segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Editorial - Edição 333

Acorda Amapá

O Amapá, amigos, parece ter sido picado pela mosca Tsé-Tsé, a mosca do sono, tamanha é a letargia que vivenciamos no setor econômico. Este periódico abre duas páginas e trás como matéria de capa "ameaça de desemprego no Vale do Jari". A Jacel, do grupo Orsa por conveniência mercadológica, ameaça diminuir os investimentos em sua fábrica e com isso dispensar cinco mil trabalhadores, a absoluta maioria de amapaenses. O espectro do desemprego ronda a região, apesar da construção civil estar aquecida no município, graças a boa gestão da prefeita Euricélia Cardoso.

Sinceramente, este jornal gostaria de saber quais os dividendos econômicos que esta empresa trás para a economia amapaense, além de empregar alguns milhares de homens. O projeto de Eucalipto ocupa uma grande área de terra que poderia ser utilizada no incremento da agricultura e colocar o Amapá no mercado internacional de produtores de grãos.

Esses grandes projetos, cujo objeto é a exploração de nossa riqueza mineral, são os conhecidos projetos perversos, pois exauridas as jazidas levantam investimentos sem nem ao menos olhar para trás. Dane-se, somos apenas um bagaço de laranja, descartável.

Tivemos inúmeros exemplos na região norte brasileira e pela disposição do governo federal e a falta de programas de desenvolvimentos dos governos estaduais ficamos mesmo à mercê dos investimentos perversos, como agora estamos vendo a construção de três hidroelétricas na bacia hídrica do Estado, cuja energia já foi totalmente leiloada para o mercado nacional e o Amapá já vive num estagio de apagão e amanhã poderá a agudizar o problema.

Resta provado por "a" mais "b" que esse modelo não promove o desenvolvimento da região e em que pese o investimento inicial para implantação das plantas industriais, estes levam muito, mais muito mais do que deixam. Esse deixar fica superlativado quando somamos a exaustão das jazidas minerais ao inevitável caos social provocado pelos remanescentes dos projetos que ficam na região sem nenhuma condição de empregabilidade: os peões.

Na realidade, o Amapá começa a ter dificuldade até de ter a farinha, a "cuaca" na mesa, assim como o açaí, o petróleo do amapaense, plenamente inseridos na culinária local, mas porque não passamos a pensar na utilização de nossas terras para produção de alimentos? A Jacel ameaça sair com um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico na casa dos R$ 150 milhões, para um investimento de modernização que custará a empresa em torno de R$ 207 milhões, mas que tal se isso fosse aplicado nos campos do Amapá?

É preciso que as autoridades ambientais e de planejamento estratégico estejam mais ciosos no momento de liberar áreas para esse modelo de investimento, embora saibamos que a Jacel, Ancel e outros são investimentos antigos, mas nem por isso deixam de ser prejudiciais a economia amapaense ou pelo menos não é isso que vai alavancar o desenvolvimento do Amapá.

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