segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Boas Palavras - Misericórdia: do coração do Pai para nós

"Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia." Mt 5:7

Como bem sabemos, ser "bem-aventurado" é ser feliz. Mas quando Jesus fala que felizes são os misericordiosos, Ele está tratando de uma felicidade diferente; uma felicidade que nasce na felicidade do outro. Vamos entender um pouquinho mais sobre isso? Durante essa semana pude ler algumas coisas muito valiosas sobre o assunto e compartilharei com vocês o que mais me chamou a atenção.


Para começar, vejamos a definição que o Reverendo Russell Shedd, grande servo do Senhor, apresenta para a palavra misericórdia em seu livro A Felicidade Segundo Jesus: "É uma qualidade divina pela qual a compaixão nos afeta de modo suficientemente profundo para nos fazer procurar aliviar o sofrimento do próximo" (grifo meu). A partir desse conceito podemos extrair alguns aprendizados:

1. A misericórdia é uma qualidade de Deus, portanto só a tem aquele que está ligado a Ele: Muitas ações humanas possuem aparência de misericórdia, mas não passam de um desencargo de consciência. Todos nós sabemos que muitas pessoas sofrem e isso nos incomoda quando nos vemos em meio a tantos privilégios. Mas socorrer o sofredor apenas para "fazermos nossa parte" e não ficarmos com a "consciência pesada" não passa de uma atitude egoísta e que não chega nem perto da verdadeira misericórdia, pois essa só existe nos corações nos quais habita o Espírito Santo, o que os torna parecidos com Deus;

2. A misericórdia tem origem em uma profunda compaixão: Só quem consegue colocar-se no lugar do que sofre é capaz de ser misericordioso. Sentir a dor do outro como se fosse a sua, chorar com ele, compadecer-se dele. Essa é a origem da misericórdia;

3. A misericórdia nos leva a desejar aliviar o sofrimento do outro: Não basta sentir o que o sofredor sente, devemos agir. O misericordioso é aquele que se compadece ao ponto de não ver outra opção a não ser aliviar o fardo que pesa nas costas do seu próximo, ainda que para isso ele mesmo o tenha que carregar. E, ao ver o outro livre de sofrimento, o misericordioso é feliz.

Somos misericordiosos quando socorremos alguém em sua necessidade, seja ela material (alguém menos privilegiado financeiramente) ou emocional (oferecendo palavras e gestos de paz ao que está com o coração atribulado). Também quando perdoamos os que nos ofendem, a fim de aliviá-los do peso da culpa, e quando proclamamos o evangelho visando à libertação das almas ainda escravizadas pelo pecado.

O maior exemplo de misericórdia que podemos ter é o do nosso Deus. Ele, que nos criou e tem todo o poder e autoridade para nos fulminar e condenar em vista dos nossos infinitos pecados, escolheu não nos dar o que merecíamos. Ele preferiu mandar Seu Filho Jesus para carregar toda nossa culpa e vergonha na cruz para nos livrar do castigo que era merecidamente nosso. Ele nos socorreu, nos perdoou e nos deu a verdadeira libertação, mesmo sem sermos dignos. Essa é a mais terna misericórdia, a misericórdia do Pai.

Socorrer, perdoar e evangelizar parecem tarefas humanamente difíceis de serem cumpridas, mas quando olhamos para o que Deus fez por nós não há como nos negarmos a sermos misericordiosos. Se somos Filhos desse Deus, a misericórdia deve estar no nosso DNA. Cabe a nós exercitá-la, para que seja em nós uma característica aparente.

Mas e o que recebem os misericordiosos? Bom, Jesus nos diz que eles alcançarão misericórdia. De fato, só demonstram misericórdia aqueles que dela são fruto, e que já a tem a seu alcance.

Que Deus nos conceda um coração misericordioso, cheio de amor e compaixão, para sermos a cada dia mais parecidos com Ele.


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