Fui passear na mitologia grega para socializar com meus leitores a história do nascimento de Afrodite, para os gregos, e Vênus, para os Romanos - a deusa da beleza. Afrodite nasceu das espumas originadas dos testículos de Urano (Céu), destronado pelo filho Cronos (Saturno). Essa divindade surgiu amparada numa grande concha de madrepérola. Afrodite, a mais bela de todas as deusas. E daí em diante segue a mitologia com todos os seus encantos e mistérios. Viva a cultura Helênica, berço da democracia e da civilização ocidental.
Mas faço essa exordial para chegar ao Programa 60 minutos do domingo que passou, onde ousei entrevistar três Afrodites: Jorlene, Josiane (Miss Amapá) e Josiene (Miss Amapá Globo). Três irmãs lindas, saudáveis, na plenitude da vida. Jorlene, veterana nos concursos de beleza e vitoriosa em quase todos, hoje é uma jovem e bela senhora, mãe de Vitor Silvério, de quatro anos, e esposa do desembargador Agostino Silvério. As irmãs de beleza inquestionável, confirmada pelos postos que ostentam, fizeram a diferença em um programa que se notabilizou por, quase sempre, tratar de temas econômicos e políticos de forma sisuda, muitas vezes, áspera, pois o objetivo é chamar a atenção do Poder Público para nossas dificuldades estruturais e conjunturais.
Quebrando a máxima preconceituosa das feias, de que beleza e inteligência são incompatíveis, brindamos os telespectadores com um programa livre, leve e solto. Perdoe-me outra Diva, Juliele, por roubar-lhe por um texto apenas, o título dos seus maravilhosos espetáculos musicais. Mas essa é a mais pura verdade.
As três belas, sempre com um largo e encantador sorriso nos lábios, foram, aos poucos, e a cada minuto dos sessenta a mim dispensados pela programação da emissora televisa de Josiel Alcolumbre, desnudando seus intelectos. Abordaram temas complexos que, para os técnicos amapaenses são insolúveis, pois, como bem disseram as beldades, capengamos com uma economia frágil, estatizada.
Josiane, a Miss Amapá, tão somente queria a atrair a atenção do governador Camilo Capiberibe para o seu patrocínio. Afinal, todas as moças escolhidas em seus estados para concorrer à Miss Brasil, saem com total apoio de seus respectivos governos. Mas no Amapá, ao que parece, vale o preconceito de que concurso de Miss é fútil, algo sem importância, como afirmou o telespectador Gustavo Passarelli, que enviou mensagem de texto com a seguinte declaração: “Poderia aproveitar o espaço para debater coisas mais interessantes para a sociedade. Isso não acrescenta em nada à minha casa e à minha família. Uma pessoa que repete em uma única frase a palavra ‘assim’... O próprio exibicionismo em pessoa... Digo, em três pessoas. Repito: não nos acrescenta em nada. Bem, mas o programa é seu, você faz o que quiser. Eu desligo a TV.”
Será que Gustavo Passarelli existe? Ou é um pseudônimo de alguém ressentido com a beleza estonteante das três irmãs? Não importa. O que fica denotado nesse posicionamento é o preconceito e a falta de cultura para apreciar belo, para a estética, aspectos tão destacados na Grécia, berço da civilização e tão valorizado no mundo colonizador e muito pouco reconhecido no mundo colonizado. Nesse depoimento infeliz percebemos o ranço da baixa-estima e o mau cheiro da ignorância.
Temos certeza que o governador Camilo Capiberibe, o prefeito Roberto Góes - inclusive, ambos casados com duas mulheres belas -, e nosso empresariado não compartilham do posicionamento do senhor Passarelli. E deverão ombrear-se nesse projeto, proporcionando às nossas duas representantes do Amapá para que rumem a São Paulo e Cabo Frio, com apoio total e irrestrito para participar dos concursos de forma digna, à altura da beleza que a genética lhes proporcionou.
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