
O título deste artigo nada mais é do que a conclusão da segunda edição do Ranking de Gestão dos Estados Brasileiros, elaborado pela Unidade de Inteligência do grupo inglês Economist, patrocinado pelo Centro de Liderança Pública e publicado com exclusividade pela Revista VEJA em dezembro de 2012.
O relatório é atualizado anualmente e divulgado na última edição da revista, em cada ano. O objetivo é ajudar a balizar os administradores públicos, a fim de que eles promovam as reformas necessárias e, assim, aumentem a capacidade dos Estados de atrair os investimentos estrangeiros e também os nacionais.
Para fazerem o ranking, os pesquisadores analisaram 25 indicadores em oito categorias, com pontuação de 0 (pior) a 100 (melhor). Conforme a nota na categoria, o Estado é classificado como ruim, moderado, bom ou muito bom. "A meta principal é fortalecer as instituições e evitar o personalismo. Por isso, não foi analisado o desempenho dos governantes, mas das políticas públicas implementadas ao longo dos últimos anos. Instituições vigorosas estão na base do sucesso de uma nação", diz Luiz Felipe d'Ávila, diretor-presidente do Centro de Liderança Pública.
Na categoria do ambiente político, três quesitos foram analisados: estabilidade política, corrupção e burocracia. Três Estados foram considerados "ruim" nessa categoria: Amapá, Roraima e Alagoas. Porém, a nota 6,3 do Amapá contra 18,8 de Roraima e 20,8 de Alagoas o colocou na última posição do ranking, bem distante da média nacional de 43,6.
No que diz respeito à "estabilidade política", não há nenhuma novidade em relação à nota baixa (6,3 pontos), pois a pesquisa apenas quantificou o que já era do conhecimento da sociedade amapaense: não há estabilidade política no Amapá e nos seus municípios.
Todos sabem as razões dessa falta de estabilidade política: a prática que temos por aqui da política do coronelismo, do clientelismo, do nepotismo, da corrupção, do narcisismo e da luta do poder pelo poder. Enquanto o Estado permanecer mergulhado nesse tipo de política, sem uma pauta de propostas concretas e criativas que possam unir aqueles que querem ver uma nova política por estas bandas, continuará a ter notas baixas como a atual.
Por sua vez, o quesito "corrupção" é decorrência da má qualidade da política que se pratica no Estado e nos municípios, voltada para a defesa de interesses pessoais e partidários, quando deveria priorizar os interesses públicos. Para reduzirmos a corrupção no Estado precisamos melhorar a qualidade da política tucuju.
O mesmo ocorre com o quesito "burocracia". No Estado e nos municípios, ela está intimamente relacionada com a falta de administrações públicas profissionalizadas. Na verdade, ainda prevalece nas administrações públicas amapaenses os "cabides de empregos", estruturas desorganizadas e inchadas, e a baixa qualidade e produtividade dos serviços.
Para que a nota do Estado melhore nesse quesito, precisamos construir urgentemente administrações públicas voltadas para o cidadão e para o desenvolvimento, composta por funcionários públicos concursados e especializados, com bancos de dados com informações confiáveis e com a padronização, normatização e informatização dos procedimentos dos serviços prestados aos cidadãos, a fim de se aumentar a eficiência e evitar privilégios e desvios de condutas.
Entretanto, o desafio dos cidadãos e cidadãs do Estado do Amapá deve começar pela melhoria da qualidade do nosso voto. Na hora de votar, devemos afastar para longe dos mandatos executivos e legislativos os políticos que têm compromisso com a política rasteira e ultrapassada aqui descrita, sob pena do Estado não conseguir a estabilidade política necessária, nem reduzir a corrupção e muito menos construir administrações públicas profissionalizadas, que viabilizem a atração de investimos estrangeiros e nacionais para o Estado, com a conseqüente e boa criação de empregos e renda para o nosso povo.
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