por Iranilde Lobato
Em 2010 uma mulher escreveu uma importante página na história brasileira. Dilma Rousseff, batalhadora e defensora dos direitos civis, lutou e foi torturada no regime militar, se tornou presidente do mesmo país que a maltratou décadas atrás. Uma lição? Talvez, mas nada se compara a sua conquista, em um Brasil que ainda é dominado por ideias machistas.
A mulher sempre foi excluída de qualquer participação na história política brasileira, porém essa realidade começou mudar em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, quando através de um decreto elas conquistaram o direito do voto. Ainda que o Código Eleitoral daquela época tivesse restrições, e permitisse que as mulheres casadas só votassem com a autorização do marido, viúvas e solteiras com renda própria podiam votar.
Muita coisa vem se modificando desde então. As leis mudaram bastante, e a participação das mulheres foi se ampliando na sociedade e na política brasileira. Mas é um espaço que se abre aos poucos. Apesar de Dilma ter sido eleita presidente, a representatividade feminina tanto na Câmara como no Senado ainda é pequena. Dos 513 deputados, 46 são mulheres; dos 81 senadores, 10 são mulheres.
Somos o país das mulheres, de acordo com o Censo de 2010 são 195.497 homens e 202.416 mulheres. Uma média de 100 mulheres para cada 96 homens, e não nos representamos politicamente em quantidade e importância que temos na sociedade. O público feminino hoje no Brasil representa 52% do eleitorado. No entanto, as deputadas são 9% da Câmara, as senadoras 15%, e as deputadas estaduais em média têm presença de 12% nas Assembleias Legislativas. Em 1985, a professora Raquel Capiberibe foi eleita vice-prefeita de Macapá na chapa de Azevedo Costa. Foi a primeira mulher eleita no Amapá.
Essa baixa representatividade feminina na política tem um conjunto de fatores, como a resistência dos homens em dividir o poder, um acentuado grau de aversão às mulheres dos políticos quando se trata de compartilhar a profissão, imposição de obstáculos que impedem as mulheres de adquirir prática e com isso melhorar o desempenho, o preconceito, que começa na própria família, a falta de incentivos financeiros.
O resultado das eleições municipais de 2012, que ofereceram 16 vagas para prefeito, 16 vagas para vice-prefeito e 166 vagas para vereador para todos os municípios do Estado do Amapá, mostrou que as mulheres continuam aumentando a sua participação da divisão dos cargos eletivos. Nestas eleições alcançaram 20,20% do total de cargos, correspondendo a 40 cargos (4 prefeitas, 5 vice-prefeitas e 31 vereadoras).
Preconceito
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| Deputada Estadual Roseli Matos (DEM) |
Por todo país temos mulheres brilhantes que lutam contra o preconceito para se firmar na política brasileira. No Amapá na Câmara de vereadores de Macapá dos 23 eleitos apenas 5 (21%) são mulheres. Na Assembleia Legislativa são 7 (29,16%) mulheres num universo de 24 deputados estaduais e de oito representantes do Amapá na Câmara Federal apenas 3 (37,5%) são mulheres.
Nosso Estado tem grandes nomes na política nacional, como a Deputada Federal Janete Capiberibe. Ela é uma das mulheres-parlamentar que há mais tempo batalha pelos direitos dos amapaenses e principalmente pelas mulheres amapaenses, desde 1969, quando ingressou no movimento estudantil secundarista do Amapá. Além dela, as Deputadas Federais Fátima Pelaes e Dalva Figueiredo. A Professora Dalva Figueiredo foi a primeira mulher a exercer por 8 meses o cargo de Governadora do Estado. Em outros momentos, tivemos Helena Guerra exercendo o cargo de vereadora mais longínqua da capital e de vice-prefeita de Macapá.
A Deputada Estadual Roseli Matos (DEM) descreve o que sofreu quando iniciou a sua carreira política há treze anos. "O preconceito existe, mas não na mesma intensidade de alguns anos atrás, sou um exemplo disso. Eu estava grávida, senti latentemente a discriminação por ser mulher e estar grávida. Os próprios homens diziam que eu não ia conseguir concluir o pleito eleitoral, por causa da gravidez. Eu provei que gravidez não é doença. Elegi-me e tive minha filha tranquilamente. Hoje eu sinto bem menos esse preconceito, mas ainda existe, e muitas vezes por parte das próprias mulheres que acabam se limitando. Preconceito por parte de um homem é um tanto compreensivo, mas por parte das mulheres é mais complicado", Conclui.
Crescimento lento
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| Primeira tesoureira da REMEAP, Margareth Pantaleão |
A mulher vem conquistando seu espaço político, mas ainda é muito lento. O preconceito é um dos principais fatores, porém aos poucos as mulheres estão o vencendo. Margareth Pantaleão, primeira tesoureira da Rede de Mulheres do Estado do Amapá (REMEAP), afirma que "as mulheres estão tomando espaço no campo político, jurídico, etc. Na política que se percebe poucas mulheres, mas na sociedade elas já são motoristas, mototaxistas, e caminhoneiras. Está devagarzinho, fraco, mas está se conscientizando. A mulher precisa se impor mais, precisamos nos unir, dar as mãos umas para as outras e fortalecer cada vez mais a mulher."
A emancipação só será efetiva quando atingir as mulheres de todas as classes sociais. A mulher continua alienada, a falta de educação faz com que ela não se torne independente. Sendo muito emotiva, precisa perceber que tem que agir mais com a razão, desta forma iremos acabar com a violência doméstica, preconceito no trabalho e abusos sexuais. Apesar de termos muitas politicas públicas voltas para a mulher, a violência ainda é grande. Está muito ligada a ser dona de casa, quando uma mulher diz uma coisa ela tem que brigar para ser ouvida.
Nossa cultura está muito arraigada no machismo, sempre coloca a mulher para baixo. A própria mulher é machista quando educa o filho "macho" para ser o chefe da família, ele tem uma educação machista, senão ela educaria o homem para respeitar a mulher. Mas isso ainda é herança de nossa colonização, a sociedade brasileira tinha a mulher como um ser inferior, submisso ao pai, depois ao marido, e discriminada.



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