sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Amanhã (10/11) boletos de qualquer valor podem ser pagos em qualquer banco


Amanhã (10/11) boletos de qualquer valor podem ser pagos em qualquer banco




A partir de amanhã, sábado, 10/11, boletos de qualquer valor, inclusive vencidos, podem ser pagos em qualquer banco, por meio da nova plataforma de cobrança da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Esta nova e última fase inclui boletos de qualquer tipo, incluindo faturas de cartão de crédito e doações, entre outros. Segundo a entidade,   este tipo de boleto representa 40% do total de títulos emitidos no país.
Para o consumidor, a medida será benéfica porque facilita o pagamento de boletos e reduz fraudes. No entanto, mudança terá impacto - e complicará a vida - de centenas de milhares de empresários brasileiros, em especial os donos de pequenas empresas. É que, com a nova regulamentação, a lei que obriga que os boletos emitidos no país sejam registrados irá passar a valer para todos os títulos emitidos. Ou seja, o boleto sem registro deixará efetivamente de existir. O primeiro impacto será no custo: se os boletos sem registro costumavam ser emitidos gratuitamente pelos bancos, os registrados são cobrados pela instituição financeira. Para quem emite centenas ou milhares de boletos por mês, isso gerará um custo representativo.
Atendemos a Superlógica, que é uma empresa especialista em soluções para a cobrança e também gestão de milhares de empresas. Gostaria de sugerir uma entrevista sobre o assunto com o André Baldini, CEO da Superlógica, para falar de toda essa mudança e sobre como a empresa que emite boletos pode se preparar para essa nova regra, reduzindo os impactos para seu negócio.
Custo maior – A conta é simples. Se utilizando o boleto sem registro, a empresa que emite o título paga ao banco apenas uma taxa de liquidação, na modalidade com registro o empresário terá de se acostumar com outras cobranças, como taxas de emissão, liquidação, permanência e protesto. Desta forma, o custo por boleto poderá subir consideravelmente. Uma empresa que presta serviços e emite milhares de boletos por mês, por exemplo, pode ter um impacto considerável em sua estrutura de custos. Como o momento da economia é delicado, provavelmente terá sua margem reduzida. Já os e-commerces poderão ser ainda mais impactados, porque terão de arcar com as taxas de emissão de boletos que não são pagos pelo consumidor. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), metade dos títulos não é pago (desistência de compra).

Mais burocracia – O pequeno empresário brasileiro fica arrepiado só de pensar em mais burocracia para o seu negócio. Mas é inevitável que ele tenha de se adaptar a novos procedimentos para emitir boletos a partir da mudança. Para emitir o boleto com registro, o empresário terá de se acostumar a cadastrar os dados do pagador, como CPF se for pessoa física, e CNPJ, no caso de pessoa jurídica. Nesta nova modalidade, será necessário também enviar arquivo de remessa ao banco a fim de registrá-los. Sistemas de gestão devem fazer parte desta nova realidade para facilitar o processo. Um software vai ajudar a gerenciar os pagamentos e fazer procedimentos básicos como envio de remessa e liquidação do retorno de forma automática.

Mais segurança – A fraude do boleto já fez milhares de vitimas no Brasil e trouxe grandes prejuízos a bancos, empresas e pessoas físicas. A dinâmica da fraude é simples: o consumidor recebe um boleto aparentemente normal, mas que na verdade vem de uma fonte não legítima ou teve o código de barras alterado. Assim que o pagamento é feito, o dinheiro é creditado em alguma conta ligada aos golpistas e perdido. Uma das razões para o é o crescimento das fraudes. Como na modalidade com registro tanto emissor quanto pagador têm de ser identificados, as chances de o consumidor cair em um golpe caem.

Maior uso do cartão de crédito - Com o cenário de alta das taxas de boleto bancário, é provável que o uso do cartão de crédito torna-se cada vez mais utilizado, tanto no e-commerce quanto em serviços que trabalham com mensalidades, como assinaturas de software, escolas e escritórios de contabilidade. Espera-se também uma diminuição nas taxas cobradas pelas operadoras.


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