Impunidade: a mãe da audácia
Por Sandro Meneses
520 anos de Brasil e de impunidade: chega de romantismo! O tempo passa, a audácia aumenta, a impunidade passeia pelas ruas e nos dá bom dia. E claro, ela não vem sozinha. Junto dela estão os novos delinquentes e as suas condutas que desacreditam nossa justiça. Muitos deles são acostados por um coitadismo absurdo, protegidos e apresentados como grandes vítimas da sociedade.
Sim, eu também consigo ver aquele menino da comunidade, criado com as mesmas normas e costumes, com familiares honestos, mas que de repente, por algum motivo, partiu para o micro delito ou uso de drogas. Eu me pego pensando nesse filho, mas também naquele outro que da mesma forma saiu da comunidade e optou por colocar a sua vida em risco em prol da ordem e segurança da nossa sociedade. Pergunto a você, qual é a cultura da impunidade? Será que ela começa dentro de casa? Qual é o princípio que gera audácia naquele filho que não foi educado ou capacitado para seguir uma regra, uma norma de comportamento, para que não venha a desrespeitar o seu próximo?
O menino que cresceu e escolheu o outro caminho não é um herói, muito menos tem superpoderes. Ele até pode ser visto como um herói, mas um herói que conta apenas com a sua coragem. E existem vários dele, você pode chamá-los de policial estadual, municipal ou federal. Ele também pode ser um ente do exército, da marinha, ou da aeronáutica. Não importa o seu cargo ou nomeação, ele é treinado para neutralizar ameaças, e algumas delas podem lhe custar à própria vida. Vale lembrar que ele é um ser humano como eu e você, mas que precisa ter um controle emocional diferenciado para lidar com as nuances escancaradas pela falta de impunidade.
Sabemos que esses profissionais são o Estado, eu já fui o Estado e eu enxergo o Estado. Aliás, enxergo também um Estado que usa o Estado para que muitas vezes ele seja visto de forma negativa pela nossa sociedade.
Há muito a ser feito quando se fala em impunidade, mas a valorização desses homens e mulheres, nossos heróis anônimos, destemidos, que todos os dias encaram as feras e lutam para neutralizá-las, é um começo nesta longa jornada. Parando para refletir e exercendo a famosa empatia, quem os protege? Como ficam as suas mentes? Quem são esses homens?
Quando falo de homens, me refiro a todas as mulheres, Joãos, Marias, Robertos, Claudias, negros, brancos, amarelos, índios, todos os indivíduos que lutam pela nossa sociedade. É aí que se faz uma separação e uma segregação, tendo muito cuidado com o uso de doutrinas. Esses heróis são capacitados para fazer acontecer à paz e a ordem, mas quem está pronto para saber utilizar? Esse herói não vem com um manual do proprietário, sabe por quê? Porque eles não são objetos, muito menos nossa propriedade. Eles são nossos irmãos!
Coordenados por outros homens que deixaram o poder subir à cabeça, que romantizam suas ações, colocam a vida dos heróis em risco e a vida daqueles que estão sob sua proteção. Por quê? Porque em inúmeras situações eles chamam de direitos humanos e o usam para poder tirar os limites e criar a cultura de bandido idolatria. E são esses mesmos direitos humanos que matam jovens, idosos e crianças todos os dias. A partir do momento em que o direito de ser punido é tirado, o infrator fica cada vez mais audacioso, não segue normas nem regras, coloca a vida dele e de outros em risco e destrói famílias. E aí surge o questionamento, quem paga o passivo de todos os crimes?
Impunidade é a imunidade do transgressor e a punição faz parte da nossa constituição. Ela é a responsável por impor limites e frear atitudes que colocam em desordem a civilização. Em outros países, a segurança funciona porque as leis são mais severas e efetivas. Todos são ensinados que a prática de um crime acarretará numa pena e elas devem ser cumpridas. É necessário enfatizar que além de encorajar a criminalidade, a impunidade danifica o desenvolvimento da sociedade. E segurança é um direito de todos, como declara a nossa constituição. Impunidade causa desesperança e desacredita a nossa justiça. Até quando a impunidade nos dará bom dia?

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