sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Artigo do Gato: Estamos caminhando . . . caminhando


Sou um crítico ácido do meu Estado. Tipo aquele pai que nunca elogia o filho pelas conquistas. Se tira uma nota DEZ, vira-se o pai sisudo e sentencia em tom áspero: não fez mais que sua obrigação!

Bem! Mas estamos caminhando e evoluindo em nossa Macapá. Talvez não na velocidade que poderíamos está, mais estamos seguindo sempre pra frente, isso é importante.

Numa manhã qualquer, minha mãe, Zoraide Coelho, de 82 anos, fazia a varredura na calçada, tirando as folhas secas e colocando lentamente no saco de lixo. Se aproxima outra octogenária. Uma espécie de segunda mãe pra mim. Dona Celerina Cardoso. Cumprimenta a amiga e com ar cansado da fatigante caminhada, exclama: Zoraide mana, tu já prestou atenção que no nosso bairro já tem até casa de sobrado? Mamãe no mesmo ar de espanto devolve: E não é mana, olha só que prédio imenso, bem ali onde era a panificadora do seu Vavá.( rua  Manoel Eudóxio Pereira  com av. Duque de Caxias).


Bem! Cumpre-me a obrigação de dizer quem são os três personagens citados na exordial do texto. Zoraide, professora leiga, empregada na época do Território de Ivanhoé Gonçalves Martins. Tínhamos carência de professores e os alfabetizados eram contratados pela Secretaria de Educação para dar aula nos interiores e nas férias faziam cursos de férias, uma espécie de especialização. Depois minha mãe fez o curso normal do IETA e acabou fazendo faculdade, no Núcleo Avançado da UFPA.   

Celerina, era cozinheira de mão cheia, tanto que  cozinhou na residência oficial do Estado por muitos anos  para vários governadores, e depois cuidou com o zelo de mãe, dos velhinhos do Abrigo São José.
Vavá, um comerciante das Ilhas do Pará, que veio para o Amapá e abriu um comércio, com uma padaria ao lado. 

Ééééé, Macapá já tem casa de sobrado Dona Celé, cresceu nossa capital. Já temos aproximadamente 500 mil habitantes, a cidade que encerrava em nosso bairro, o antigo bairro da CEA, hoje tem seus limites urbanos para muito além do Buritizal, ou Burifaca, como era jocosamente chamado naqueles tempos. Passou, e muito, do Pacoval ou Pacobala.

Mas o progresso impõe um preço social muito grande. A acides das críticas, que muitas vezes por inconformismo, me ponho a fazer, é pelo amor que tenho por esta Terra. Claro que este amor não é singularidade minha, muitos outros amapaenses também amam Macapá e a querem bem. Cuidam da cidade dentro daquilo que lhes compete. Ficamos indignados quando percebemos que nossos governantes poderiam fazer algo para melhorar a qualidade de vida nesta urbe e não fazem, por questões menores, do tipo, ideológica ou eleitoral.

Mas o macapaense também deve fazer mea culpa. Principalmente aquele que não cuida do seu próprio quintal, que não zela pelos logradouros públicos e que contribuem, incisivamente, para entupimentos de bueiros, jogando entulhos em canais e vias públicas. 

Quando tomarmos consciência que o município existe em função dos munícipes e que as estruturas estatais existem, em função do cidadão, daí a nomenclatura de “SERVIDOR PÙBLICO”, vamos ter uma Macapá bem melhor da que temos hoje. Mas volto a dizer. Macapá está cada dia mais bonita.

Temos que AMAR nossa cidade, amar nossas coisas, amar nossa cultura, e mais que amar, cultivá-la e disseminá-la, onde quer que estejamos. O desembargador Gilberto Pinheiro, diz em sua crônica, que quem não gosta de Macapá que a deixe, volte para o lugar de origem, quem é amapaense e não ama nossa cidade, procure outro local pra viver, por aqui só queremos quem ama Macapá.

Os prédios (casas de sobrado) se multiplicam; é a verticalização se fazendo presente no plano de desenvolvimento urbano de Macapá, mas com ela (o progresso sempre traz seqüelas) a necessidade da expansão da rede de esgoto, pois as águas servidas desses prédios precisam escapar para algum lugar. Esses prédios que embelezam uma cidade e dar ar de metrópole, precisam ter um estudo de Impacto de Vizinhança, pois cada prédio construído precisa ter muito bem planejado, o impacto social que vai causar no trânsito e etc.

Mas precisamos de um transporte coletivo de qualidade, que atenda e bem, o usuário deste tipo de transporte, praças para o lazer do cidadão bem conservadas e vias públicas asfaltadas.

Avançamos muito na gestão do Prefeito Roberto Góes, isto é fato. Roberto é um bom prefeito e precisa de mais dinheiro para realizar mais. Sua gestão está acabando, mais ele deixará o palácio Laurindo Banha, com um saldo muito melhor dos que os prefeitos, que administraram Macapá pelo menos nos últimos 20 anos.
Parabéns e vamos continuar caminhando pra frente.

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