sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pioneirismo

Pioneirismo

“O pai de família que vive no interior, não tendo expectativa de crescimento para seus filhos, vem para a capital e incha a periferia; decepcionado e depressivo passa a ser dependente do álcool ou a vender drogas para criar e alimentar os filhos, logo em seguida eles seguem o mesmo caminho e as filhas se prostituem, se tornam mães prematuras e o número de dependentes dessa família cresce e a miséria aumenta”.

Manoel Edmundo Ferreira Botelho – Arquiteto e Urbanista


A editoria do pioneirismo foi encontrar no Bairro Brasil Novo, o primeiro arquiteto do Amapá, Manoel Edmundo Ferreira Botelho, ele tem na sua bagagem dois grandes nomes como genitores e pioneiros da educação amapaense, os professores Diniz Henrique Botelho e Dinete Botelho. A vida dele começou como o poema de Augusto Cury“A maior aventura de um ser humano é viajar...”, pois nasceu em Belém dia 24 de setembro de 1948 e no dia 25 de setembro, estava em Macapá, trazido pelos seus, que vieramem 1946, convidado pelo Governador Janari Gentil Nunes, ingressando no quadro de funcionários do Território Federal do Amapá no dia 1º de maio do mesmo ano, na função de professor, dessa união além do nosso pioneiro nasceram Francisca Denize (professora), Sandra Regina (professora), Diniz Henrique Filho (desenhista) e Mário Rubens (médico).

Para Edmundo Botelho, como é mais conhecido no Estado, a sua infância foi a mais agradável possível, pois tinha uma cidade bucólica e um Rio Amazonas para banhar-se e divertir-se com os colegas, porém como o seu pai vinha de uma formação militar o controle era rígido, e contra peso vinha da saudosa genitora Dinete Botelho. “Foi espetacular, tínhamos liberdade, vivia dentro do rio Amazonas o dia inteiro, a violência não existia, os destemperos da juventude eram resolvidos no “braço” e depois eram esquecidas as desavenças. Hoje o que vemos é a utilização de armas de fogo e branca para solucionar os desentendimentos”.

 Matreiramente, quando perguntado pela passagem da adolescência, ele relembra que ela foi interrompida em Macapá e justifica que tudo aconteceu quando aos 13 anos de idade, surgiu uma mulata sambista do Boêmios do Laguinho que começou a namorar. Mas, sua família cortou os laços o enviando para a casa da avó e das tias em Belém e da lá retornou casado e formado em arquitetura e urbanismo, assim como professor de desenho. Edmundo estudou no IETA, Guanabara, Colégio Amapaense até a 3ª série ginasial e terminou no Colégio Marista Nazaré (PA).

Família

Foram quatro casamentos nestes 65 anos de idade. O primeiro foi aos 25 anos em Belém com Maria Nazaré Rodrigues Botelho, conviveram 14 anos e tiveram três filhos: Edmundo Cassio (Analista de Sistema), Manoel Edmundo Botelho Junior (Gestor de Empresas) e Manuela Rodrigues Botelho (Profissional de Propaganda e Marketing); Maria Ivanete Mendes foi a segunda esposa, com quem teve uma filha Dinete Ferreira Botelho Neta; com a terceira conviveu 17 anos e não teve filhos. Hoje o Arquiteto Botelho está com a quarta esposa Araciara Palheta Paraense Botelho e dos quatros casamentos tem três netos.

Profissional

Edmundo Botelho ao concluir o curso de arquitetura e urbanismo, com 25 anos de idade, tinha a pretensão de cursar o 3º ano de engenharia civil. “Estava preparando a documentação para matrícula na faculdade quando recebi uma carta de meu pai onde ele me comunicava que o então governador do Amapá, Lisboa Freire, estava precisando de um arquiteto e ele tinha me indicado. Então retornei ao Amapá e fui o primeiro arquiteto do meu rincão. Depois vieram outros como: Homobono e ShikarritoFugishima. Então comecei a trabalhar na antiga Secretaria de Obras, hoje SEINF, de 1973 a 1987, quando tive um incidente de percurso e pedi demissão do governo”.

Após sua saída do quadro do GEA, Edmundo Botelho foi trabalhar em Carajás, onde ficou dois anos, retornou ao Amapá e montou uma marcenaria, onde passou 22 anos trabalhando com madeira e depois retornou ao serviço público através do prefeito de Macapá, João Henrique e fui nomeado para a SEDUM, onde ficou quatro anos, quando foi demitido pelo prefeito Roberto Góes. “Hoje, na administração do prefeito Clécio estou na SEMOB”.

Ele relembra que quando iniciou suas atividades no governo do ex-Território Federal do Amapá, como era o único arquiteto, todas as obras executadas pelo executivo foram desenhadas e planejadas por ele. “Essa gama de serviços que o governo tem obrigação de oferecer a população foram feitos por mim. Na época eu tinha um parceiro que hoje está em Belém, o engenheiro Salomão Eugable e viajamos esse Brasil inteiro atrás de novas experiências arquitetônicas e de construção civil para serem implantados no Amapá.Aonde chegava, ministrava seminários para o repasse de conhecimentos, muitos foram executados e outros engavetados, produzi bastante e aprendi muito”.

Na época que o titular da Secretaria de Obras era o Deodato Queiroz do Couto, foi nomeado Diretor de Obras. “Passei um ano no cargo, sai por desavença política com o então deputado Giovani Borges, pois naquele tempo as secretarias eram divididas entre os deputados federais e a de Obras era da sua cota”.

Pelo magistério, exerceu o ensino durante quinze anos, lecionou no Colégio Amapaense, Alexandre Vaz Tavares, IETA. “Lecionava a disciplina de desenho, que hoje infelizmente não consta mais no currículo escolar, o que é uma lástima, pois é uma matéria de inclusão em qualquer disciplina, assim como, ajuda o aluno até a comunicar-se. Desenho é uma linguagem, pois se você não fala uma língua estrangeira é através do desenho que você se comunica”.
O Amapá hoje
“Isso é algo que temos que ter muito cuidado em falar”, foi a primeira resposta do arquiteto Edmundo sobre a atual situação política e econômica do Amapá, ele continua dizendo que “o Amapá já esteve em situação melhor, mais respeitado e hoje vejo com problemas. Vamos esperar se o atual governador, que ainda tem um ano para trabalhar recupere a direção do Amapá”.

Edmundo deseja que o Amapá que o recebeu um dia, desde um ano de idade, cresça, mas não tufando como está acontecendo, “que ele cresça atendendo os anseios da população. A insegurança é grande, você não pode deixar nem sua casa trancada, pois é arrombada. A marginalidade cresceu, porque cresceu? Eu acredito que houve muito desvio de verbas públicas que poderiam ser aplicadas em mecanismos que dessem empregos a esses garotos que estão se envolvendo com drogas e consequentemente com a marginalidade”.

Continuando, Edmundo ver na paralisia das políticas públicas voltadas para manter o morador rural no campo, um dos empecilhos para o controle do inchaço na capital amapaense. “O pai de família que vive no interior, não tendo expectativa de crescimento para seus filhos, vem para a capital e incha a periferia; decepcionado e depressivo passa a ser dependente do álcool ou a vender drogas para criar e alimentar os filhos, logo em seguida eles seguem o mesmo caminho e as filhas se prostituem, se tornam mães prematuras e o número de dependentes dessa família cresce e a miséria aumenta”.

“No meu entender esse paternalismo implantado pelo governo do PT, desde o Lula até a Dilma Rousseff, não ajudou a população carente e sim a tornou dependente das ‘bolsas’, que vai de bolsa família a bolsa presidiária, que é de R$ 800, maior que o salário mínimo, além de tudo tem comida, moradia, nenhum programa válido para ensiná-lo a trabalhar honestamente, pois os presídios brasileiros são as antigas masmorras medievais. Esse excesso de ‘bolsas’ não leva ao emprego digno e de autoestima do cidadão brasileiro. Isso é uma dependência política é uma amarra política”.

Para ele a aposentadoria ainda está longe, pois pretende voltar à cidade natal de sua genitora Marapani (PA) e ali viver feliz como tem sido até hoje, elelembra de que também é corretor de imóveis, diplomado. “Aos jovens amapaenses: estudem e se profissionalizem, um diploma não basta. Tem que estudar continuamente, tem que ser no mínimo pós-graduado. Tem que juntar o aprendizado com o ensino que a vida vai lhe dar”.







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