sábado, 26 de janeiro de 2019

Atleta do Passado








Waltemir Garcia de Oliveira – ex-lateral-direito Temica


 Franselmo George 


O atleta do passado desta semana é o ex-lateral-direito Waltemir Garcia de Oliveira, popularmente conhecido como “Temica”. Nasceu em Macapá, no bairro Central, no dia 23 de abril de 1957. Seus pais são todos paraenses da Região do Marajó. Seu pai foi um dos pioneiros do Estado do Amapá, se chamava Walter Augusto de Oliveira. Chegou em Macapá por volta de 1948, natural de Caviana, ocupou várias atividades como comerciante; trabalhava com gelo(frigorífico) na Doca da Fortaleza e trabalhou também com ônibus urbano na cidade. Foi um dos pioneiros na parte de vigilância sanitária no Amapá. Era funcionário da antiga DENERU(Departamento Nacional de Endemias Rurais), que tempo depois se tornou SUCAM(Superintendência de Campanhas de Saúde Pública) que combatia a febre amarela no então Território Federal do Amapá. Ela, Francisca Garcia de Oliveira, natural de Soure, foi comerciante e doméstica.

COMEÇO -  Com 11 anos de idade Temica começou a bater bola, morava próximo da Doca - “Nessa época, existia muitas praias, a maré baixava, local onde era o antigo Estaleiro do Território do Amapá, que era feito os reparos das embarcações do governo, existia um campo improvisado, muito movimentado, que também tinha o pessoal das canoas de abaetenses que jogavam bola com a gente. Depois começamos a jogar na frente do Hotel Macapá, próximo do Trapiche Eliezer Levi. “Então eu comecei a jogar futebol em praia. Nos mudamos da Doca, e viemos morar próximo onde é hoje o Corpo de Bombeiros, bem na esquina da Padre Júlio com a Hamilton Silva que também é bairro Central. Nesse local existia o campo do Bombeiro, era só atravessar a rua. Um dia estávamos jogando quando apareceu o professor Bento Goes que tinha um time denominado “Favelão”, foi quando ele me convidou para participar, no qual chegamos a disputar o antigo “Jotistão” que era realizado na Praça da Conceição, e eu era novo, tinha meus 14 anos. Após o Favelão, Bento me levou para o São José, onde surgi nas divisões de base do tricolor do Laguinho, juvenil, aspirantes e também na equipe principal.


INICÍO NOS CLUBES – Pela equipe principal do São José, Temica jogou de 1975 até 1976. Ainda em 1976, Temica se transfere para o Santana Esporte Clube. Waltemir Garcia estava em busca de um emprego que veio na hora certa. Mas antes disso alguns colegas de Temica já tinham jogado no Santana, caso do Jucy, o Carlito que tinha um emprego na Brumasa, inclusive foi o Carlito que convidou o Temica, como trabalhava na empresa insistiu para que viesse para o Santana - “Falei pra ele: eu vou, mas se tiver um emprego. Foi quando seu Michel Abraão diretor administrativo da Brumasa me propôs um emprego, em contrapartida teria que jogar pelo Santana. Fiz um teste na parte de contabilidade, fui aprovado e sai do São José, fiquei dois anos no Canário, após isso fui estudar em Belém”. Nas férias da faculdade Temica sempre reforçava as equipes.
COPÃO DA AMAZÔNIA -  Temica participou de um único Copão da Amazônia em sua vida, e foi em 1988, como auxiliar técnico da equipe do Trem Desportivo Clube. Nesse Copão, chave realizada em Boa Vista, Roraima, vencedores da chave, e na final enfrentaram o ganhador da chave de Rondônia, no caso o Atlético Acreano. No primeiro jogo o Trem não tomou conhecimento do adversário e venceu dentro do José de Melo por 2 X 1. No segundo jogo no Augusto Antunes, em Santana o time acreano venceu a “Locomotiva” por 1 X 0, forçando um terceiro jogo. No terceiro jogo final, vitória do Trem por 3 X 0, conquistando o tetra do Copão da Amazônia.


 O QUE REPRESENTAVA O COPÂO DA AMAZÔNIA ? - “O Copão da Amazônia tinha toda uma expectativa por parte dos jogadores, comissão técnica e diretoria, até porque os atletas se preparavam para esse evento, que era o máximo. Manaus era parada obrigatória para as compras, fora o intercâmbio com os estados, que na época a maioria eram territórios. E o Trem foi uma equipe que sempre se deu bem no Copão da Amazônia, tinha uma organização muito grande, a diretoria dava toda condição de logística para que o time desempenhasse um bom futebol”.
TÍTULOS – Temica foi vice-campeão em 1976, pelo Santana Clube, final contra o Ypiranga Clube. Participou do jogo de entrega de faixas pelo Esporte Clube Macapá (campeão amapaense de 1978). Como técnico, Temica trabalhou no Trem em 1988(campeão do Copão), no Esporte Clube Macapá em 1991(campeão amapaense), em 1992 comandou o Macapá na Seletiva do Brasileiro da Série B, realizada em Manaus. Trabalhou no Oratório, no Independente e no Cristal.

PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA - 1981, depois de se formar em Belém como professor de educação física, Temica foi jogar no Amapá Clube. Depois foi para o Oratório onde atuou por mais dois anos, encerrando sua carreira em 1983. “Resolvi parar porque tinha que começar minha vida profissional bem, está com o corpo sã é fundamental”.
CRAQUES QUE VIU JOGAR – “Naquela época todos os times eram bem abastecidos de craques, no caso o Santana você tinha: Antônio Trevizani, Mareco, Socó, Tiago, Bigu(goleiro); São José: Zé Roberto, Alceu, Odilon, Joca, Jucy, Piraca, Orlando Torres, Haroldo Pinto, Sabará, Penafort, Léo, Antoninho Costa; Amapá Clube: Palito(pai), Antuzio; Macapá: Bira, Bill, Aldemir França, Bandeirantes, Jonas, Nariz, Marco Antônio, Barradas, João de Deus...Tem um fato que sempre eu conto – Meu vizinho de casa na época que eu morava na Doca era o Orlando Torres (jogou no Juventus, após o Juventus desaparecer foi para o São José). Então quando ele ia para o estádio eu pegava uma carona na garupa da bicicleta dele, tinha a oportunidade de entrar e reparar a bicicleta dele. Várias vezes aconteceu de vim com o Orlando, depois ainda tive a felicidade de jogar com ele no São José”.
FUTEBOL ONTEM E HOJE – “A diferença é muito grande do antigo para o presente. A saída do amador para o profissional, por um lado é bom porque abre espaço para disputa das competições à nível nacional, mas em contrapartida tem o problema dos clubes não terem condições de bancar o profissional, tem que ter ajuda do governo, dos empresários, e isso não é suficiente. Cada clube tem que ter seu quadro de sócios pra poder fluir. Então essa ausência de estruturas é que fez cair muito o futebol do nosso estado. A partir daí os clubes começaram a fazer contratações de fora, trazem praticamente um time todo, deixando os atletas locais esquecidos. Não há trabalho de bases nas equipes”.
DIRIGENTES DE DESTAQUES – “No São José: tivemos um presidente muito bom, Dr. Alirio Rodrigues; no Trem: o Osmar Marinho(pai); pelo Macapá: Raimundo Anaice; Amapá Clube: Jarbas gato, Olinto Ponciano e Osmar Ribeiro. Já na época do profissional tivemos o presidente Bené Bittencourt, que foi campeão comigo no Esporte Clube Macapá em 1991. Ele era um dirigente muito dedicado, gostava do clube, o que estivesse no seu alcance ele fazia pelo clube”.
FINALIZANDO - Nosso craque está hoje com 61 anos de idade. Há cinco anos se aposentou como professor de educação física do Ex-Território Federal do Amapá. Ainda bate sua bolinha pela equipe Super Masters do Oratório Recreativo Clube. Este ano a equipe foi vice-campeã da Copa do Mundo (Praça da Conceição), representando a Rússia. Temica é casado com a Dr.ª Maria Dorian Cavalcante de Sousa(Pediatra). Tem um casal de filhos, e uma netinha. O seu filho trabalha como médico(Psiquiatra) em São Luis-MA. Sua filha está no quinto ano de medicina em Belém.







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