sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Artigo do Gato - O golpe de mestre



Vamos conjecturar? Então vamos. Não tem jeito. Quer queiram ou não, a turma que faz política no Amapá tem que fazer um curso intensivo de manobra política com os Capi. Os caras são velozes. Todo mundo está imaginando que os Capiberibe resolveram apoiar Clécio Luiz do Psol para evitar a vitória do Roberto Góes (PDT). Ledo engano. Leiam comigo:
O Partido Socialista Brasileiro (PSB), feudo da família Capiberibe, isso dito pelo jornalista Corrêa Neto, profundo conhecedor da trajetória política dessa família, ao invés de lançar Ruy Smith para a Prefeitura de Macapá, lança Cristina Almeida. Isso já deixa claro que o partido queria correr o risco de chegar aonde chegou.

É simples de alcançarmos a essa conclusão. Ruy é filiado histórico do PSB, dois mandatos de Deputado Estadual, bem avaliado no desempenho de suas funções legisferante, inclusive pela oposição e é reconhecidamente um homem de excelente formação e um administrador competente. Vide o que ele fez no Setrap e agora na Caesa. Mas ainda assim preferiram a Cristina Almeida, de pouca expressão política. Seu maior feito foi ameaçar a sempre confortável eleição de Sarney no Amapá. Porém pesava contra ela a acusação de receber o "mensalinho" da Assembléia, fato negado por Cristina em rede nacional, no programa de jornalismo moleque, “Custe o Que Custar (CQC).

Não obstante a essa opção imperativa da cúpula peesebista, Capiberibe (Pai) Janete Capiberibe (Mãe) e Camilo Capiberibe (filho), quando perderam e não fizeram esforço para vencer, eles demonstraram publicamente descontentamento com a postura do Psol na eleição santanense e as adesões recebidas no segundo turno na capital. Publicaram Carta dando condições para penhorar apoio ao Psol. Nada lhes foi dito. O silêncio dos Psolistas foi a resposta, para não dizer desprezo. 

Eles não mugiram e nem tugiram. Foram para o confortável camarote assistir a contenda de lugar privilegiado e ter a visão perfeita para identificar com antecedência a que lado penderia o povo. Declarou tal qual Pilatos que lavavam as mãos e anunciaram posição de neutralidade. "Vamos liberar a militância. Votem em quem bem entenderem!" Logo o anúncio da primeira pesquisa IBOPE para o segundo turno e confirmada a dianteira de Roberto Góes, saíram da zona de conforto e vieram para o velório dos seus mais novos inimigos: Clécio e Randolfe.

Chegando à casa enlutada foram confortar as viúvas do povo. E lógico, vendo que não havia panacéia capaz de ressuscitar o decujo, eles deram tal qual D. Pedro I o grito combinado de guerra: "Tamos junto até a morte!"

Na realidade, essa encenação toda foi mais um golpe de mestre da velha raposa felpuda da política tucujú, Capiberibe (Pai). Eles leram que o povo decidiu por Roberto então vieram oferecer o ombro para as viúvas se consolarem, pois em 2014, quando for a vez deles de entrarem no processo com todo o gás para reeleger Capiberibe (filho), os Psolistas não reclamem e nem justifiquem num segundo turno entre Waldez Góes e Camilo Capiberibe uma oposição ao Camilo em função do PSB ter lhes faltado em 2012. Assim evita que Randolfe e Clécio fiquem ao longo de dois anos remoendo: "se o PSB tivesse nos apoiado, venceríamos!"

É, meus amigos, política é pra todo mundo, mas nem todo mundo é para a política. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Aliás, que bem pensando, todos os candidatos que o PSB apóia ou lança, perdem.  Será que esse apoio é o Cavalo de Tróia dado aos gregos pelos troianos (capiberista)?

Só pra ilustrar
Escrevendo o texto me ocorreu uma estória (revisão não corrija) que envolve um grande causídico que já não habita entre nós. Cícero Borges Bordalo, um dos maiores tribunos que o direito tucuju já viu nas tribunas deste arraial. Cícero tinha a fama de brigador. Não desistia de lutar pela absolvição do cliente de jeito nenhum. E de uma boa briga não arregava. Certo dia, em visita à Psiquiatria, viu um homem enjaulado que lhe acenava e fazia Psiu. Quando o homem lhe chamou pelo nome, Cícero se aproximou. Disparou o enjaulado: Doutor, preciso dos seus conhecimentos jurídicos! Cícero ressabiado com o suposto louco, não deu muita bola ao sujeito. Ele gritou: Doutor! Não sou louco. Tenho lucidez e estou em plenas condições de minhas faculdades mentais. Quem me jogou aqui foi minha família, que tenta me passar a perna na partilha da herança deixada pelo meu pai. Muito gado e terras tenho nessa Amazônia de meu Deus. Diante dos argumentos, Cícero logo se aproximou do futuro cliente e sentenciou: Meu filho; loucos são os que lhe colocaram nesse manicômio. Fique tranquilo, me passe uma procuração com amplos poderes para lhe representar e seu direito será garantido. Vamos buscar cada rez, cada palmo de chão que lhe pertence por direito. O sujeito então pediu em voz taciturna para que o Cícero se aproximasse da grade que ele queria lhe segredar algo importantíssimo para a lide. Cícero com toda a parcimônia levou o rosto a grade e o sujeito em um gesto rápido agarrou nas duas orelhas do grande tribuno e  lhe disse: mas o senhor gosta de uma confusão heim Dr.? O sujeito era louco de pedra. Esse louco é o PSB. Mas gosta de uma confusão, nunca vi igual. Essa é uma homenagem respeitosa ao grande advogado e pai de um amigo de Colégio Amapaense, Cícero Bordalo Jr., que herdou do pai a fleuma de grande tribuno e honrado advogado.

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