Dualismo: do século
XVII até hoje
O século XVII, denominado como o “século das luzes”, foi um
período de grande importância para a história do mundo. Novos princípios
ideológicos marcaram o homem da época, à luz, sobretudo da tensão que envolve o
teocentrismo e o racionalismo. O interessante é que podemos unir tudo isso e
ver Cristo. Assuntos aparentemente distantes, mas que, sempre buscando uma
outra perspectiva, nos trazem grandes reflexões.
O racionalismo renascentista não foi suficiente para responder
às questões filosóficas do homem, dessa forma, o dilema existencial encontra
uma saída no estilo Barroco, baseado no “Carpe Diem”, viver intensamente já que
a morte é certa. O dualismo (cristão X secular) foi a principal característica
deste estilo e a grande representação – vocês já devem ter ouvido falar – foi
Gregório de Matos, o “Boca do Inferno”.
Nota-se o quanto os conflitos internos entre o “querer e não
poder” fazem-se frequentes nas poesias, da amorosa à religiosa, principalmente.
As aulas de Literatura Clássica no universo acadêmico têm me acrescentando uma
certa liberdade e treinado os meus olhos para a análise delas. A sociedade
realmente levava a sério o lema de “Carpe Diem”. Tudo (de ilícito e lícito) era
feito e, ao amanhecer, o peso na consciência chegava, a “ressaca moral”, e daí
surgiam as poesias religiosas. Entretanto, se imaginávamos que seria o momento
do sujeito tomar um rumo em sua vida, erramos. Pois havia apenas o interesse no
perdão de Deus e a tentativa de buscar a “garantia” da entrada para o céu, sendo
seu maior interesse em detrimento ao arrependimento de fato.
Percebem o quanto toda essa história de séculos atrás (ainda)
combina com a nossa realidade atual? Vejam. Um crente fiel e temente a Deus
vive diariamente com o dualismo em sua mente. Nós, filhos de Deus, somos
bombardeados de tentações e, muitas vezes, o que queremos, não podemos. Por
termos um coração pecaminoso, sofremos com as nossas escolhas, com desejos e
vontades; estes os quais depositamos diariamente aos pés de Cristo, para que
Ele com a Sua sabedoria e amor, aquiete-nos.
A vida não termina com a morte, Cristo voltará e todos
passarão por um julgamento, uma prestação de contas de tudo aquilo que viveu. A
noção de “aproveitar a vida” realmente deve ser praticada, mas de forma sábia,
aproveitando de maneira prudente – bíblica – as coisas lícitas que o Senhor dá
aos Seus filhos.
Ao vivermos uma vida íntegra aos olhos de Cristo, não estamos
isentos de tentações. Assim como uma onda de dificuldades podem fortalecer, ela
pode também afogar. O Senhor em sua Palavra sempre ratifica a importância do
verdadeiro arrependimento, e Ele não está se referindo a uma “ressaca moral de
todos os dias”, a qual você faz a mesma coisa errada, em plena consciência, e
depois se achega a Deus pedindo perdão sem nenhuma brecha para a mudança.
Um coração devoto não é aquele que se mostra ansioso, apenas,
por perdão, mas também é aquele que apresenta a disposição de mudar, de querer
mostrar gratidão ao Deus que tudo faz por nossas vidas, inclusive, mandou o Seu
único Filho (único!) para morrer por nós e nos redimir de toda imundícia do
pecado. Quem que faria isso?! Só Deus. “Como está escrito: Por amor de ti,
somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o
matadouro. Em todas as cousas, porém, somos mais que vencedores, por meio
daquele que nos amou.” (Rm. 8: 36-37)
Não é fácil. Não é. O conforto, diante de tantos conflitos,
nós só temos nos braços de Cristo. A força para continuar provém dEle, para
isso, precisamos pedir e também fazer a nossa parte, não sermos como Gregório
de Matos, mas como Jesus Cristo, que ao ser tentado e ter seu coração afligido
por tristeza, orou e a Seu Pai pediu resgate!

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