| Maria Lucia Ferreira |
Depois de ter morado em vários lugares do país, ela escolheu Macapá para viver
“No momento mais difícil da minha vida, meus filhos foram o meu alento para seguir em frente”
De John Pacheco
Da Reportagem\Estagiário
Maria Lúcia, que em 2012 que completa 70 anos, é a sobrevivente homenageada da semana. Moradora da Avenida Mendonça Furtado, no bairro do Centro. Casada com Francisco Assis Ferreira, já falecido, é mãe de Tereza Cristina e Adriano. Antes de chegar a Macapá morou em vários estados, Acre, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Pará. Viajou tanto por causa do marido, pois ele era corretor de seguros.
A nossa sobrevivente nasceu no Estado do Acre, na capital Rio Branco, em 11 de outubro de 1942, de família simples, junto com seus quatro irmãos, cresceu vendo seus pais trabalhar, o pai era negociante e a mãe funcionária pública. Começou a estudar lá mesmo, só que não concluiu os estudos, parou no ensino Médio. Na juventude, mudou-se para a Bahia para morar com seu irmão mais velho e lá acabou conhecendo o seu companheiro de vida.
Minha vida é andar...
Conheceu o marido Francisco de Assis, em Salvador (BA), que então era sargento da aeronáutica e estava servindo na capital baiana, mais não era baiano, era potiguar. Na época, Maria Lucia tinha 23 anos, e logo se casaram e ele deu baixa do serviço militar. Francisco conseguiu um emprego de corretor de seguros e esse foi o motivo que fez com que essa família não fosse igual as outras, a partir daí eles começaram a fazer uma viagem pela Nordeste e pela Amazônia, nos locais onde Francisco tinha que trabalhar.
Da Bahia, eles partiram para o Acre para se reencontrarem com a família. Um ano depois eles tiveram a sua primeira filha Tereza Cristina, que passou a viajar também com o casal. Da terra das seringueiras, o próximo destino foi a capital pernambucana, Recife, onde moraram por quatro anos, logo depois se mudaram para a Paraíba, moraram na capital João Pessoa, e lá que nasceu Adriano, o segundo filho do casal.
Depois de residir no Nordeste, Francisco novamente teve que se mudar agora, para Belém. Mais como garantir uma boa educação para os filhos já que a família vivia em constante mudança, Maria Lúcia responde que era na base da disciplina “Independente de escola, meus filhos também foram educados em casa e nunca fizeram nada de errado, quanto as escolas, a gente dava um jeito, nessa parte eu também nunca deixei faltar nada para eles”, diz Maria Lúcia.
Chegada em Macapá
De Belém eles vieram para a capital Tucuju, mais uma vez por causa do trabalho, Maria Lúcia explica como eles vieram parar por aqui. “Como corretor, o Francisco viajava muito para cá, e disse que gostava muito da cidade, e quando nós iríamos mudar mais uma vez de cidade, o chefe dele o deixou optar por Macapá ou a cidade paraense de Santarém, e ele escolheu vir para cá”, diz Maria Lúcia.
A hora da virada
A família se consolidou em Macapá, os filhos estavam na escola, até que depois de alguns anos na cidade, Francisco adoeceu e acabou falecendo, o que fez com que a família se desestruturasse, sem emprego Maria Lúcia, passou por problemas financeiros e principalmente emocionais, e naquela hora percebeu que era hora de voltar para casa onde tudo começou, o Acre, “Naquele tempo foi muito difícil, eu saír de casa e fui morar alugado aqui em Macapá, mais sem dinheiro e com a dor da morte do meu marido tive que ir embora para o Acre, lá eu morei com a minha irmã, mas eu queria voltar para Macapá e voltei para mudar a minha vida”.
Quando retornou a cidade conseguiu com uma amiga, Dona Helena Bermerguy, que disse que poderia ajudá-la arrumando um emprego, e no fim da década de 1980 e início da de 1990, ela trabalhou na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), na função administrativa e foi uma das grandes responsáveis pela formação da instituição como nós conhecemos hoje, “eu trabalhei em uma época que ao redor da instituição era desabitado, havia muito mato e as condições dentro da instituição eram precárias”, explica Maria Lúcia.
Resultado
Após as peregrinações pelos diversas cidades brasileiras, a perda do esposo querido, a necessidade de continuar a educação e formação dos filhos, Maria Lucia que também peregrinava por diversas casas alugadas. Começou a estabilidade familiar e financeira. O emprego recebido pela amiga Helena se somou a escolha do filho mais velho, Adriano, como estagiário no Banco do Brasil, o que veio fortalecer a economia domestica. A filha Cristina se casou um Marcos Mescouto, o genro a tratava como se fosse sua própria mãe.
Após reestruturar sua vida e ver seus filhos se formarem, Maria Lucia consegui juntar uma “graninha” e comprar uma residência para si, que lhe proporciona o conforto necessário para curtir sua aposentadoria. É avó de seis netos e de dois bisnetos, está aproveitando a terceira idade na sua casa, e afirma que não quer sair da cidade, “foi o lugar em que escolhi para viver, e não penso mais em sair de Macapá, em hipótese alguma”, finaliza Maria Lúcia.
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