De jogador a técnico, o atleta fez toda sua carreira no tricolor do
bairro do laguinho
De John Pacheco
Da Reportagem\Estagiário
A década de 1990, no basquete amapaense, foi marcada por uma
equipe que fez história, e mudou de vez a concepção dos adversários em relação
ao nosso potencial esportivo. Essa equipe foi o São José, que mostrou nas
quadras de toda a Amazônia, um basquete solto e envolvente, que colocou o Amapá
de vez no circuito nacional da modalidade. Entre os tantos craques dessa época,
está o atleta do passado desta semana, o eterno camisa 7 do tricolor, Wendel Leite, conhecido por Lelé. apelido
herdado de seu pai, que foi
craque na futebol de salão, voleibol, futebol de
campo e
basquete.
Tal pai, tal filho
Pode-se e então dizer que a paixão pelo esporte é coisa de
família, pois o craque é filho de José Duarte Monteiro, que já esteve na
editoria Sobrevivente (Ed. 278, 29 de outubro a 4 de novembro), e que foi um
dos grandes jogadores do futebol local com passagens pelo E. C. Macapá e
Juventus, além de praticar outros esportes, entre eles o basquete, pelo qual seu
filho tomou gosto e com 12 anos começou a competir.
Foi em meados dos
anos 80 que o atleta começou a jogar, “O meu pai já jogava basquete, e em um
dos jogos dele o professor Agostinho, hoje presidente da federação, me deu de
presente uma bola e com ela o meu pai me ensinou a jogar basquete na Praça
Nossa Senhora de Fátima”, conta Lelé. No mesmo ano, o jogador entrou nas
categorias de base do São José para construir toda uma história na equipe do
laguinho.
Era
uma vez, no São José...
Com 14 anos, Lelé começou a
competir na equipe e no mesmo ano foi campeão amapaense na sua categoria, e
para chegar ao time principal foi apenas uma consequência do seu trabalho. A
principal competição da região, a Copa Norte de Basquete, foi conquistada três
vezes por Lelé, como jogador em 1998, 1999 e 2000. Essa para o jogador foi a
melhor equipe do São José de todos os tempos, “Aquele tricampeonato foi o que
projetou de vez o time no cenário do basquete, pois não seria diferente com um
elenco que contava com Tasso Alencar, Lance, Bruno Cei, Fabinho, Felipe
e Alencar, entre tantos outros jogadores”, diz Lelé.
Entre outras características do
São José daquela época, o atleta destaca, que para cada posição no time, tinha
um reserva à altura e que os jogadores tinham ótima resistência, pouco se
machucavam, além do ambiente que era harmonioso e não dava espaço para as
individualidades.
Depois
das cestas
Mesmo após deixar de jogar, Lelé
não deixou de lado o esporte, continua no comando, agora como técnico das
categorias de base do tricolor do laguinho, pois desde os 18 anos, quando ainda
competia, já treinava as categorias inferiores e hoje se dedica somente ao
comando técnico. Como treinador, também foi tricampeão, o que o colocou como um
dos maiores campeões do torneio com seis títulos, como jogador e treinador,
além de cinco vice-campeonatos.
Além dos títulos, outra grande
conquista de Lelé, como treinador, foi a quebra da hegemonia do Pará no
basquete do norte, “Há mais de 15 anos nós acabamos com o domínio dos
paraenses, tanto que hoje, a partir da categoria sub-19 até a adulta, eles não
nos superam mais, o problema está nas categorias de base, onde o São José não
tem conseguido resultados expressivos nos últimos cinco anos, o que pode
caracterizar que a nova geração pode não ser tão boa quanto as passadas e
provocar um declínio no nosso basquete”, explica Lelé.
Raio-X do basquete amapaense
Mesmo conquistando grandes
resultados, o nosso esporte ainda encara problemas que impedem do esporte dar
um passo maior. A falta de quadras adequadas para receber competições a nível
nacional é o maior deles, o ginásio Avertino Ramos não oferece boas condições
de prática, o que resultou em vaias para a SEDE, durante a edição da Copa Norte 2011, foi realizada em Macapá. A condição do piso e
as acomodações de torcida e os vestiários deixaram a desejar.
Devido as péssimas condições do ginásio, a equipe do
São José não pode participar desta temporada da NBB (Novo Basquete Brasil), que
é a principal divisão do esporte, “Nós
conseguimos a qualificação em 2011, mas para integrar a NBB, o Avertino
passaria por uma vistoria da Federação Nacional, que com certeza iria reprová-lo,
perdemos uma grande chance de trazer as grandes equipes do basquete brasileiro
para cá, como: Brasília, Franca e Flamengo. Mas vamos continuar o nosso
trabalho e levar cada vez mais longe o nosso basquete”, finaliza Wendell Leite,
o Lelé, ex-jogador e atual técnico da equipe de basquete
do São José.
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