domingo, 29 de janeiro de 2012

Sobrevivente – Maria Lúcia Santos Ferreira

Maria Lucia Ferreira


Depois de ter morado em vários lugares do país, ela escolheu Macapá para viver
“No momento mais difícil da minha vida, meus filhos foram o meu alento para seguir em frente”
De John Pacheco
Da Reportagem\Estagiário

Maria Lúcia, que em 2012 que completa 70 anos, é a sobrevivente homenageada da semana. Moradora da Avenida Mendonça Furtado, no bairro do Centro. Casada com Francisco Assis Ferreira, já falecido, é mãe de Tereza Cristina e Adriano. Antes de chegar a Macapá morou em vários estados, Acre, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Pará. Viajou tanto por causa do marido, pois ele era corretor de seguros.

A nossa sobrevivente nasceu no Estado do Acre, na capital Rio Branco, em 11 de outubro de 1942, de família simples, junto com seus quatro irmãos, cresceu vendo seus pais trabalhar, o pai era negociante e a mãe  funcionária pública. Começou a estudar lá mesmo, só que não concluiu os estudos, parou no ensino Médio. Na juventude, mudou-se para a Bahia para morar com seu irmão mais velho e lá acabou conhecendo o seu companheiro de vida.
Minha vida é andar...
Conheceu o marido Francisco de Assis, em Salvador (BA), que então  era sargento da aeronáutica e estava servindo na capital baiana, mais não era baiano, era potiguar. Na época, Maria Lucia tinha 23 anos, e logo se casaram e ele deu baixa do serviço militar. Francisco conseguiu um emprego de corretor de seguros e esse foi o motivo que fez com que essa família não fosse igual as outras, a partir daí eles começaram a fazer uma viagem pela Nordeste e pela Amazônia, nos locais onde Francisco tinha que trabalhar.  

Da Bahia, eles partiram para o Acre para se reencontrarem com a família. Um ano depois eles tiveram a sua primeira filha Tereza Cristina, que passou a viajar também com o casal. Da terra das seringueiras, o próximo destino foi a capital pernambucana, Recife, onde moraram por quatro anos, logo depois se mudaram para a Paraíba, moraram na capital João Pessoa, e lá que nasceu Adriano, o segundo filho do casal.  
Depois de residir no Nordeste, Francisco novamente teve que se mudar agora, para Belém. Mais como garantir uma boa educação para os filhos já que a família vivia em constante mudança, Maria Lúcia responde que era na base da disciplina “Independente de escola, meus filhos também foram educados em casa e nunca fizeram nada de errado, quanto as escolas, a gente dava um jeito, nessa parte eu também nunca deixei faltar nada   para eles”, diz Maria Lúcia.     


Chegada em Macapá

De Belém eles vieram para a capital Tucuju, mais uma vez por causa do trabalho, Maria Lúcia explica como eles vieram parar por aqui. “Como corretor, o Francisco viajava muito para cá, e disse que gostava muito da cidade, e quando nós iríamos mudar mais uma vez de cidade, o chefe dele o deixou optar por Macapá ou a cidade paraense de Santarém, e ele escolheu vir para cá”, diz Maria Lúcia.
A hora da virada
A família se consolidou em Macapá, os filhos estavam na escola, até que depois de alguns anos na cidade, Francisco adoeceu e acabou falecendo, o que fez com que a família se desestruturasse, sem emprego Maria Lúcia, passou por problemas financeiros e principalmente emocionais, e naquela hora percebeu que era hora de voltar para casa onde tudo começou, o Acre, “Naquele tempo foi muito difícil, eu saír de casa e fui morar alugado aqui em Macapá, mais sem dinheiro e com a dor da morte do meu marido tive que ir embora para o Acre, lá eu morei com a minha irmã, mas eu queria voltar para Macapá e voltei para mudar a minha vida”.               
Quando retornou a cidade conseguiu com uma amiga, Dona Helena Bermerguy, que disse que  poderia ajudá-la arrumando um emprego, e no fim da década de 1980 e início da de 1990, ela trabalhou na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), na função administrativa e foi uma das grandes responsáveis pela formação da instituição como nós conhecemos hoje, “eu trabalhei em uma época que ao redor da instituição era desabitado, havia muito mato e as condições dentro da instituição eram precárias”, explica Maria Lúcia. 
Resultado
Após as peregrinações pelos diversas cidades brasileiras, a perda do esposo querido, a necessidade de continuar a educação e formação dos filhos, Maria Lucia que também peregrinava por diversas casas alugadas. Começou a estabilidade familiar e financeira. O emprego recebido pela amiga Helena se somou a escolha do filho mais velho, Adriano, como estagiário no Banco do Brasil, o que veio fortalecer a economia domestica. A filha Cristina se casou um Marcos Mescouto, o genro a tratava como se fosse sua própria mãe.
Após reestruturar sua vida e ver seus filhos se formarem, Maria Lucia consegui juntar uma “graninha” e comprar uma residência para si, que lhe proporciona o conforto necessário para curtir  sua aposentadoria. É avó de seis netos e de dois bisnetos, está aproveitando a terceira idade na sua casa, e afirma que não quer sair da cidade, “foi o lugar em que escolhi para viver, e não penso mais em sair de Macapá, em hipótese alguma”, finaliza Maria Lúcia. 




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