segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Artigo do Tostes - A cidade sou eu


Participei em Lisboa-Portugal do lançamento do livro " A cidade sou eu" da autora Rosane Araújo. O livro aborda um conjunto de temas importantes para serem analisados e refletidos por estudiosos, professores e pesquisadores. Um dos pontos importantes do livro está relacionado sobre como reconceituar a cidade, entre as diversas abordagens estão: a cidade informacional; a videocidade; a metápole; as megacidades; a cidade global; a cibercidade; a e-topia; a cidade nodal; a cidade do bits; a ecstacity e outros conceitos de cidades.  Além de todos estes temas o livro apresenta outras questões importantes para serem avaliadas para o futuro como: o urbanismo em estado fluido; o conceito de pessoa  e por último o tema do próprio livro, a cidade sou eu.

No prefácio do livro de Rosane descrito por Derrick de Kerckhove está dito a seguinte afirmação: " o livro a cidade sou eu, é uma demonstração cuidadosa e devidamente referenciada de que os conceitos de cidade e os conhecimentos filosóficos e psicológicos sobre o Eu estão conectados. Mas há uma palavra que me salta os olhos: "orbanismo". Instantaneamente eu recebo uma espécie de confirmação intuitiva que o deslizamento da cidade para o mundo que mencionei acima está de fato implícito na contração e urb e orb.
O autor do prefácio segue afirmando: " Rosane nos convida a mudar radicalmente a nossa percepção da cidade e de nós mesmos. Os argumentos que Rosane oferece à sua imaginação é que lugares podem se deslocar com os deslocamentos de pessoas. De fato, os lugares que ocupamos online são lugar nenhum em particular e dentro de nossos telefones celulares nós carregamos o mundo inteiro no bolso".

Em outra referência sobre o prefácio do livro é feito a alusão de que a escala que nos fez, ao mesmo tempo, globais e locais provê à nossa globalidade, ao mesmo tempo que indica nossa nova condição híbrida. Na página anterior a introdução do livro há um pensamento do arquiteto Rem Kolhas: " Há que se definir um " novo urbanismo" , que não se fundará na fantasia gêmea da ordem e da onipotência. O novo urbanismo colocará em cena a incerteza (...). Um urbanismo capaz de reiventar o espaço psicológico(...) Dado que está fora de controle, o urbano vai converter-se em um novo campo para a imaginação. Este urbanismo redefinido não será apenas uma profissão, mas uma maneira de pensar, cuja ideologia consistirá na aceitação do que existe (KOOLHAS, 2002:6).

Um dos pontos importantes deste livro consiste logo no começo da introdução que versa sobre a cidade que conhecemos e os mais diversos parâmetros: da geografia, da história, da economia, da medicina, das redes, dos mercados globais, da religião, da psicologia, da densidade demográfica, dos fluxos informacionais, dos censos e dissensos, da poesia. A própria autora coloca que há uma gama interminável de estudos que procuram apreender a cidade.

Outro fator importante para ser avaliado no livro resulta em compreendermos o conceito de cidade, como qualquer conceito, é um produto historicamente construído de acordo com a autora. O texto introdutório elucida algo  que envolve diretamente o cidadão que se defronta com condições de subsistência extremamente precárias, podemos dizer que a cidade que ele é carece de todo tipo de recurso. O que autora coloca é que mesmo no espaço territorial de uma cidade, há relações distintas em relação a "vizinhança" e o alcance urbano. 

A introdução do livro é finalizada no último parágrafo com o trecho: " Partindo do conceito, de urbano, saiu dos lugares geométricos e geográficos, e de que é preciso definir a pessoa para definir a cidade que ela é vice-versa, buscando o esclarecimento do "Eu". O que autora define com clareza, é a ideia de que qualquer cidadão, qualquer pessoa, pode dizer: A Cidade Sou Eu".

O livro é um convite para rediscutir o nosso conceito de cidade, de cidadania e principalmente da nossa relação com o processo imaginário. A cidade é fruto de diferentes territorialidades, não aquelas geográficas, mas os preceitos e princípios que vinculam as nossas múltiplas relações com a "habitação", "moradia", "residência", ou "lar" que podem ser analisados por múltiplos posicionamentos históricos e antropológicos. A leitura é um convite para quebrar alguns paradigmas sobre a nossa visão pessoal da cidade e do nosso próprio Eu.


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