terça-feira, 22 de setembro de 2020

CULTURA - UM MOMENTO DE POESIA

 CULTURA - UM MOMENTO DE POESIA

Poesia ALPENDRE DE BRISA
de Marven Junius Franklin

Havia a luz ingênua
que se expunha entre as tardes esburgadas
de Oiapoque & meu alpendre de brisa
ao redor do cais

(luz que me enlevava – num arroubo mórbido – ao
silêncio das marés fenecidas).

Havia verdades irrestritas
pronunciadas entre quatro paredes [em dias infelizes de
abril]

(verdades que se escondiam
por trás da Igreja de Nossa Senhora das Graças
para sucumbirem – inermes – por trás do Campo de
Aviação).

Havia a estranha querência
de temer integridade frente à dor

(querência
de desacreditar no homem como essência
& renegá-lo ao primeiro sinal de intolerância).

Havia tiros de vociferações
por desertos & vales da morte

(tiros a escolher as crenças
que devem comandar
a dança das significâncias – em um país esfomeado de
misericórdia).

Havia a funesta impostura religiosa
que almejava dinamitar o amor incondicional dos
altruístas

(impostura que visa provar
que Deus é recompensa em templos de arrogância-mor).

Imagem: Oiapoque em fim de tarde
de Natalina Ribeiro.
A imagem pode conter: céu e atividades ao ar livre

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