Atleta do Passado
Raul Ramos – Natação e Basquete
Raul da Conceição da Silva Ramos, 62
anos, é um desportista amapaense, que teve no seio da sua família o exemplo da
prática esportiva e da cidadania, filho do grande pioneiro amapaense Alceu
Ramos um dos primeiros contadores amapaenses, em Alceu Filho um dos craques do
futebol Tucuju e Zé Paulo e Anselmo Ramos pelo basquete.
Ele nos conta que seu primeiro
esporte foi a natação, que por duas décadas conquistou medalhas de ouro na sua
especialidade, que era o nado costa em sua faixa etária (até 14 anos). Em suas
lembranças Raul Ramos descortina que na sua juventude e de seus amigos existia
uma ânsia pela prática esportiva, e a válvula de escape era a Praça Barão do
Rio Branco, onde se podiam praticar diversas modalidades esportivas (vôlei, basquete,
futebol de salão e futebol de campo). “Morávamos na Macapá antiga que resumia
no atual centro da cidade. E ao término das aulas no CA, IETA, GM e CCA, todos
se dirigiam à Praça do Barão, onde cada um jogava o esporte de sua preferência.
Eu praticava o basquete. Porém o Capitão Euclides Rodrigues, proporcionou mais
uma opção, a natação, na piscina territorial. Fui fazer parte dessa equipe com
10 anos de idade e já era um ‘peixinho’, competi para a travessia do Guajará, o
meu treino tinha linha de partida no embocadouro da Fazendinha até o trapiche
Eliezer Levy, fiquei na natação até os 16 anos. Porém, a influência dos meus
irmãos Zé Paulo e Anselmo Ramos(falecidos),comecei
a praticar o basquete”.
Como naquela época o Amapá ainda não
competia nacionalmente às competições de natação aconteciam no campeonato territorial.
“Durante duas décadas no nado de costa fui imbatível, no nado crawl tínhamos
bons adversários. Na época,a Elizete Barbosa no nado crawl e a Valdete Jucáno
peito clássico, eram imbatíveis.O Umbelino, o Antonio Furtado, o Furtadão,
junto com o Anselmo Guedes, expert em borboleta, tínhamos essa diversidade de
atletas no máster. O Furtadão ainda está na lida e este ano foi campeão
brasileiro de natação máster”.
Continuando suas lembranças, Raul diz
que a natação amapaense sempre se destacou e revelou grandes nomes para o
Brasil. “Fomos campeões Sul Americano de natação na década de 60 sob o comando
do capitão Euclides Rodrigues, o grande incentivador da nossa natação”.
Basquetebol
A admiração que Raul Ramos fala do
irmão Zé Paulo, um dos grandes nomes do basquete amapaense. “Ele era, o que hoje
é o Carioquinha no basquete nacional. Ele era um armador, era difícil tomar uma
bola dele e difícil ele não conseguir tomar uma bola do adversário, sem falta.
Isso me levou a praticar o basquete. Essa fase me levou a seguir o Zé Paulo, o
Anselmo Ramos, o Jorge Barcessat, Waldir, enfim...”.
Os clubes que disputavam o basquete
era o Macapá, Amapá e Santana onde as disputas eram acirradas, depois surgiram
o Trem Desportivo Clube, Juventus e São José. “Nesse grupo a liderança era do
Macapá Clube, e os atletas jogavam por amor ao esporte e ao clube, e os jogos
entre as equipe paraenses, sem o Amapá, levava a melhor isso até hoje”.
Raul Ramos é formado em Educação
Física e Administração de Empresas, é professor universitário na UNIFAP.
“Quando fui estudar o ensino superior em Belém, conheci o handebol e deixei a
natação pelo basquete e pelo handebol. Venho trabalhando e militando dentro
desse esporte, que até a década de 90 ainda disputava competições”.
A realidade de hoje
Raul repete que na sua época o atleta
jogava por amor ao esporte, hoje isso não acontece, veio o profissionalismo. “Você
só pratica uma modalidade esportiva se tivesse potencial para executá-la. Eu
sou exemplo, a minha especialidade foi a natação, tanto que por duas décadas
fui ao pódio, no basquete, já foi diferente foi influência e o rendimento não
foi alto. Joguei pelo Macapá onde
conquistei 5 títulos, 2 pelo São José e outro foi como treinador da seleção dos
Jogos Estudantis (Jebs) amapaenses. Isso foi um marco na minha carreira de
atleta, de professor e de técnico. O técnico da seleção na época era o Ernesto
e eu recém formado. Ele selecionou os melhores para comporem a seleção, eu fui
contra, então sugeri que acontecesse uma disputa para selecionar, e então foi feito a I Copa do Mundo de Basquete, com
dez equipes. Ele montou oito equipes e eu montei uma, mas tinha outra, não
lembro. A minha equipe era denominada Itália, eu argumentei com a garotada que
o passaporte para o brasileiro seria carimbado
se eles vencessem a copa. E foi o que aconteceu, na final eu não estava
presente, pois estava dando aula para o curso de educação física no Barão, e a
partida acontecia no Avertino Ramos, a barulheira era infernal, foi quando eles
invadiram a minha sala de aula com o troféu de campeão da I Copa do Mundo de Basquete
amapaense, e fomos representar o Amapá na etapa nacional. Isso eu nunca
esquecerei”.
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