Amanhã (10/11) boletos de qualquer valor podem ser pagos em qualquer banco
A partir de amanhã, sábado, 10/11,
boletos de qualquer valor, inclusive vencidos, podem ser pagos em qualquer
banco, por meio da nova plataforma de cobrança da Federação Brasileira de
Bancos (Febraban). Esta nova e última fase inclui boletos de qualquer tipo,
incluindo faturas de cartão de crédito e doações, entre outros. Segundo a entidade, este tipo de boleto representa 40% do total
de títulos emitidos no país.
Para o consumidor, a medida será
benéfica porque facilita o pagamento de boletos e reduz fraudes. No entanto,
mudança terá impacto - e complicará a vida - de centenas de milhares de
empresários brasileiros, em especial os donos de pequenas empresas. É que, com
a nova regulamentação, a lei que obriga que os boletos emitidos no país sejam
registrados irá passar a valer para todos os títulos emitidos. Ou seja, o
boleto sem registro deixará efetivamente de existir. O primeiro impacto será no
custo: se os boletos sem registro costumavam ser emitidos gratuitamente pelos
bancos, os registrados são cobrados pela instituição financeira. Para quem
emite centenas ou milhares de boletos por mês, isso gerará um custo
representativo.
Atendemos a Superlógica, que é uma
empresa especialista em soluções para a cobrança e também gestão de milhares de
empresas. Gostaria de sugerir uma entrevista sobre o assunto com o André
Baldini, CEO da Superlógica, para falar de toda essa mudança e sobre como a
empresa que emite boletos pode se preparar para essa nova regra, reduzindo os
impactos para seu negócio.
Custo maior – A conta é simples. Se
utilizando o boleto sem registro, a empresa que emite o título paga ao banco
apenas uma taxa de liquidação, na modalidade com registro o empresário terá de
se acostumar com outras cobranças, como taxas de emissão, liquidação,
permanência e protesto. Desta forma, o custo por boleto poderá subir
consideravelmente. Uma empresa que presta serviços e emite milhares de boletos
por mês, por exemplo, pode ter um impacto considerável em sua estrutura de
custos. Como o momento da economia é delicado, provavelmente terá sua margem
reduzida. Já os e-commerces poderão ser ainda mais impactados, porque terão de
arcar com as taxas de emissão de boletos que não são pagos pelo consumidor. De
acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), metade dos
títulos não é pago (desistência de compra).
Mais burocracia – O pequeno
empresário brasileiro fica arrepiado só de pensar em mais burocracia para o seu
negócio. Mas é inevitável que ele tenha de se adaptar a novos procedimentos
para emitir boletos a partir da mudança. Para emitir o boleto com registro, o
empresário terá de se acostumar a cadastrar os dados do pagador, como CPF se for
pessoa física, e CNPJ, no caso de pessoa jurídica. Nesta nova modalidade, será
necessário também enviar arquivo de remessa ao banco a fim de registrá-los.
Sistemas de gestão devem fazer parte desta nova realidade para facilitar o
processo. Um software vai ajudar a gerenciar os pagamentos e fazer
procedimentos básicos como envio de remessa e liquidação do retorno de forma
automática.
Mais segurança – A fraude do boleto
já fez milhares de vitimas no Brasil e trouxe grandes prejuízos a bancos,
empresas e pessoas físicas. A dinâmica da fraude é simples: o consumidor recebe
um boleto aparentemente normal, mas que na verdade vem de uma fonte não
legítima ou teve o código de barras alterado. Assim que o pagamento é feito, o
dinheiro é creditado em alguma conta ligada aos golpistas e perdido. Uma das
razões para o é o crescimento das fraudes. Como na modalidade com registro
tanto emissor quanto pagador têm de ser identificados, as chances de o
consumidor cair em um golpe caem.
Maior uso do cartão de crédito -
Com o cenário de alta das taxas de boleto bancário, é provável que o uso do
cartão de crédito torna-se cada vez mais utilizado, tanto no e-commerce quanto
em serviços que trabalham com mensalidades, como assinaturas de software,
escolas e escritórios de contabilidade. Espera-se também uma diminuição nas
taxas cobradas pelas operadoras.
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