ELEIÇÕES 2020
As recentes pesquisas sobre as eleições municipais de 2020 encomendada por diversos meios de comunicação tem apresentado a tendência de que os eleitores estão querendo ‘novo” de novo, mas, isso não representa necessariamente um outsider (estranho).
Reinaldo Coelho
A bandeira da luta contra os desvios de recursos públicos, que triunfou na eleição federal de 2018, não foi e jamais será esquecida, mas deixou de ser o tema principal, em torno do qual orbitam todos os outros, nas eleições municipais deste ano.
Algo semelhante acontece com a segurança pública: dificilmente será deixada de lado pelo eleitor num país como o Brasil, que ostenta índices alarmantes de violência, mas no pleito deste ano tende a não ser tão decisiva na hora da definição do voto.
Desta vez, estarão no centro das discussões o combate à Covid-19 e a disputa de narrativa entre os gestores contrários e favoráveis ao isolamento social, assim como a geração de emprego e a assistência social, duas das questões que mais preocupam os cidadãos graças à crise econômica sem precedentes.
Nesse contexto político insólito, a eleição municipal de 2020 tende a se transformar em um grande referendo sobre a gestão dos atuais prefeitos. O comportamento dos gestores municipais durante a pandemia e os resultados obtidos na luta contra o vírus serão julgados pela população e o futuro daqueles que disputarão a reeleição depende da percepção dos eleitores sobre a eficiência das ações.
“Aqueles que tiveram uma postura sólida na pandemia e que souberam comunicar as ações à população ganharão espaço bastante considerável”, afirma o especialista em marketing eleitoral Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos.
Em áreas que dependem muito do comércio, por exemplo, uma postura anti-isolamento dos prefeitos tende a ser mais valorizada. Mas o eleitor não vai ficar apenas de olho no retrovisor, preocupado somente com aquilo que foi ou deixou de ser feito. A pandemia mudou a vida das pessoas, de forma geral, para pior.
Então, a tendência é que o assunto também seja abordado a partir de um olhar voltado para um futuro em que a doença esteja mais sob controle, mas não necessariamente totalmente erradicada. Para quem está no cargo e almeja se reeleger, uma das armas tem sido tentar apostar no discurso otimista de que o pior da pandemia já passou.
Para adversários de prefeitos em exercício, as graves consequências deixadas pela Covid-19, como a paralisia e o sucateamento de serviços públicos, serão exploradas como indicativos da incapacidade de gestão dos que hoje estão no poder e como demonstração de que, a partir da eleição, tudo precisará mudar para melhor para que a qualidade de vida das pessoas também melhore.
ELEIÇÕES NA CAPITAL AMAPAENSE
Em Macapá, maior colégio eleitoral do Estado do Amapá, a saúde já era o tema preferencial dos eleitores desde a campanha de 1988, quando o então prefeito Raimundo Azevedo Costa (MDB) terminava seu mandato e João Capiberibe (PSB) era eleito prefeito de Macapá em turno único. Defendia a união da política, economia e questões ambientais. E a bandeira da descentralização das unidades hospitalares nos bairros e municípios.
Em 1992, Papaléo Paes é eleito, então candidato pelo PSDB, médico, e, em 1997, Annibal Barcelos, apostou nas UPAs, as unidades de pronto atendimento. Eleito para dois mandatos, o engenheiro João Henrique Pimentel (PSB) e no segundo mandato pelo PT, sendo sucedido pelo pedetista Roberto Góes que ampliou o número de UPAs e reformou as existentes.
Em 2013 assume a prefeitura de Macapá o pesolista Clécio Luiz, que começa uma grande reforma e ampliação na rede de saúde do município, sendo reeleito em 2016 já na legenda Rede de Sustentabilidade, montando um direcionamento para o combate a COVID 19 na capital amapaense.
PRIMEIRA PESQUISA ELEITORAL
O instituto RealTime Big Data divulgou na quinta-feira (27) uma pesquisa de intenções de voto para a eleição municipal em Macapá (AP). Nos cinco cenários analisados, o pré-candidato João Capiberibe (PSB) lidera a pesquisa com variação de 18% a 21% das intenções de votos. Capiberibe também lidera em rejeição, com 25%.
Foram entrevistadas 1.050 pessoas nos dias 20 e 21 de agosto, e a margem de erro é de 3 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O nível de confiança é de 95%.
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| JOÃO CAPIBERIBE |
Cirilo Fernande, pré-candidato do PRTB, aparece um segundo em um cenário e em terceiro em outro. Dr. Furlan (Cidadania) fica em terceiro em um dos cenários, com 8%. Os outros pré-candidatos são Rubem Bermenguy (Rede Sustentabilidade) e o deputado estadual Paulo Lemos (PSOL).
Veja os cenários
No cenário 1, Capiberibe tem 18%, Patrícia Ferraz (10%), Josiel Alcolumbre (9%), Cirilo Fernandes (8%), Dr. Furlan (8%) , Rubem Bermeguy (4%), Paulo Lemos (3%), brancos e nulos (22%) e não sabem ou não responderam (18%).
No cenário 2, João Capiberibe (20%), Patrícia Ferras (11%), Dr. Furlan (9%), Josiel Alcolumbre (9%), Cirilo Fernandes (8%), brancos e nulos (22%) e não sabem ou não responderam (21%).
No cenário 4, João Capiberibe (21%), Cirilo Fernandes (11%), Josiel Alcolumbre (11%), Paulo Lemos (4%), brancos e nulos (28%) e não sabem ou não responderam (25%).
Rejeição
João Capiberibe também lidera com a maior rejeição entre todos os candidatos, com 25% dos eleitores dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Na sequência vem Cirilo Fernandes, com 9%, seguido por Josiel Alcolumbre (8%), Patricia Ferras (5%), Dr. Furlan (4%), Paulo Lemos (3%), Rubem Bermeguy (2%). Disseram rejeitar todos os pré-candidatos 17% e não rejeitar nenhum, 15%. Não sabem ou não responderam 12%.
Na pesquisa espontânea, na qual os eleitores são perguntados em quem votariam antes de ver o nome dos candidatos, o atual prefeito de Macapá, Clécio Luís (Rede), que não é candidato, lidera com 8%. Em seguida, vem João Capiberibe (6%), Cirilo Fernandes (1%), Josiel Alcolumbre (1%), Patricia Ferras (1%), outros (2%), brancos e nulos (22%) e não sabem ou não responderam (59%).
Na avaliação do governo, de satisfação com o mandato do
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| CLÉCIO LUIZ |
atual prefeito de Macapá, Clécio Luís, consideram ótimo e bom 55%, regular 30%, ruim e péssimo 13% e não sabem ou não responderam 2%.
A administração do prefeito Clécio Luís recebeu a aprovação de 69% e desaprovação de 24%. Não sabem ou não responderam 7%.
A pesquisa analisou também a satisfação com o governador do Estado do Amapá, Waldez Góes (PDT), que teve 22% de aprovação e 63% de desaprovação. Não sabem ou não responderam (15%).
O QUE O ELEITOR QUER DOS PREFEITOS E VEREADORES
Neste ano, por causa da pandemia, a temática da saúde irá dominar ainda mais o debate nos municípios amapaense. Embora a geração de empregos seja uma política muito mais vinculada ao governo federal, o desemprego e a queda na renda das famílias em decorrência da crise econômica desencadeada pela pandemia também devem permear as campanhas, e se transformar numa das principais cobranças dos eleitores.

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Além da economia e da saúde, hoje diretamente relacionadas à sensação de segurança e estabilidade do eleitorado, os marqueteiros apostam ainda que a discussão sobre a volta às aulas e como recuperar o ano letivo praticamente perdido também surgirá com força nos debates e no horário eleitoral gratuito. O eleitor, quando escolhe seu candidato a prefeito, é muito mais pragmático. Ele quer alguém que resolva os problemas da cidade.
Ainda não está muito claro nas pesquisas é a influência dos cabos eleitorais de expressão nacional na disputa municipal. Apesar de candidatos estarem se articulado para garantir o apoio do presidente Jair Bolsonaro, ainda pairam dúvidas, por exemplo, sobre capacidade de transferência de votos do chefe do Planalto. E ele já descartou a possibilidade de fazer campanha para qualquer candidato.


O que não irá alterar nas eleições de novembro é a importância do uso das redes sociais como ferramenta crucial para definição do voto. Muito pelo contrário. Em uma corrida eleitoral atípica, realizada durante a maior crise sanitária do século, o corpo a corpo nas ruas pode até virar motivo de constrangimento aos candidatos, o que dará espaço ainda maior às redes.
Em junho, a doutoranda em Comunicação pela Universidade de Brasília Maíra Moraes concluiu uma extensa pesquisa chamada “Perfil do Eleitor Conectado Brasileiro”. O levantamento consultou quase 4 mil eleitores nas cinco regiões do país e mostrou por quais meios e canais cada eleitor consome conteúdo e com que frequência. Indagados sobre como se informar melhor sobre os candidatos durante uma campanha eleitoral, 52% disseram consultar as redes sociais “todos os dias” com essa finalidade, e 34% afirmaram buscar informações em blogs ou sites de notícias também diariamente.
Na mesma pesquisa, 38% responderam que nunca se basearam em veículos de mídia impressa na hora de decidir em quem votar e 22% afirmaram que usaram a TV para saber mais sobre seu candidato “poucas vezes na semana”. Como os interesses e preocupações dos eleitores variam muito de acordo com a região ou com o bairro, as estratégias de marketing deverão focar muito em segmentação.
A campanha vitoriosa de Donald Trump de 2016 e a do Brexit, no mesmo ano, tiveram investimentos expressivos em impulsionamento com microtargeting, técnica que usa dados e estratégia digital para atingir com precisão o público-alvo. A partir do consenso sobre os temas que deverão prevalecer nos discursos dos candidatos, será preciso também preparar material específico para cada meio de comunicação.
“Se tratarem a internet como a TV, colocando um conteúdo pasteurizado, enlatado, de repetição de marca, a internet vai ter pouca influência. Mas se os candidatos entenderem que o que vale é o conteúdo segmentado, muito focado no que as pessoas querem, a internet terá um peso maior que a TV e a rua”, avalia Marcelo Vitorino, Consultor em Comunicação e Marketing Político
Fonte: Revista Crusoé









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