sexta-feira, 12 de abril de 2013




Não nos assuste mais, Nazaré


Meus queridos leitores, espero que vocês não se importem, mas usarei este espaço para escrever uma pequena declaração de amor. Acontece que, uns dias atrás, vovó pregou-nos um belo susto! Essa Dona Nazaré foi parar no hospital, com forte dor no peito. Ficou internada cerca de dez dias, e eu imagino como deve ter sido difícil não poder ver nenhum rosto conhecido, a não ser nos horários de visita, e não poder arrumar a casa, nem engordar os netos, ou dar uma escapulida até o salão de beleza... 
Enfim, tudo está bem. Nossa velha (estou sendo carinhosa, vó...  70 anos são quase 15!) voltou para casa e já podemos respirar aliviados. Por "nós" quero dizer todos aqueles que a amam, e não são poucos, pois amar esta senhora é coisa fácil... Embora reze a lenda que dona Nazaré foi uma mãe um tanto durona, bem, eu só a conheci como "vovó", e, nessa versão, ela é uma grande manteiga derretida; chora por tudo, cuida de todo mundo, e não se esquece de ninguém...
Agora, passado o rebuliço, pode até parecer paranoia, mas, enquanto minha avó estava ali, isolada, à espera de uma intervenção de rotina ou uma operação mais drástica, só consegui pensar em todas as coisas que eu não havia dito a ela. Não por falta de tempo ou de sentimento, mas sim porque a gente se condiciona a achar que aqueles a quem amamos estarão sempre por perto, e que, portanto, não são necessárias atenções mais caprichadas...
Mas, meus caros, depois da experiência hospitalar dessa última semana, a mensagem que quero deixar a vocês é a seguinte: digam que amam. Fale agora mesmo tudo o que sente por aquela pessoa que está sempre ali, logo ao lado, bem atada ao seu braço. Você talvez não julgasse necessária qualquer palavra mais doce ou declaração emocionada, talvez considerasse inconscientemente que a convivência torna a beleza das confissões de amor uma inutilidade, um supérfluo. Mas a pessoa que você ama ainda precisa ouvir que você a ama, e precisa ouvir dos seus próprios lábios, não apenas dos olhos, quando estes, em raros momentos, se permitem brilhar de emoção silenciosa... 
Largue este texto agora e vá se declarar para os seus velhos, para os seus irmãos, para os seus tios, para quem for! E eu, por minha parte, mais pessoal do que nunca, faço de vez a minha declaração  (Azevedo Costa, espero que você esteja lendo este artigo para a Dona Nazaré!): vovó, eu te amo. Hoje, amo tudo o que há na senhora, e te agradeço até mesmo pela palmada de galho de goiabeira sempre prometida, mas nunca cumprida.  Gosto do jeito com que você fala ao telefone, como se as despedidas nunca fossem terminar, e eu digo "tchau, te amo", e a senhora diz "que o Senhor te abençoe", e eu digo "à senhora também", e a senhora responde "tá, tchau, um beijo, te amo", e eu digo "eu também te amo", e a senhora diz de volta "tá, tchau", e a coisa parece nunca ter fim!... Outra coisa engraçada, e que nós sempre costumamos rir a respeito, nós, os netos, é a sua mania de completar as frases dos outros enquanto eles estão falando, e ainda há a sua incrível capacidade de cantar músicas que você nem mesmo conhece... E tudo isso agora me parece muito adorável! 
Eu espero viver ainda muitos anos ao seu lado, e te dar carinho, e assim me redimir das malcriações. Ainda vou te levar para a França, e ainda ouvirei a senhora contar todas aquelas histórias da sua infância, sobre Breves, e sobre o tempo em que morou na casa da Dona Alegria. Enfim, vovó, eu espero que você ainda me veja crescer tudo o que me resta, e que você veja todos os seus filhos e netos e bisnetos muito bem nessa vida, e que me permita ainda uma porção de vezes calçar os seus sapatos, e também deixe, mesmo contrariada, que eu passe rímel nos seus cílios inexistentes, e batom vermelho nos seus lábios, antes de você dormir, só pelo prazer de te perturbar. E desejo ainda aprender a cozinhar aquelas "comidas de Natal" tão boas que a senhora faz, e oro para que a gente ainda experimente muitas alegrias juntas... Na verdade, neste momento, só mesmo pensar em você já me faz feliz. Te amo, vó. 

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