Renivaldo Costa - sociólogo
No artigo anterior, eu citei texto
de Luiz Carlos Mantovani Néspoli – Superintendente da ANTP (Associação
Nacional de Transportes Público) – que lança alguns questionamentos que na
opinião dele são o cerne de tudo que precisamos entender para chegar à
conclusão que a tal licitação proposta neste momento é intempestiva e seu
edital equivocado.
“Da mesma forma, pode ser desejável que
os intervalos entre ônibus sejam os menores possíveis. A frequência de serviço
é determinada pelo carregamento da linha ao longo do seu percurso e em cada
horário de funcionamento, a partir de um padrão máximo de lotação dos ônibus,
em geral de 6 passageiros em pé por metro quadrado, e da definição de
intervalos mínimos. Nos horários de pico, em alguns trechos do itinerário é
muito frequente lotações maiores. Deve-se reduzir os intervalos para aumentar o
conforto? Até que valor? Quanto custaria?
O tamanho dos veículos deve ser coerente
com o papel que a linha exerce na rede, se alimentadora, local ou estrutural
(corredores) e dos horários de atendimento de acordo com a demanda. Ao lado do
tamanho, ainda há outras decisões quanto aos padrões de tecnologia e qualidade
dos veículos, o tipo de combustível, previsão de ar condicionado e o tipo de
tecnologia embarcada para controle e gestão e de interatividade com o
passageiro. Quais os padrões desejáveis da sociedade? Ela estaria disposta a
paga-los?
Outro aspecto relevante é a velocidade
comercial média dos ônibus nas linhas. A circulação dos ônibus sujeitos ao
tráfego de automóveis (congestionamento) ou em faixas exclusivas é determinante
para o custo operacional, tanto para dimensionamento da frota de veículos,
quanto da mão de obra vinculada, além de envolver custos operacionais
adicionais. A gestão do trânsito na via urbana é responsabilidade da
prefeitura. A política de circulação adotada pela prefeitura contribui,
portanto, diretamente pelo custo operacional da rede. Como os municípios estão
agindo para atender as diretrizes da Lei de Mobilidade Urbana e o que a
sociedade local pensa disto?
Relevante por igual é a quantidade de
mão de obra empregada na operação dos serviços. Por exemplo, a função de
cobrador, praticamente desnecessária em razão do estágio tecnológico atual para
validação do pagamento da passagem, que permite perfeitamente o
autoatendimento, representa 16% do custo total dos serviços. Deve-se, portanto,
suprimir esta função? Se sim, como fazer essa transição de maneira a provocar
menor impacto social?
Ainda, há a questão ambiental. Os ônibus
são movidos predominantemente a diesel, cuja queima produz material particulado,
de importante impacto ambiental local, especialmente na saúde da população. Há
alternativas sendo testadas de outras energias, sendo a que desperta maior
interessa é a elétrica. Ocorre que as mudanças na matriz energética no sistema
de transporte público pode exigir uma revisão completa do processo produtivo e
ainda da adaptação dos operadores, além de envolver incertezas sobre a
eficiência dos novos produtos e desconhecimento pleno dos custos. Qual a
velocidade de implantação de novas tecnologias? A sociedade compreende esta
necessidade e deseja pagar por isso?”, encerra Néspoli.
Vale lembrar que nos últimos 50 anos
foram destinados quatro vezes mais recursos para a infraestrutura destinada aos
automóveis do que para o transporte público. Desse jeito, como atingir padrões
melhores de qualidade?

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