segunda-feira, 15 de outubro de 2012

De Tudo Um Pouco


Tenho certeza de que a população macapaense tem conhecimento desses dois preços tão sobejamente propagados em produtos nacionais e de origem estrangeira. O primeiro, R$ 1,99, começou quando da criação da Áreas de Livre Comércio de Macapá e Santana, disputando paridade com o dólar americano, aquela época +/- R$ 2,00. Logo nossos empresários importadores atinaram para o marketing de que mais valia diminuir R$ 0,01 ( um centésimo de Real ) no preço de venda dos produtos importados. A febre alastrou-se e o novo preço passou a valer para tudo e, mais precisamente, para as chamadas mercadorias populares.

O mais interessante dessa odisseia é que as funcionárias/Caixas das empresas não dispunham de R$ 0,01 de troco, e então empurravam caixa de fósforo, balas (bombons ) de todo tipo, agulhas, alfinetes, etc...  Alguns clientes, mais apressados ou que dispunham de mais recursos, recusavam-se a receber o troco em mercadorias ( venda casada ). 

Lembro-me de um caso pitoresco do qual não participei, mas tomei conhecimento. É o seguinte. Certo cidadão fazia compras de R$ 1,99, pagando sempre com R$ 2,00, e recebendo de troco R$ 0,01 em bombons, em determinada loja que vendia produtos importados. Fez isso  durante o tempo necessário para acumular o valor de R$ 1,99 e, de imediato, voltou à loja, comprou um objeto de R$ 1,99 e pagou em bombons ( aqueles acumulados e da mesma marca ). A funcionária estranhou aquela operação que lhe pareceu inusitada, e recusou o pagamento. O cidadão, então, chamou o gerente e narrou a estória do recebimento do troco em bombons, que eram da mesma marca que a funcionária usara para dar como troco de R$ 0,01. O gerente não titubeou. Autorizou o recebimento e determinou à funcionária que arredondasse todos os preços de R$ 1,99 para R$ 2,00. Acabou a confusão. Olho por olho, dente por dente.

Passado algum tempo, outro produto que trouxe esperanças de poupança à população detentora de veículo movido a gasolina, quando esta começou valendo R$ 1,00, o litro. Lembram-se, faz muito tempo? Não sei, confesso. Só sei que fui, sou e continuarei sendo vítima desse oportunismo econômico-financeiro, especulador e ganancioso dos detentores das bandeiras que revendem o produto. Já faz algum tempo que o preço de R4 1,00 foi para o espaço.  Aí veio o R$ 2,00 e daí pra frente, em escala geométrica, quase chegou a R$ 3,00. Lembram disso? Acho que chegou perto. 

Então os postos de revenda de gasolina adotaram a seguinte estratégia: a variável é R$ 2,41 ( o mais barato, o do Forte que é mantido até hoje ) a R$ 2,79 ( preço de hoje ), retabelado pela inconsequente falta do produto em Macapá. Esses preços, com raríssimas exceções, são mantidos descaradamente. Afrontando os consumidores. Mas um fato que desejo relatar aconteceu comigo. Pouco tempo atrás, indo para o Distrito do Coração onde moro, um posto de gasolina recém inaugurado anunciava o preço do litro em R$ 2,41. Duas semanas depois, misteriosamente o preço que constava na tabela era R$ 2,55 ( igualando-se aos demais da redondeza), e sem que o preço do petróleo tivesse sido aumentado na refinaria. Matematicamente  a conta é a seguinte : R$ 2,55 - R$ 2,41 = R$ 0,14, que equivale a 5,81% de aumento por litro. Que fatores justificaram tamanho aumento de preço? Os investimentos feitos em obras físicas? 

O interessante dessa odisseia é que a maioria dos postos de gasolina mantém a mesma estrutura física, alguns com mais de dois frentistas e no máximo de quatro, um estabelecimento matriz e vários outros filiais. Parece  que o custo de aquisição do produto é rateado entre os vários estabelecimentos da empresa, não importando sua localização, quadro de pessoal, beleza física do prédio, bom ou mal atendimento. Igualam-se em tudo, como se combinado fosse. 

Confesso que ao longo de toda a minha vida laboral na Ciência Contábil, não consigo entender que tipo de planilha de custo os postos de gasolina adotam. Uma certeza é visível, usam o " sistema do olhometro ", porque nada justifica o aumento de 5,81 % mencionado acima.

A agora José? Quem duvida que a falta do combustível não venha com novo preço. Pago pra ver. Se isso não acontecer, o próximo artigo terá a seguinte frase - DESCULPEM-ME, SENHORES DONOS DE POSTOS DE GASOLINA. ERREI. 

Com a palavra Suas Excelencias, os Senhores e Senhoras Procuradores e Procuradoras do Estado do Amapá, honoráveis Fiscais da Lei. Socorro.

Para reflexão: Os obstáculos que aparecem em nossas caminhadas são para serem transpostos. Faça isso todo dia, o dia todo. (JF).

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