Sou um
crítico ácido do meu Estado. Tipo aquele pai que nunca elogia o filho pelas
conquistas. Se tira uma nota DEZ, vira-se o pai sisudo e sentencia em tom
áspero: não fez mais que sua obrigação!
Bem! Mas
estamos caminhando e evoluindo em nossa Macapá. Talvez não na velocidade que
poderíamos está, mais estamos seguindo sempre pra frente, isso é importante.
Numa
manhã qualquer, minha mãe, Zoraide Coelho, de 82 anos, fazia a varredura na
calçada, tirando as folhas secas e colocando lentamente no saco de lixo. Se
aproxima outra octogenária. Uma espécie de segunda mãe pra mim. Dona Celerina
Cardoso. Cumprimenta a amiga e com ar cansado da fatigante caminhada, exclama:
Zoraide mana, tu já prestou atenção que no nosso bairro já tem até casa de
sobrado? Mamãe no mesmo ar de espanto devolve: E não é mana, olha só que prédio
imenso, bem ali onde era a panificadora do seu Vavá.( rua Manoel Eudóxio Pereira com av. Duque de Caxias).
Bem!
Cumpre-me a obrigação de dizer quem são os três personagens citados na exordial
do texto. Zoraide, professora leiga, empregada na época do Território de
Ivanhoé Gonçalves Martins. Tínhamos carência de professores e os alfabetizados
eram contratados pela Secretaria de Educação para dar aula nos interiores e nas
férias faziam cursos de férias, uma espécie de especialização. Depois minha mãe
fez o curso normal do IETA e acabou fazendo faculdade, no Núcleo Avançado da
UFPA.
Celerina,
era cozinheira de mão cheia, tanto que cozinhou na residência oficial do Estado por
muitos anos para vários governadores, e
depois cuidou com o zelo de mãe, dos velhinhos do Abrigo São José.
Vavá, um
comerciante das Ilhas do Pará, que veio para o Amapá e abriu um comércio, com
uma padaria ao lado.
Ééééé,
Macapá já tem casa de sobrado Dona Celé, cresceu nossa capital. Já temos
aproximadamente 500 mil habitantes, a cidade que encerrava em nosso bairro, o
antigo bairro da CEA, hoje tem seus limites urbanos para muito além do
Buritizal, ou Burifaca, como era jocosamente chamado naqueles tempos. Passou, e
muito, do Pacoval ou Pacobala.
Mas o
progresso impõe um preço social muito grande. A acides das críticas, que muitas
vezes por inconformismo, me ponho a fazer, é pelo amor que tenho por esta
Terra. Claro que este amor não é singularidade minha, muitos outros amapaenses
também amam Macapá e a querem bem. Cuidam da cidade dentro daquilo que lhes
compete. Ficamos indignados quando percebemos que nossos governantes poderiam
fazer algo para melhorar a qualidade de vida nesta urbe e não fazem, por
questões menores, do tipo, ideológica ou eleitoral.
Mas o
macapaense também deve fazer mea culpa. Principalmente aquele que não cuida do
seu próprio quintal, que não zela pelos logradouros públicos e que contribuem,
incisivamente, para entupimentos de bueiros, jogando entulhos em canais e vias
públicas.
Quando
tomarmos consciência que o município existe em função dos munícipes e que as
estruturas estatais existem, em função do cidadão, daí a nomenclatura de
“SERVIDOR PÙBLICO”, vamos ter uma Macapá bem melhor da que temos hoje. Mas volto
a dizer. Macapá está cada dia mais bonita.
Temos
que AMAR nossa cidade, amar nossas coisas, amar nossa cultura, e mais que amar,
cultivá-la e disseminá-la, onde quer que estejamos. O desembargador Gilberto
Pinheiro, diz em sua crônica, que quem não gosta de Macapá que a deixe, volte
para o lugar de origem, quem é amapaense e não ama nossa cidade, procure outro
local pra viver, por aqui só queremos quem ama Macapá.
Os
prédios (casas de sobrado) se multiplicam; é a verticalização se fazendo
presente no plano de desenvolvimento urbano de Macapá, mas com ela (o progresso
sempre traz seqüelas) a necessidade da expansão da rede de esgoto, pois as
águas servidas desses prédios precisam escapar para algum lugar. Esses prédios
que embelezam uma cidade e dar ar de metrópole, precisam ter um estudo de
Impacto de Vizinhança, pois cada prédio construído precisa ter muito bem
planejado, o impacto social que vai causar no trânsito e etc.
Mas
precisamos de um transporte coletivo de qualidade, que atenda e bem, o usuário
deste tipo de transporte, praças para o lazer do cidadão bem conservadas e vias
públicas asfaltadas.
Avançamos
muito na gestão do Prefeito Roberto Góes, isto é fato. Roberto é um bom
prefeito e precisa de mais dinheiro para realizar mais. Sua gestão está
acabando, mais ele deixará o palácio Laurindo Banha, com um saldo muito melhor
dos que os prefeitos, que administraram Macapá pelo menos nos últimos 20 anos.
Parabéns
e vamos continuar caminhando pra frente.
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