudos do próprio IBRE/FGV apontam que deverão ser gerados em 2018 entre 700 mil e 1 milhão de postos de trabalho.
Mas os Estados mais pobres, caso do Amapá, que depende dos repasses da União para se manter equilibrado, vem tratando da gestão econômica com sobriedade e mantendo em dias. Caso que não aconteceu com as maiores economias estaduais brasileira, Caso do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

No Amapá a economia começou a crescer lentamente

Com a implantação de indústrias no Amapá o Estado tem se tornado forte em atrativo nos recursos minerais, florestais e produção de alimentos oriundos dos insumos agropecuário e pesqueiro, além da boa localização estratégica para a importação e exportação no comércio exterior.

Agricultura pujante

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) manteve a previsão de crescimento de 6,8% em relação ao obtido em 2017 para cereais, leguminosas e oleaginosas. Segundo a expectativa, a colheita de 2018 deve alcançar 62,6 mil toneladas.
A área plantada no estado também deve crescer na mesma proporção, com expansão de 6%, principalmente para o cultivo da soja, que vai ocupar 58 mil toneladas da produção total. Em relação aos grãos, o Amapá terá colheita superior a estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Amazonas.
Itens como cana-de-açúcar e mandioca devem ter alta no total plantado, enquanto arroz e banana devem render menos que o produzido em 2017. A previsão do IBGE faz parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), feito mensalmente pelo instituto.
Ao todo, a previsão de produção do Norte é de 8,5 milhões de toneladas, uma queda de 4,1% frente a produção do ano passado. Para a região, a produção amapaense anual vai representar 0,7% do total do que for colhido entre os sete estados da região.

Saldo comercial positivo

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) revelam que o Amapá foi um dos 18 estados brasileiros que registrou saldo favorável na balança comercial de maio deste ano. Comparado ao mesmo período do ano passado, o saldo comercial do estado foi de US$ 43,57 milhões.
De janeiro a maio de 2018, o Amapá exportou US$ 43,57 milhões. O número é 6,5% maior que maio de 2017. No estado, o principal produto de exportação é o ouro. O metal em formas semifaturadas representa 68% das vendas na região. A venda de madeira em estilhas ou partículas vem em segundo lugar.
No cenário nacional, as exportações brasileiras foram de US$ 19,241 bilhões. Já as importações totalizaram US$ 13,260 bilhões. Com isso, o saldo comercial do Brasil em maio foi de US$ 5,981 bilhões, terceiro melhor resultado para o período ficando atrás de 2017 (US$ 7,661 bilhões) e 2016 (US$ 6,432 bilhões).

União: uma mãe perversa

A má gestão dos estados atrapalhava a economia do país e a União não podia fazer nada. Agora é o contrário: a política econômica federal – que gera inflação e baixo crescimento – afeta a gestão dos estados e eles pouco podem fazer. Pior: a dívida deles com a União não para de crescer, tanto que os Estados não conseguem quitar nem os juros.Como sair dessa?
“Não há muito que os Estados possam fazer isoladamente”, afirma o economista Francisco Lopreato, autor de O Colapso das Finanças Estaduais e a Crise da Federação. Eles só têm duas opções: aumentar receitas com novos impostos ou cortar gastos com investimentos e serviços (que já não são lá grande coisa). A União pode ajudar a apagar incêndios graves, mas a solução definitiva passa por uma reforma tributária que aumente a arrecadação, pela retomada do crescimento e pela queda da inflação.
Com essa perspectiva para iniciar uma nova administração em 2019 tanto federal quanto estadual é a hora do eleitor, escolher uma opção de governança que traga segurança e estabilidade frente ao que se retrata no futuro,
Nesse ambiente conturbado politicamente e economicamente ficou mais difícil a aposta de que a passagem de bastão poderá se dar para uma liderança disposta a tocar uma agenda austera, com reformas estruturais impopulares, mas considerada essencial para uma volta firme ao crescimento.
Os sinais indicam que estão se tornando mais encantadores os que prometem vir com soluções milagrosamente fáceis, que deixem de lado a racionalidade das contas, ou que apelem para conceitos difusos e manipuláveis, como o nacionalismo e o personalismo.
Em outras palavras, propostas populistas que invoquem o emocional de um eleitorado frustrado com tudo o que está aí: do desemprego à má qualidade dos serviços recebidos em troca dos impostos, passando pela interminável revelação de roubalheira do dinheiro público. No panorama atual a tentação populista pode vir tanto do lado direito quanto do lado esquerdo do espectro ideológico – o Brasil já conheceu exemplos populistas de ambas as vertentes, como os presidentes que se sucederam no início dos anos 60, Jânio Quadros, da direita, e João Goulart, esquerdista. E os resultados não foram bons, nem para o Brasil e principalmente para os brasileiros mais pobres.



Os candidatos ao Planalto e suas promessas inviáveis!

“Uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”. A famosa frase atribuída a Joseph Goebbels (1897 – 1945), então Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista (1933 a 1945) reverbera até hoje, principalmente durante as campanhas políticas. Analisando o discurso dos candidatos a presidência e pesquisando em seus planos de governo é fácil constatar a fragilidade entre as propostas e efetividade para o cumprimento das promessas políticas após a vitória nas urnas.
Todo candidato à Presidência da República precisa apresentar uma proposta de programa de governo junto ao Tribunal Superior Eleitoral, que fica exposto no site do tribunal. Qualquer cidadão com acesso a internet pode acessar e ler. Muitas coisas mudam com o passar do tempo, porém os candidatos insistem no hábito de ludibriar o eleitor com promessas infundadas.
Analisando os cinco mais bem pontuados na pesquisa Ibope da semana passada, começando pelo indicado do ex-presidente Lula (PT) Haddad que assegura isentar de Imposto de Renda quem ganha até cinco salários mínimos. A proposta é considerada populista. Para o economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos), Sandro Silva, se a medida for tomada isoladamente, a arrecadação vai cair demais. “Precisamos de uma reforma tributária em que os mais pobres paguem menos”.
O mais badalado dos candidatos, Bolsonaro (PSL), assessorado pelo economista Paulo Guedes, sócio da BR Investimento diz em seu programa de governo, “as economias de mercado são historicamente o maior instrumento de geração de renda, emprego, prosperidade e inclusão social”. A intenção do candidato é eliminar o déficit fiscal já no primeiro ano. Especialistas afirmam que é impossível pois pressupõe a elevação muito grande de impostos.
Marina Silva (Rede), propõe chegar a instalação de 1,5 milhão de telhados solares fotovoltaicos até 2022. Segundo a estatal EPE (Empresa de Pesquisa Energética), são projetadas 800 mil unidades consumidoras com micro e mini geração até 2026, portanto a meta da presidenciável é muito ambiciosa para a realidade brasileira devido o alto custo de instalação para a grande maioria das famílias.
Ciro Gomes (PDT) pretende recriar o fundo soberano para impedir as oscilações excessivas do câmbio em função dos ciclos de commodities. Economistas afirmam que isso é impossível pois o Brasil atualmente está devendo e não tem como guardar dinheiro.
Geraldo Alckmin (PSDB) promete abrir a economia e fazer com que o comércio exterior represente 50% do PIB. O economista e professor da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Jailson Dias acha difícil o tucano cumprir a promessa, pois “abertura econômica depende da nossa capacidade de produzir produtos que interessa ao exterior, produtos diferenciados. Abertura econômica se faz de forma paulatina”.
Todos os treze candidatos a presidência do país cometeram alguns exageros em suas propostas. Álvaro Dias (Podemos) por exemplo promete elevar a safra brasileira de grãos para 300 milhões de toneladas. Especialistas garantem que esse número será atingido apenas em 2025 e depende do aumento da demanda mundial. Cabo Daciolo (Patriotas), tem como meta construir 150 mil quilômetros de ferrovias no País. Atualmente o Brasil possui 30 mil quilômetros. Atingir o número proposto de ferrovias demanda recursos financeiros e no mínimo dois mandatos. Amoedo (Novo) pretende privatizar todas as estatais, porém o risco é o aumento generalizado de preços e nas tarifas uma vez que os investidores estão interessados no lucro e não apenas na prestação do serviço.
Vale a pena o eleitor analisar o perfil de cada candidato e escolher o que melhor se adequar, afinal já estamos acostumados com as promessas políticas que quase nunca são honradas por aqueles que um dia sustentaram com discursos demagógicos.
“Lamento aqueles que têm um ar de inteligentes: é uma promessa que se não pode cumprir”. –Émile-Auguste Chartier(1868 – 1951), cujo pseudônimo literário era Alain, foi um jornalista, ensaísta e filósofo francês.
(Fonte: José Antônio Costa)

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