por Roberto Gato
No Estado do Amapá, só a capital exige a escolha majoritária em dois turnos. Os demais 15 municípios, já definiram seus prefeitos. Você acompanha a lista dos eleitos em um Box desta reportagem, mas o município de Amapari chama atenção pela unanimidade do prefeito eleito Genival Gemaque, com 98,25% dos votos. Nesse caso, não há contestação, o povo de lá quer mesmo Genival. Não decepcione os cidadãos do Amapari, prefeito.
E como toda escala tem o ápice e a base, Porto Grande é a base nesse intervalo, pois o comunista Tonho foi eleito com o menor percentual de votos. 27,44%. Mas foi, e, na festa da democracia o que prevalece é a vontade da maioria, com respeito à minoria. Tonho é prefeito.
Concluída a primeira fase das eleições municipais, restam às análises. Perdas e ganhos. Sobretudo para o PSB, que governa o Estado. Os legalistas querem dar tratamento cartesiano à eleição, porém a exatidão matemática não se aplica ao processo eleitoral. As análises são puras conjecturas.
No caldeirão político partidário há uma pitada de paixão, outra de interesse pessoal, uma boa dose de análise criteriosa e, por fim, uma colher de chá do resultado das ações de quem está pedindo um voto de confiança. Misture isso tudo com a razão e irracionalidade e... ZAZ! Terás o prato quente chamado política partidária.
E se isso é verdade, logo, a eleição não termina quando acaba; na realidade política não termina nunca, é sempre uma ação continuada, pois no calendário eleitoral brasileiro bienal uma eleição (municipal) é sempre o "avant premiere" da principal (estadual e federal). Na realidade, é um teste de popularidade.
Bem, se isso é fato. Pronto! O PSB do governador Camilo Capiberibe precisa colocar a "barba de molho". Ainda bem que eles gostam de barba. Pai e filho. É que o PSB perdeu nessas eleições, e perdeu feio. Elegeu três prefeitos de municípios com colégios eleitorais pouco expressivos. No Oiapoque, com Miguel do Posto (47,88%); Ester de Paula, no Itaubal (50,26%); e Serra do Navio, com Zé Maria (33,05%).
Nos três maiores colégios eleitorais, no entanto, o PSB perdeu. Macapá (ainda indefinido, PDT ou Psol), Santana (PTB) e Laranjal do Jarí (PP). Essas derrotas, com certeza, estão levando os socialistas a refletirem sobre suas posturas políticas. Aliados, secretários e assessores, todos, devem estar na berlinda neste momento, pois, sem dúvida o governador Camilo Capiberibe precisa mudar esse sentimento com relação ao seu governo. Afinal, ele virá, indubitavelmente, à reeleição em 2014.
Se de um lado o PSB vive seu inferno astral, o PDT está literalmente em céu de brigadeiro. Tudo azul. Roberto Góes, após ter vivido seu maior drama pessoal, envolvido numa operação da Polícia Federal que ainda não disse nada com relação às acusações que sobrepesaram nas suas costas, com muito trabalho de seus servidores e colaboradores, conseguiu recuperar a credibilidade que sempre gozou junto ao eleitor amapaense. Foi eleito vereador, deputado estadual por cinco mandatos e prefeito.
Nunca perdeu uma eleição neste arraial.
Numa sequencia lógica, Roberto voltou a ganhar no primeiro turno dos deputados federais Davi Alcolumbre (DEM), Evandro Milhomem (PCdoB), do sindicalista Genival Cruz (PSTU) e da deputada estadual e candidata do setentrião, Cristina Almeida (PSB). O prefeito pedetista obteve sim de 40,18% dos votos válidos. Em números absolutos, 82.039 votos que reconheceram que Roberto Góes fez boa gestão à frente do município. Clécio Luiz, o segundo colocado teve 56.947 votos. Uma diferença considerável de 26.092 eleitores.
Bem! Os céticos e legalistas baseam-se na lei para afirmar que a eleição no segundo turno começa do zero. Discordo frontalmente. Eleição no segundo turno começa do zero para a legislação eleitoral brasileira e o único fator isonômico na segunda etapa do processo é o tempo de televisão e rádio dos candidatos: 10 minutos para cada. O resto é começar de onde o processo foi interrompido, pois a dicotomia ocorre em função do princípio da maioria absoluta, ou seja, a necessidade legal de que o candidato em colégio eleitoral que possui mais de 200 mil eleitores obtenha 50% mais 1 dos votos.
Não fosse isso o processo aconteceria "de carreirinha", como dizia o inesquecível personagem de Lima Duarte "Sassá Mutema". Logo, Roberto precisa de uma "intera" de votos na faixa de 11% e Clécio de uma fatia maior, 22,11%, praticamente o dobro. O resto é discurso com o fulcro de tentar reverter o voto daqueles que já se decidiram. Quem queria votar no Clécio votou, no Roberto também. Agora os votos dados aos demais candidatos, os brancos, nulos e a abstenção, que, inclusive, foi altíssima (49.201 votos) deve ser o alvo preferencial dos candidatos. E quem tiver maior poder de convencimento, esse será o prefeito da capital.
Nesse momento onde as análises são imprescindíveis, os jornais buscam impressões de analistas políticos. O Tribuna Amapaense foi ouvir Raimundo Azevedo Costa, uma liderança política local, primeiro prefeito eleito da capital e vereador por Macapá. Vamos acompanhar o que pensa Azevedo com relação ao resultado das eleições:
Uma nova conjuntura politica para o Amapá
O Tribuna Amapaense foi ouvir Raimundo Azevedo Costa, uma liderança política local, primeiro prefeito eleito da capital e vereador por Macapá. Vamos acompanhar o que pensa Azevedo com relação ao resultado das eleições:
Hoje no Amapá é freqüente a crítica da dobradinha no governo entre as famílias Góes e Capiberibe. Não é bem assim. Estes dois grupos políticos significam lideranças partidárias e políticas no Estado. E hoje o eleitor demonstrou que não concorda com essa visão. Tanto é verdade, que a família Capiberibe não entrou. A candidata desse grupo não foi ao segundo turno. Quem disputa a eleição no segundo turno com Roberto Góes é aquele considerado terceira via. Essa renovação dá uma estrutura necessária e correspondente para que sejam lançados bons candidatos ao governo do Estado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. Porque existe uma necessidade de que isso ocorra.
Nós vimos que Macapá não elegeu seu prefeito no 1º turno. Vimos também que houve ascensão de alguns partidos menores, de alguns partidos que estão começando e a queda daqueles partidos maiores, como o PMDB, PT, e o próprio PSDB. Eu observo que no Amapá nós vamos ter uma disputa acirrada ao Governo do Estado, em 2014.
A primeira visão é que existe deste lado - dos Góes - um candidato que está aí já querendo voltar para uma eleição nova que se chama Waldez Góes. Mas isso depende muito de uma junção política, de uma junção partidária. E o outro lado, que se chama Capi. Este parece que já está apagado, porque se o candidato do Psol for eleito prefeito, ele já tem um candidato que é Senador e que tem 8 anos de mandato e que pode ser apoiado por este prefeito ao Governo do Estado.
A decisão de Sarney pode mudar o cenário para 2014
Então, o que se observa nessas alianças que se formaram, como dizia meu amigo Antônio Cordeiro Pontes, tem muita água para rolar debaixo dessa ponte. Nós que somos analistas políticos temos que estar com atenção voltada para esses acontecimentos. Quero dizer aqui, que no ano passado, (abril ou maio), o presidente Sarney deu uma declaração nacional que ele não viria mais como candidato ao senado pelo Amapá nessa nova eleição. Mas ele pessoalmente ainda não conversou com o professor Azevedo Costa, que é amigo dele, que foi responsável pela estada dele no Amapá. Mas se realmente isso acontecer, pode haver uma modificação. Quem sabe o Waldez não vai como candidato ao senado? Vamos aguardar, vamos esperar pra ver se realmente isso acontece.
Na minha visão existem dois candidatos que viriam ao governo, se o Waldez for ao senado: um candidato que tá mostrando que os partidos estão unidos, o PMDB com o PDT, seria Gilvam Borges (PMDB); outro seria Roberto Góes, que é do PDT e que deverá ser eleito prefeito nessas eleições. Mas vamos aguardar para poder dar uma definição.
Desestabilização de PMDB e PT
Quanto à desestabilização do PMDB e do PT a pergunta que se faz é: será que eles poderão se estruturar melhor nas próximas eleições? Isso eu, com certeza, vou provocar com o Gilvam Borges que é o presidente do PMDB. Vou provocar para que a gente sente para começar a estudar de que maneira poderemos ter e fazer para que este partido cresça mais nesse Estado. Pelo outro lado - PT -, acho que também tem a mesma obrigação. São dois partidos grandes e que têm a necessidade de lançarem os seus candidatos e a obrigação de fazer um bom trabalho político em prol do desenvolvimento do Estado do Amapá.
Quanto à especulação em torno do nome do Senador Randolfe
Quanto às especulações em relação ao futuro político do senador Randolfe Rodrigues (PSOL), o diretório nacional está dizendo que ele é um dos possíveis nomes para a disputa presidencial de 2014. O que analiso é que o Randolfe, como dizia minha avó: isso são coisas difíceis, mas, tudo é possível. Acho que ele deverá vir e trabalhar em cima de uma eleição dele dentro do Senado. Caso contrário, ele estará fora. E ele já teve um exemplo disso: quando ele sentou na cadeira de senador, abriu a vaga para presidente do senado, ele se candidatou e não conseguiu disputar. Esta visão de alguns segmentos políticos que dizem que o Randolfe pode ser presidente da República, é quimera. Embora, se for candidato à presidência da República, eu voto nele. Mas dificilmente isto vai acontecer. (Risos)
O que falta ao PT/AP
Eu vejo que o que está faltando no PT é a mesma coisa que está faltando no PMDB. Uma reorganização partidária para que se tenha condição de se escolher o melhor para disputar uma eleição. Marcivânia lá em Santana, que a gente via que as pesquisas sempre à traziam na dianteira, aconteceu o mesmo com Russomano em São Paulo. É a mesma coisa. Porque nós observávamos que o Prefeito em Santana estava em queda, declinando em função da administração que o santanense não gostava dele, então como isto estava acontecendo, tem mais a questão da não junção partidária. O PT tá desunido. A Deputada Dalva Figueiredo está de um lado. O Prefeito do PT, chamado Nogueira, está do outro lado junto com Joel Banha que é secretário de governo. Então, o PT hoje é um partido que está rachado. Ele deve sentar à mesa com as suas lideranças para discutirem as questões do Amapá. Para que tanto seus filiados, quanto para aqueles que admiram suas lideranças possam acreditar nelas.
Quem vai ser o prefeito
Não tenho bola de Cristal, mas minha experiência política diz que o próximo prefeito será aquele que conseguir convencer os eleitores de Cristina, Davi, Milhomem e Genival a acreditar nas suas propostas. Penso que o resultado do 1° turno é um indicativo, mas não um fato consumado.
O segundo turno da eleição
e a encalacrada do PSB
O sociólogo e pedagogo Job Miranda, militante e experimentado analista da estrutura e conjuntura política local, fala da posição do PSB neste processo. Job escreve sobre o segundo turno das eleições e a encalacrada do PSB.
Aconteceu o que já estava previsto para o primeiro turno da eleição à prefeitura de Macapá; previsto tanto nas pesquisas de opinião como nas manifestações dos eleitores, nas ruas: derrota acachapante da candidatura do PSB. Além de acachapante, não foi uma derrota qualquer por ser inusitada e, num certo sentido, desmoralizante - uma vez que, nunca antes uma candidatura a prefeito apoiada por um governador no Amapá (quem quer que fosse tal governador) tivera uma votação inferior a 24% dos votos. Nem mesmo Bala Rocha (ainda que Bala tivesse caído de paraquedas no domicilio Macapá, e, ainda, no que pesasse o desgaste da gestão do então governador Waldez) tivera, em 2004, votação tão pífia quanto o PSB, agora.
Em toda a história do Partido, e em todas as circunstâncias vividas, o PSB nunca tivera uma derrota de tamanha magnitude e de tão largo significado. Embora o tema deste artigo não seja a derrota eleitoral mencionada, destaca-se aqui, apenas para efeito ilustrativo, as participações do PSB nos pleitos eleitorais majoritários municipais, em Macapá: em 1988, ganhou com Capi; em 1992, apoiou (e ganhou com) Papaléo; em 1996, foi de Waldez Góes; em 2000, ganhou com João Henrique; em 2004, concorreu com Janete; em 2008, foi de Camilo com Randolfe, de vice.
Da ilustração referida, tem-se que, nas eleições dos anos mencionados, com exceção de 1996 (quando obteve 25%% dos votos, no apoio a Waldez), o PSB sempre obtivera votação expressiva, e expressiva com mais de 30% dos votos. Mas, tal expressividade ou performance fora desmanchada nesta eleição. Desmanche esse que, por ser inusitado, requer uma análise com profundidade em base científica, isso porque, se assim não se proceder (e, venha-se dissimular, ocultar ou, mesmo, minorar o tamanho e a abrangência do citado desmanche, da derrota sofrida) se tornará impossível recuperar aquela expressividade (e desempenho) nas urnas.
Ilustrações à parte, o fato é que os pessebistas saíram do primeiro turno numa encalacrada: já com reflexo para a disputa de 2014, a primeira decisão estratégica que o PSB terá de tomar reside em como se portar no segundo turno desta eleição (que atitude tomar em relação a Clécio e a Roberto). Em miúdos, decidir como estratégia, o que é (ou será) mais lucrativo, ou menos prejudicial, a Camilo quando da recandidatura ao governo, em 2014, caso ele venha lutar por reeleição. E isso reflete uma encalacrada de tirar o sono, como que uma sinuca de bico.
Então, o que fazer? Essa indagação nos traz a memória uma obra de Lênin, líder da Revolução Russa de 1917.
O que fazer: apoiar Roberto ou apoiar Clécio? Ou então, privar a militância cristinaiana de orientação ("liberar a militância") deixando-a à deriva? Ora! Já que, deixar a militância à deriva não é opção nem saída, mas isolamento, só resta ajudar a eleger Clécio ou Roberto. Neste contexto, entra em cena a pergunta fatal: negociar o que, para apoiar um deles, se Waldez e Randolfe estão na espreita, de olho em 2014? Se Roberto for reeleito Waldez ressurgirá com toda força como governamentável, em especial se estiver sem condenação judicial. Se Clécio ganhar a eleição, Randolfe (que já está de pé na estrada), e que apresenta certa consolidação, ficaria mais do que nunca consolidadíssimo como candidato a governador para 2014.
Resguardadas as proporções (e complexidades de contexto), os pessebistas já experimentaram dilema como esse da hora. Experimentaram em 2002. No segundo turno da eleição daquele ano, os Capiberibe orientaram voto em Waldez Góes. Orientaram voto em Waldez na fé de que, com aquela estratégia, retornariam logo-logo, e com certa facilidade, ao poder. Mas o tiro saiu pela culatra; tanto que os Capiberibe se surpreenderam impotentes diante da fortaleza do que se denominou Harmonia, a qual se tornara tão intransponível, que, não fosse a fortuna (um termo sacramentado por Maquiável), que neste caso se conota sorte [a sorte de contar com a operação denominada Mãos Limpas deflagrada pela Polícia Federal], o PSB tenderia a se tornar um partido nanico e os Capiberibe praticamente estariam "varridos do mapa". Eis algo revelador de uma certeza, de que, em política, a estratégia operada com base na lógica aristotélica ou cartesiana torna-se o caminho mais curto para a "morte"!
Voltando ao contexto atual, o drama do PSB parece ter cores assim: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O pior de tudo (ou o melhor, conforme se queira) é que o espectro político amapaense não mais se restringe a dois blocos fundamentais, mas a três; de modo que, não há mais que se falar, pelo menos por algum tempo, em terceira via, mas em três blocos, dada a nova configuração de territorialidades organizativas com distribuição um tanto equilibrada de lideranças políticas e quadros eleitorais (Waldez, Capiberibe e Randolfe, quiçá, Lucas). Portanto, a coisa agora é mais complexa que antes, do que a conjuntura de 2006, por exemplo - quando havia a polarização PSB versus PDT.
Todavia, tal polarização está superada. E, com tal superação, tornou-se quase impossível a um bloco, qualquer que seja, vencer eleição em primeiro turno.
Essa realidade impõe negociação aos blocos em disputa de segundo turno (juntamente) com o bloco perdedor no primeiro. Isso sugere que, caso Camilo dispute um provável segundo turno, em 2014, ele, Camilo, precisará do apoio do bloco que não passar para o segundo turno. Tendo isso em conta, o PSB não tem como abrir mão de visão estratégica aguçada e habilidade política superior à decisão que tomará neste momento; à qual, num pensar estratégico, não há espaço para vaidades inúteis, desagregacionismo irracional, inexperiência administrativa, e utilitarismo (refletido na esperteza de relação de mão única).
Então, pontualmente, eis a encalacrada do PSB. Tal qual em 2002, o PSB tem o poder de decidir a eleição a prefeito neste segundo turno; porém, nem o PSOL nem o PDT querem o apoio formal do PSB (visto que o PSB está satanizado, isto é fato; não querem porque pega mal), mas ambos querem o apoio do PSB de modo informal, subterrâneo. Os pessebista não podem (ou não poderiam) apoiar Roberto, depois de tudo que se disse sobre o que se denominou Harmonia. Apoiar Clécio? Este, Clécio, queria derrotar os Capiberibe em 2010 e, agora, o PSOL ajudou a eleger Robson Rocha à prefeitura de Santana [fato o qual levará mais dificuldades à campanha que visará reeleição a Camilo (?)] e, mais ainda (registrando novamente) consolida definitivamente a candidatura Randolfe ao governo, a qual já conta com a simpatia da FECOMERCIO e de Jorge Amanajás e poderá contar, também, com Lucas e Davi, se estes abrirem mão da concorrência, e, possivelmente com o PCdoB. Mas, de tudo isso, o lado mais perturbador dessa encalacrada seria errar no apoia, apoiar justamente o bloco que poderá levar ainda mais dificuldade a Camilo em 2014. O ideal e desejável para o PSB seria apoiar, agora, o bloco que deverá ser o menos competitivo em 2014, uma vez que tal bloco poderá não passar para um provável segundo turno na próxima eleição a governador e, ainda por cima, poderia devolver a gentileza do apoio recebido do PSB à candidatura Camilo. Mas aqui aparece outro dilema, como saber ou prever isso? Quem sabe uma boa quali de laboratório preparadora de uma pesquisa quali de campo, seguida de outra boa quali de laboratório produza informações precisas e indispensáveis a um planejamento estratégico necessário à compreensão situacional do momento, num planejamento com participação de especialistas, dirigentes da organização e colaboradores experientes em elaboração de estratégia, possa, então, dá luz à resolução desse drama, dilema, sinuca de bico, porco, xeque, quebra-cabeças, encalacrada do PSB.
Mas, repetindo, o aqui exposto como encalacrada só fará sentido se ocorrer segundo turno em 2014 e se nele Camilo estiver. Contudo, de repente, o PSB pode não ler o quadro da conjuntura eleitoral assim desse jeito, para, quem sabe, o júbilo de Descartes e Aristóteles, num tomar o rótulo pelo conteúdo. Todavia, por cautela, e isso interessa a todos, seria bom lembrar que já ocorreu, na política brasileira, um gestor com 80% de índice de aprovação perder a eleição da reeleição (como atesta a historiografia sobre eleições, à luz da ciência política, na obra do mestre Alberto Carlos Almeida); bem como, gestor com baixíssimo índice de aprovação ganhar a eleição da reeleição, e ganhar em primeiro turno, caso de Waldez Góes, em 2006, aqui mesmo, no Amapá.
Roberto e Clécio disputam espólio eleitoral
O senador Randolfe Rodrigues (Psol) está no olho do furacão do segundo turno das eleições em Macapá, que será decidido entre Roberto Góes (PDT) e Clécio Luis (Psol) no próximo dia 27 de outubro. Principal fiador da candidatura do vereador Clécio - primeiro suplente do jovem senador -, Randolfe abraçou de corpo e alma a campanha do prefeito eleito de Santana, Robson Rocha (PTB). De uma só tacada, Randolfe colocou Clécio no segundo turno na capital, e ainda jogou a pá de cal que sacramentou a derrota da professora Marcivânia, candidata do PT em Santana.
Entre choros e ranger de dentes, os petistas juram vingança velada. Como poderiam pedir votos para um candidato que, além de estimular greves de professores contra o governador Camilo Capiberibe, teve a ousadia de contribuir para o fracasso da professora Marcivânia? A resposta virá das urnas.
Com 27% dos votos obtidos no primeiro turno, Clécio parece ignorar o ódio circunstancial dos petistas. Logo após ter o nome confirmado para o segundo turno, o candidato do Psol condicionou independência total para "aceitar" o apoio do PSB da deputada Cristina Almeida, que amargou o terceiro lugar.
Em resposta, o PSB disse que só vai apoiá-lo se este compromisso for público, dentro de determinadas condições. (Leia texto nesta reportagem).
O imbróglio da dupla imposição de condições entre Psol e PSB deixa um cheiro de pólvora no ar. Até porque o PT é parceiro de Camilo Capiberibe no governo estadual. E visto que tanto o PSB, como o Psol, são costelas políticas remanescentes do PT, o apoio explícito de Randolfe e Clécio ao filho de Rosemiro Rocha, em Santana, pode ser interpretado como um caso de traição por tabela.
Se o candidato Clécio deseja um respaldo subterrâneo do partido do senador Capiberibe, o mesmo raciocínio não se aplica a Roberto Góes.
Com 40% dos votos no primeiro turno, o prefeito de Macapá não quer aliança eleitoral com o PSB, nem que a agremiação mude da cor amarela para azul.
Nesse contexto, Roberto Góes quer atrair o espólio eleitoral dos democratas, cujo candidato Davi Alcolumbre foi seu secretário de Obras. No mesmo diapasão, o candidato do PDT tenta somar os votos obtidos por Evandro Milhomen (PC do B), que também teve o irmão, João, como secretário de Cultura da capital.
Na briga para chegar ao Palácio Laurindo Banha, Roberto e Clécio também não descartam o apoio do sindicalista radical Genival Cruz (PSTU). Com uma retórica de guerrilheiro urbano, Genival, surpreendentemente, foi mais votado que o deputado federal Evando Milhomen.
PSB, nem pintado de azul
Embora tenha declarado estar aberto aos demais partidos para possíveis alianças no segundo turno, Roberto Góes descartou-a com o PSB. "Temos uma determinação de não fazer aliança com o PSB. Com os outros partidos temos condições de discutir uma aliança, inclusive com o PSTU de Genival Cruz. Tudo depende das condições. Estamos abertos ao diálogo para encontrar o melhor para Macapá", enfatizou.
O candidato à reeleição disse ainda que, apesar dos ataques recebidos no primeiro turno, manteve uma relação de respeito com os outros candidatos. "Sabemos que eles apresentaram propostas para melhorar a cidade", destacou.
Com a dianteira que manteve em todas as pesquisas, confirmadas nas urnas que lhe garantiram 40% dos votos, Roberto Góes manifestou convicção na vitória. "Estamos confiantes para ganhar a eleição, apesar dos muitos embates políticos. Me dou por satisfeito de chegar onde cheguei, estando em primeiro lugar em todas as pesquisas", concluiu.
PSB questiona dupla face do Psol
Clécio Luis destacou o seu crescimento nas pesquisas e adesão do povo nas ruas. "Fizemos uma campanha que nos emocionou muito e cresceu a cada dia. Somos o novo, porque chegamos até aqui sem nenhuma máquina política", disse, em referência direta a Roberto Góes, que é prefeito, e à Cristina Almeida, que tinha o patrocínio do partido do governador Camilo Capiberibe.
"A partir daqui vamos garantir a nossa independência e autonomia. Agora, claro, vamos conversar com os partidos, mas especialmente tenho um desejo muito grande de ter Milhomen, Davi Alcolumbre e Genival ao meu lado. Eles são candidatos que ousaram apresentar um projeto diferente dos que estão no poder", explicitou Clécio.
Mas, embora tenha reafirmado que seguirá a linha da humildade, a estratégia de Clécio pode esbarrar nos atritos com o PSB. Na quarta-feira, 10, o partido emitiu nota oficial que impôs o tom da aliança com o Psol no segundo turno. No documento, por decisão da Executiva Estadual, a Secretaria de Mulheres do PSB deixa claro que o partido adotará uma política própria em relação ao candidato do Psol.
"Corretivo"
Para bom entendedor, o PSB evidenciou o episódio envolvendo Cleidenira, ex-esposa de Clécio, de quem disse ter levado um "corretivo". Motivo de constrangimento para o candidato, o caso ganhou repercussão nas redes sociais, em julho.
Além da referência à suposta agressão à ex-companheira, a nota do PSB estabelece condicionantes para o apoio à Clécio: "que o Psol afirme o desejo de apoio ao PSB, e que a aliança seja pública; que o Psol seja transparente quanto às forças políticas que ora apoiam o seu candidato, apresentando tais forças políticas publicamente".
Incoerência
O pedaço mais contundente das exigências do PSB enfatiza que o Psol "declare publicamente a posição político-ideológica que norteará as alianças para o segundo turno das eleições municipais, bem como para o exercício do governo municipal, em virtude da incoerência observada entre o discurso em Macapá e a prática em Santana".
Finalmente, para dissipar qualquer possibilidade de apoio subterrâneo a Clécio, a nota do PSB enfatiza que o partido "repudia qualquer tentativa de fracionamento de sua militância, e afirma que estará unido em torno de suas lideranças neste segundo turno".

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