sábado, 22 de dezembro de 2018

Atleta do Passado







“Um dos atacantes mais clássicos do Futebol Amapaense, o qual tive o privilégio de jogar ao seu lado, garoto do Laguinho, atrevido, bom de bola, habilidoso, irreverente, com seus toques refinados, matador implacável que conhecia como ninguém a grande área, “infernizava” seus adversários, fazendo belíssimos gols no palco sagrado do Glicerão” (Roberto Foguetinho).


Raimundo Sérgio da Silva Ramos, o Sené


 Franselmo George

            O atleta do passado de hoje, é Raimundo Sérgio da Silva Ramos, mais conhecido como Sené. “Um dos atacantes mais clássicos do Futebol Amapaense, o qual tive o privilégio de jogar ao seu lado, garoto do Laguinho, atrevido, bom de bola, habilidoso, irreverente, com seus toques refinados, matador implacável que conhecia como ninguém a grande área, “infernizava” seus adversários, fazendo belíssimos gols no palco sagrado do Glicerão”(Roberto Foguetinho).
              Sené nasceu em Macapá, no dia 15 de dezembro de 1963, na avenida General Osório, no Bairro do Laguinho. Filho de Raimundo Tavares Ramos, oriundo da Localidade do Curiaú. Sua mãe se chamava Onarina da Silva Ramos, natural do município de Mazagão.
              Começou a jogar futebol com 15 anos de idade, pela equipe de Juniores do Esporte Clube Macapá. “Em casa tivemos uma sequência de jogadores de futebol, meu irmão foi
bicampeão pelo São José, jogando no gol, conhecido como “Querosene”, mais o Bein, que todo mundo já conhece, e o Mário, campeão do primeiro campeonato amapaense de futebol profissional pelo Esporte Clube Macapá, em 1991, no comando do técnico Temica”. Como era muito novo e com um elenco só de craques, não foi aproveitado no time principal. “Na época o treinador era o saudoso Aluízio Brasil, e não foi só eu, também meu irmão Bein foi dispensado, nessa época pensei até em parar de jogar futebol”.
               Nosso atleta do passado lembra quando o Treinador Bento Goes de Almeida convidou para treinar no time do São José – “Estava eu e o Bein batendo bola no campo do América, quando fomos convidados pelo professor para treinar no “Tricolor do Laguinho”. No primeiro Campeonato Amapaense, Sené arrebentou! Apenas 16 anos de idade. O time do São José era formado na maioria por “garotos”; meio de campo: Sené, Bein e Orlando. “Jogamos o campeonato e ficamos em 4º lugar, antigamente o campeonato era disputadíssimo”.
               Em 1982 Sené foi para o Independente Esporte Clube, no final do ano foi chamado pelo José Maria Gomes Teixeira, o “Manga”, já no ano seguinte, em 1983 se sagrou campeão pelo Independente, meio de campo era Vitor, Bein e Sené, os demais jogadores eram: Camecran, Ramabi, Edinho, João Oliveira, Damasceno, Ananísio, Aluizio Tupã, Itamar, Vasconcelos, Zé Preta, Augusto Cancão, Socó e Rodolfo. “Nessa época eu era meia esquerda. Quem me adaptou como centroavante foi o técnico Maranhão, em 1985, no Trem Desportivo Clube. Nosso time tinha dificuldades de ataques, era muita correria na frente e não tinha ninguém para segurar a bola. A bola ia e voltava, foi quando o Maranhão me chamou e perguntou se eu queria ser centroavante. Até então eu disse que não, porque centroavante é uma posição complicada, você joga de costas para a zaga, toda hora pegando porrada de zagueiro. Até que um dia eles me convenceram, de lá não quis mais sair, acertei minha real posição”.
Dos times grandes - o único clube que Sené não atuou foi no Ypiranga Clube. “Na época, antes de me transferir para o Carcará, fiz um acerto com o Ypiranga, mas não deu certo. Foi quando surgiu a oportunidade de eu ir para o Independente. Depois joguei no Santana Clube, E. C. Macapá, Amapá Clube, Trem Desportivo Clube e São José”.
              Fora do Estado Sené jogou no Rio Negro de Manaus, logo após o Copão da Amazônia de 1985, e no Paysandu de Belém do Pará, em 1993. No Paysandu tive a oportunidade de jogar ao lado de Paulo Vitor, Rogerinho, Edil, Nad, César, Jardel (Toiotinha),..Participamos do Torneio Pará/Ceará, torneio tradicional naquela época. Jogamos contra o Fortaleza, Ceará e Clube do Remo.

              Ao perguntar qual o melhor estádio que jogou, Sené cita o Estádio Castelão, hoje Arena Castelão, em Fortaleza-CE. “Gostei também de um estádio na cidade do interior do Maranhão, chamada Bacabal, atuando pelo Paysandu em um amistoso, era um pequeno estilo Glicério Marques, só que era um Glicério melhorado. E o Mangueirão em Belém.”
 
               Sené disputou quatro Copões da Amazônia; um pelo Independente Esporte Clube, em 1983, em Boa Vista-RR. O segundo Copão foi pela equipe do Trem Desportivo Clube em 1985, novamente no Estado de Roraima, onde sagrou-se campeão da competição. O terceiro Torneio da Integração foi pelo Amapá Clube, em 1989, em Santarém-PA. O último Copão foi pelo Trem Desportivo Clube, na última edição do torneio, em 1990, em Macapá, sendo campeão em cima da forte equipe do Independente Esporte Clube. No total, Sené conquistou dois títulos do Copão da Amazônia. “No Copão da Amazônia de 1985, onde conquistamos o primeiro título para o Trem, chegamos lá desacreditado, só davam importância para o Baré, time da casa, e para o Juventus, do Acre. O time do Trem podia ir mal no campeonato local, mas no Copão, se desdobrava, era amor à camisa”. Sené foi eleito o artilheiro e o melhor jogador do Torneio da Integração da Amazônia de 1985. “Pra mim foi gratificante, todo mundo batendo palmas quando citaram meu nome. Não estava esperando isso ainda. Eu sabia que poderia ir muito longe como jogador de futebol, mas naquele momento que eu vi, que realmente dava para ir um pouquinho mais à frente”.

              “Falar de Raimundo Sérgio Sené como jogador de futebol é muito fácil, meu amigo - Começamos a jogar juntos pelo São José, Trem Desportivo Clube e Santana Clube. Jogava tanto de meio campo como de centroavante - E por onde passou fez muitos gols, tem vários títulos. Eu, como amigo sou suspeito de falar, mas tenho saudades da meiuca - Eulan, Bein e Sené. Tenho muitas histórias para contar dele como jogador de futebol. Para mim um dos maiores que passou pelo nosso futebol”, comenta o ex-craque Eulan.
              “Grande craque do futebol amapaense nos anos 80 e 90, artilheiro pelos clubes onde jogou, jogava com elegância e categoria e faz parte da história do futebol amapaense”, ressalta, o ex-craque Mário Sérgio.
               O ex-craque Nerivaldo lembra do início de carreira no juvenil do E. C. Macapá – “Corremos atrás de times para jogar. A equipe do “Azulino” era um timaço, não tinha vaga para os muitos jogadores revelados. Joguei com o Sené pela Seleção Amapaense, Trem e Santana. Não queria ser centroavante, depois adorou a posição - Inteligente, dei muitas bolas pra ele fazer gols. Só queria fazer gols bonitos, eu brigava com ele; faz de qualquer jeito, ele sorria; e dizia: - Não gosto de fazer gol fácil. Com o tempo e com a concorrência de grandes atacantes, passou a fazer gol até de bico - Um dos grandes centroavantes do nosso futebol, eu tive o prazer de jogar com a fera”.
              Nosso centroavante lembra de craques como: Léo, Ademir França, Haroldo Santos. “Dava vontade de você ir ao estádio - ver um Casé jogar, tive o prazer de jogar ao lado de Marcelino, Jason, o próprio Mário Sérgio, Joguei junto com Coroca, Lagóia de Santana. E você vai hoje no estádio, só tristeza de ver os caras jogando bola”

              Sené se emociona ao lembrar do problema de saúde que passou recentemente – “O músculo do meu coração estava fraco - Nunca pensei que isso aconteceria comigo. O fato de ter sido atleta por muitos anos me ajudou muito na minha recuperação”. Encerrou sua carreira aos 31 anos de idade, em 1994, pela equipe do Esporte Clube Macapá. Tem hoje 55 anos de idade, completados no dia 15 de dezembro. Pai de 4 filhas e 7 netos. Atualmente trabalha numa empresa que presta serviços para a Prefeitura de Macapá.





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