sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Editorial Ed. 289


Qual a vocação econômica do Amapá?

Esta é uma pergunta que todos no Amapá se fazem e não possuem resposta. A responsabilidade de criar o cenário favorável para o incremento da economia é do Estado e até hoje, passado 20 anos da transformação do Amapá em Estado, tateamos no escuro, procurando um rumo que possa dar um “up grade” na economia local.


O Tribuna trás uma excelente reportagem sobre a situação do setor primário amapaense. Mostra o repórter Abinoan Santiago, que a participação deste setor na composição do PIB é pífia, muito aquém do que poderia contribuir, caso fosse o setor primário prioridade dentre as ações do Poder Público. Não é. Os números respondem por essa assertiva.

Bem, mas se não é o setor primário, qual setor é nossa vocação? A indústria? Também não! O setor industrial do Amapá inexiste e por inúmeras razões. Primeiro, a falta de energia elétrica, e segundo, pela falta de ações, que sejam atrativas para os empresários do setor secundário vir para o Amapá. Então nos sobra o setor terciário, ou seja, o comércio. Essa é então nossa vocação? Mas pra quem vendemos? Para nós mesmos. Esse dinheiro que entra na nossa economia é na sua absoluta maioria, oriundo dos repasses institucionais, FPE e FPM.

Como podemos ter uma economia forte, sem produção? O comércio é um exportador de capital e importador de produtos acabados. Se compramos confecções, eletrodomésticos, carros, eletrônicos e etc.. de outros estados, logo se conclui que estamos exportando o que temos pouco. Dinheiro. O que fica de impostos e tributos no Amapá, em função das vendas do comércio, não consegue alavancar nossa economia e muitos menos atender as necessidades de uma juventude ávida por trabalho. Os empregos são originados nos centros produtores.

Se estamos com 20 anos, já atingimos a maior idade, e está mais do que na hora de focarmos num desses setores capazes de reter dinheiro e atrair mais investimento para cá. Exportar commodities não contribui para o crescimento da economia, pelo contrário, empobrece o Estado, pois toda a riqueza natural é exaurível, vide ICOMI e o manganês.

O Amapá está precisando de alguém que pense no coletivo e num estado há longo prazo, e não nas urnas da reeleição ou da eleição.

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