O CLIMA DO MAR E RIOS: SAÚDE PELA TALASSOTERAPIA
Por Jarbas de Ataíde
Manhãs de clima frio nas serras catarinenses do Sul do Brasil. Cidade de Itapema-SC. A neblina na encosta dos morros. A mata encoberta pelos prédios e nuvens. O vento frio tocando nosso rosto. Convite a ficar na cama. Mas olhando o horizonte da sacada, via as vagas calmas da praia, de areia limpa, o azul do mar refletindo os raios de sol, motivam para mais um dia de férias.
Itapema-SC, no litoral catarinense, acorda com esse clima praieiro e nostálgico. Diferente do Amapá, com sol escaldante, cujas praias oceânicas são longínquas na costa do Amapá e Calçoene. Resta-nos as praias fluviais, de águas frias e corredeiras. Mas em todos esses casos, curtir as férias não nos impede de desfrutar os efeitos medicinais do clima marinho.
Vamos falar dos valores terapêuticos do clima marinho e dos rios com cachoeiras ou corredeiras. Esse tratamento chama-se Climatoterapia, cujas técnicas terapêuticas (Talassoterapia, Hidroterapia, Fangoterapia, Vasoterapia e Algoterapia), utilizando recursos naturais dos mares. A Climatoterapia é “a exposição para fins terapêuticos das virtudes curativas da água do mar, do ar e do clima marinho”.
O contato com as ondas e o caminhar na areia sempre traz um comentário positivo. Sentimos uma sensação agradável no corpo (descontração), na alma (paz) e nas emoções (relaxamento). Poderíamos atribuir a isso ao efeito placebo, mas, hoje, as explicações são estudadas pela ciência, desde 1904, pelo Medico René Quinton (“Água do mar, meio orgânico”) e o termo Talassoterapia (thalassa= mar) foi proposto pelo Medico Bonnardière (1867).
A Climatoterapia se desenvolveu na Europa (França, Inglaterra, Alemanha) com vários centros de balneoterapia, aproveitando as propriedades da água do mar: 1) água salinizada (contendo sais: sódio, potássio, cálcio, magnésio, bromo, iodo, sulfatos); 2) Um meio ionizado e carregado negativamente: água eletrolítica que troca com o corpo humano íons negativos, que ficam armazenados na pele; 3) A água atravessa a pele: a pele absorve água, eletrólitos e oligoelementos, como uma verdadeira esponja, que nela ficam armazenados ; 4) O corpo humano flutua na água: conforme o Principio de Arquimedes: “ todo o corpo mergulhado num fluído sofre uma impulsão de baixo para cima igual ao peso do fluído deslocado”. Ou seja, o peso de uma pessoa mergulhada é duas vezes e meia mais fraco na água do mar. Com isso, ficamos mais leves, facilitando o movimento e as terapias de manipulação (Cinesioterapia). Permite maior amplitude nas articulações e recuperação de doenças articulares e reumáticas.
O clima marinho possuí vários fatores benéficos: a) a pureza do ar: no alto mar ou na costa, a tendência é a ausência de germes e micróbios; os raios solares permitem dilatação dos vasos capilares e as trocas com o meio ambiente; b) a temperatura estável: a massa líquida acumula energia solar, que aquece o corpo; c) estabilidade higrométrica: a evaporação e os aerossóis marinhos são benéficos para a respiração; d) pressão barométrica elevada: a temperatura constante, a pressão do ar e a inspiração ajuda as alergias respiratórias; circulação benéfica do ar: a excitação dérmica, alterna contração e dilatação dos vasos.
Outros efeitos: ação antioxidante, acalma a ansiedade, trata psoríase, limpa os pulmões, alivia a caspa, induz o sono, ajuda a cicatrização e fortalece o sistema imunológico.
Essas mesmas propriedades e fatores benéficos ocorrem, em menor grau, nos banhos em rios de corredeiras e cachoeiras, como na Amazônia, cuja água em constante movimento borbulhante se aquece e se resfria, absorve o calor e remove musgos e o lodo. Essas águas aquecidas (37o) realizam verdadeira hidromassagem, relaxando a musculatura e incorporando os nutrientes, sais e a energia da terra submersa (telúrica). Fonte: artigo do TA 04.01.2018.

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