sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Atleta do Passado

Atleta do Passado



Raul Ramos – Natação e Basquete











Raul da Conceição da Silva Ramos, 62 anos, é um desportista amapaense, que teve no seio da sua família o exemplo da prática esportiva e da cidadania, filho do grande pioneiro amapaense Alceu Ramos um dos primeiros contadores amapaenses, em Alceu Filho um dos craques do futebol Tucuju e Zé Paulo e Anselmo Ramos pelo basquete.
Ele nos conta que seu primeiro esporte foi a natação, que por duas décadas conquistou medalhas de ouro na sua especialidade, que era o nado costa em sua faixa etária (até 14 anos). Em suas lembranças Raul Ramos descortina que na sua juventude e de seus amigos existia uma ânsia pela prática esportiva, e a válvula de escape era a Praça Barão do Rio Branco, onde se podiam praticar diversas modalidades esportivas (vôlei, basquete, futebol de salão e futebol de campo). “Morávamos na Macapá antiga que resumia no atual centro da cidade. E ao término das aulas no CA, IETA, GM e CCA, todos se dirigiam à Praça do Barão, onde cada um jogava o esporte de sua preferência. Eu praticava o basquete. Porém o Capitão Euclides Rodrigues, proporcionou mais uma opção, a natação, na piscina territorial. Fui fazer parte dessa equipe com 10 anos de idade e já era um ‘peixinho’, competi para a travessia do Guajará, o meu treino tinha linha de partida no embocadouro da Fazendinha até o trapiche Eliezer Levy, fiquei na natação até os 16 anos. Porém, a influência dos meus irmãos Zé Paulo e Anselmo Ramos(falecidos),comecei a praticar o basquete”.
Como naquela época o Amapá ainda não competia nacionalmente às competições de natação aconteciam no campeonato territorial. “Durante duas décadas no nado de costa fui imbatível, no nado crawl tínhamos bons adversários. Na época,a Elizete Barbosa no nado crawl e a Valdete Jucáno peito clássico, eram imbatíveis.O Umbelino, o Antonio Furtado, o Furtadão, junto com o Anselmo Guedes, expert em borboleta, tínhamos essa diversidade de atletas no máster. O Furtadão ainda está na lida e este ano foi campeão brasileiro de natação máster”.
Continuando suas lembranças, Raul diz que a natação amapaense sempre se destacou e revelou grandes nomes para o Brasil. “Fomos campeões Sul Americano de natação na década de 60 sob o comando do capitão Euclides Rodrigues, o grande incentivador da nossa natação”.
Basquetebol
A admiração que Raul Ramos fala do irmão Zé Paulo, um dos grandes nomes do basquete amapaense. “Ele era, o que hoje é o Carioquinha no basquete nacional. Ele era um armador, era difícil tomar uma bola dele e difícil ele não conseguir tomar uma bola do adversário, sem falta. Isso me levou a praticar o basquete. Essa fase me levou a seguir o Zé Paulo, o Anselmo Ramos, o Jorge Barcessat, Waldir, enfim...”.
Os clubes que disputavam o basquete era o Macapá, Amapá e Santana onde as disputas eram acirradas, depois surgiram o Trem Desportivo Clube, Juventus e São José. “Nesse grupo a liderança era do Macapá Clube, e os atletas jogavam por amor ao esporte e ao clube, e os jogos entre as equipe paraenses, sem o Amapá, levava a melhor isso até hoje”.
Raul Ramos é formado em Educação Física e Administração de Empresas, é professor universitário na UNIFAP. “Quando fui estudar o ensino superior em Belém, conheci o handebol e deixei a natação pelo basquete e pelo handebol. Venho trabalhando e militando dentro desse esporte, que até a década de 90 ainda disputava competições”.
A realidade de hoje
Raul repete que na sua época o atleta jogava por amor ao esporte, hoje isso não acontece, veio o profissionalismo. “Você só pratica uma modalidade esportiva se tivesse potencial para executá-la. Eu sou exemplo, a minha especialidade foi a natação, tanto que por duas décadas fui ao pódio, no basquete, já foi diferente foi influência e o rendimento não foi alto. Joguei pelo Macapá  onde conquistei 5 títulos, 2 pelo São José e outro foi como treinador da seleção dos Jogos Estudantis (Jebs) amapaenses. Isso foi um marco na minha carreira de atleta, de professor e de técnico. O técnico da seleção na época era o Ernesto e eu recém formado. Ele selecionou os melhores para comporem a seleção, eu fui contra, então sugeri que acontecesse uma disputa para selecionar, e então  foi feito a I Copa do Mundo de Basquete, com dez equipes. Ele montou oito equipes e eu montei uma, mas tinha outra, não lembro. A minha equipe era denominada Itália, eu argumentei com a garotada que o passaporte para o brasileiro  seria carimbado se eles vencessem a copa. E foi o que aconteceu, na final eu não estava presente, pois estava dando aula para o curso de educação física no Barão, e a partida acontecia no Avertino Ramos, a barulheira era infernal, foi quando eles invadiram a minha sala de aula com o troféu de campeão da I Copa do Mundo de Basquete amapaense, e fomos representar o Amapá na etapa nacional. Isso eu nunca esquecerei”.



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