sexta-feira, 4 de maio de 2012

Zezinho Macapá: Ídolo no São José e no Remo, também foi um craque muito além das quatro linhas

por Dalton John

Atualmente, Zezinho Macapá é servidor público estadual e
também preparador físico na equipe do São José
"Hoje precisamos de ídolos! Não só no futebol, mas na política, na TV e até mesmo dentro de casa, pois precisamos de alguém para nos espelhar com o intuito de crescer na vida". Esse foi o ponto alto da entrevista com o atleta do passado desta semana, o jogador Zezinho Macapá, que por muitos anos defendeu os clubes por onde passou, mas que tem um amor incondicional pelo São José, o mais querido do Laguinho. 

No tricolor, Zezinho deu seus primeiros chutes no futebol, começou no clube desde criança e foi avançando nas categorias de base até chegar ao profissional em 1973. E estreava com uma grande responsabilidade, já que o São José vinha de um bicampeonato. A equipe que além de Zezinho, era formada por Álvaro; Simões, Haroldo Pena, Renica e Orlando; Torres, Piracá e Cabecinha; Orlando Tito e Moacir. Elenco que o craque se orgulha de ter atuado.

Após quatro temporadas no São José, Zezinho foi convidado para atuar no Clube do Remo, e de uma forma até inusitada. "Estava numa pelada com os amigos no campo do SESC-Araxá e alguém estava assistindo, era o Dr. Roberto Macedo, que após o jogo me fez a proposta, pediu que eu pensasse e o procurasse alguns dias depois. Quando o procurei, ele já havia até comprado a minha passagem para ir para Belém", conta Zezinho.  

Foi no Clube do Remo que o craque incorporou o nome da sua cidade na camisa. "Quando eu cheguei ao time, já havia um jogador com o nome de Zezinho, e ele era capixaba, então o treinador me chamou de Zezinho Macapá", afirma. No Pará foi o estado aonde o craque chegou ao auge da sua carreira, em uma partida contra o Flamengo. No jogo, o Remo perdia por 1 a 0 e Zezinho entrou no decorrer do jogo, chamou a marcação e sofreu o pênalti que causou o gol de empate do Leão, resultado até então impensado para uma equipe do norte do país, diante da grandeza do elenco do rubro-negro carioca.    

Elenco do Remo, na época em que Zezinho atuou pelo clube
Nesse momento o futebol brasileiro vivia uma época maravilhosa em relação a grandes jogadores, já que os principais craques da seleção jogavam nos clubes nacionais e isso fazia  que o nível dos times sempre fosse cada vez mais alto, inclusive das equipes do norte do Brasil. E Zezinho jogou contra grandes nomes do cenário nacional, Zico, Adílio, Casagrande, Toninho Cerezo e Sócrates.  

Do Remo partiu para o Rio Negro do Amazonas, onde jogou um pouco mais de um ano, mas problemas de estrutura no clube, fez com que deixasse o clube e voltasse para Belém. Na capital paraense, recebeu um convite para jogar fora do país. 

Foram cinco anos jogando no Equador, onde Zezinho teve uma de suas maiores ilusões no futebol. "Eu fui jogar no exterior pensando em dinheiro, em dar uma condição melhor para minha família, mas não foi bem assim. Primeiro foram os problemas de adaptação com o clima e o idioma e depois o clube que eu joguei inicialmente lá, o Desportivo Del Baggio, foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato local. Depois fui para o Millagros, também da segundona", diz Zezinho. 

Amistoso em 1970 entre São José e Clube do Remo, no Glicerão.
Os dois clubes onde Zezinho Macapá fez história
Depois de uma experiência incomum no Equador, o craque voltou para Macapá, para continuar a carreira. Jogou no Amapá Clube, no Independente e no Guarany. Só que naquele momento pesava mais o lado profissional do que o amor à camisa, e isso fez com que deixasse de jogar. Apenas da obrigação de jogar! Zezinho nunca abandonou o futebol, sempre está por aí nas peladas pela cidade, e atualmente é preparador no clube de coração, o São José, onde concilia com seu emprego de servidor estadual.

O ex-jogador também tem o seu lado cartola, onde sempre promove jogos beneficentes para ajudar instituições de caridade da cidade, e já indicou alguns jogadores para atuarem fora do estado e que hoje compõem o elenco do Bahia, time da série A do futebol brasileiro. E assim como esta editoria, Zezinho também se preocupa com o resgate da história do futebol amapaense. Futuramente o ex-jogador, hoje com 55 anos, irá lançar um site contendo vídeos com depoimentos de ex-jogadores do futebol amapaense.  

Sobre a frase no início da matéria, Zezinho relatava sobre a situação do futebol amapaense, mas que serve como uma reflexão para a vida. E que mesmo em um futebol atrasado, pobre de inovação e talentos, ainda sim dá para acreditar que se pode dar a volta por cima e fazer um gol de placa. 

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