sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Entrevista da Semana





“O PTB não tem candidato para o executivo. O vereador Lucas Barreto está agora no PSD, houve essa mudança, mas o nosso partido está alinhado com o PSD. Com referência a minha reeleição, eu nunca parei de trabalhar na medicina. Bem, uma coisa que sou muito perguntado pelos meus pacientes ‘doutor o senhor vai nos abandonar?’, eu tenho dito que na medicina, a cardiologia é a profissão que eu amo. Então, eu não vou parar de clinicar, agora tenho que me organizar. Mas, com certeza eu não vou parar. Com referência a política, vou tentar fazer com que as Leis, projetos e as discussões tragam benefícios com excelentes resultados para o Estado” - Deputado Estadual Antônio Furlan (PTB).

Reinaldo Coelho
Da Reportagem

O médico cardiologista Antônio Furlan, 40 anos, assumiu nesta segunda-feira (5), na Assembleia Legislativa do Amapá, a vaga de deputado estadual deixada por Ocivaldo Gato (PTB), o “Gatinho”, que morreu acometido de câncer no abdômen, no último dia 30 de julho, em Belém.Furlan (PTB) era o primeiro suplente de Gatinho, com 5.135 votos. Apenas 137 a menos que Gatinho. A reportagem do Tribuna Amapaense, conversou com o novo parlamentar, que expôs aos nossos leitores suas ideias e projetos político-partidário. Acompanhe:




Tribuna Amapaense - O senhor nas eleições de 2010 teve uma boa votação e ficou na suplência para o cargo de deputado estadual. Diversos fatores levaram a justiça eleitoral a cassar o mandato do seu antecessor que chegou ao litígio judiciário, pelo pleito do ex-deputado Paulo José a mesma vaga. Hoje, o senhor está assumindo em circunstância adversa. Quais serão os passos que o agora deputado vai dar?

Antonio Furlan – Realmente, tivemos uma expressiva votação, foram 5.135 votos, não entrei por questão de coligação, se fosse à votação sequencial e não proporcional seria o 18º mais votado. Logo após isso ocorreram muitas disputas, inclusive jurídica. Em um primeiro momento houve questionamento da Lei da Ficha Limpa, que logo caiu por terra. Lutar por uma vaga depois do clima eleitoral é difícil, mas a decisão já estava para ser julgada com o último embargo. Infelizmente, ocorreu o falecimento do deputado Gatinho, a gente não deseja a morte de ninguém, principalmente eu, que sou médico, e lido no meu dia a dia pela sobrevivência do ser humano. E agora faltando um ano e cinco meses para o término do mandato, estamos aqui para mostrar nosso trabalho.

TA – O senhor tem um tempo curto, mas ainda dá para cumprir uma jornada de trabalho. Quais são os seus planos de atuação durante esse tempo? E com a aproximação de uma nova campanha eleitoral em 2014, o senhor irá a reeleição?
AF – Eu sou médico. Então, não posso me furtar de discutir as questões de saúde pública. Quando se fala em saúde pública, nós observamos a precariedade da saúde pública no Brasil, essa é a nossa primeira meta. Nós médicos, temos uma visão humanista muito grande, por isso trataremos de direitos humanos e questões sociais. Precisamos lutar pelo crescimento do Amapá, ele precisa crescer, precisa implantar indústrias, expandir sua agricultura. Então, lutaremos para que isso aconteça.

TA – Aproveitando a questão de saúde pública, como o senhor está vendo o caos na nossa rede de saúde. Pois, a situação é crítica no atendimento médico hospitalar do Hospital de Emergência, que durante 70 anos o Amapá tem apenas um hospital, construído ainda na década de 50?
AF – A saúde pública, passa por um momento muito delicado no Brasil e aqui no Amapá. Precisamos diferenciar uma coisa que é colocada, até em nível federal, no mesmo “paneiro”.  Precisamos diferenciar estrutura física, estrutura de equipamentos e recursos humanos. Não adianta o médico clinicar em Oiapoque, se não houver medicamentos, centro cirúrgico e enfermarias. No setor de Recursos Humanos temos excelentes médicos, enfermeiros e técnicos, até no São Camilo, onde operamos, temos equipes de excelentes níveis. Precisamos sim, dar condições para que esses profissionais trabalhem bem. E aqui eu faço uma colocação, foi criado o programa federal “Mais médicos”, querem trazer mais médicos, daí eu te pergunto: o Brasil precisa de mais médicos? Precisa? Mas, agora não adianta trazer porque não temos estrutura para eles trabalharem. A Assembleia tem que batalhar junto ao governador, para estruturar com equipamentos e medicações que não podem faltar. Devemos trabalhar um programa dentro do governo do Estado, para que haja uma educação continuada para médicos eenfermeiros que precisam estudar.

TA – Esse programa federal, lançado pela presidente Dilma Rousseff, tem enfrentado críticas e oposição do Conselho Federal de Medicina (CFM) para sua execução, principalmente quanto ao Revalida, qual é sua posição?
AF - O CFM, a Associação Médica Brasileira e a Federação Nacional dos Médicos, estão unidos para que seja feito o Revalida. Ninguém é contrário a vinda de médicos, mas tem que haver a revalidação dos diplomas. Não sabemos em que condições esses médicos estão se formando. Eles vêm para cuidar da nossa população, então se passar no revalida, tenho certeza que serão bem vindos. Como já aconteceu na minha época de residência em São Paulo, eu tinha vários colegas bolivianos e peruanos, que se submeteram ao processo e estão até hoje clinicando. Outra questão, é com referência a prova de língua portuguesa, não adianta você trazer um cubano que não fala e nem entende português e o dialeto amazônico.

TA – Continuando na questão da saúde, que é seu mitier, o senhor não acha que está faltando gestão na rede de saúde amapaense?
AF - A população que não tem conhecimento desse segmento, tem uma visão global do que é administrar a saúde. Ela tem três competências: a baixa, média e alta complexidade. Quando eu cheguei aqui em 2003, e iniciamos as cirurgias cardíacas, elas ainda não eram credenciadas no SUS, fazíamos as operações e a SESA pagava. Nós buscamos junto ao Ministério da Saúde recursos para a secretaria de saúde, credenciando a Cirurgia Cardiovascular, um serviço de alta complexidade em Cardiologia. Então, organizamos a Cardiologia cirúrgica. O São Camilo é hoje referência no Estado.  As Unidades de Saúde precisam atender os casos menores, e o Pronto Socorro deve atender a Urgência e Emergência. O que deve ser feito é setorizar os serviços, e/ou terceirizar os serviços junto aos hospitais e laboratórios, tem que se organizar.

TA – Como está essa nova experiência de “ser um” parlamentar?
AF – Muito Bom, eu fui bem recebido pelos meus colegas parlamentares. Tenho muito que aprender, tudo é muito novo para mim. Todos nós sabemos que aqui é a Casa do Povo, onde são discutidos os principais assuntos para o benefício dos amapaenses. Já me disseram que eu estava entrando na “Casa das Grandes Polêmicas”. Eu estou aqui para contribuir. Espero não decepcionar a população, principalmente aqueles que me elegeram.
TA –Deputado agora empossado, qual é sua posição na Assembleia Legislativa: Oposição ou Situação?
AF – Eu sou membro do PTB, devo seguir as orientações do meu partido. Também, estou em uma Casa de Lei, onde temos um presidente, que é o Junior Favacho (PMDB) e eu devo respeitá-lo.

TA – Vamos para as eleições de 2014. O seu partido terá candidato ao governo do Estado ou abraçará alguma outra candidatura?
AF –O PTB não tem candidato para o executivo. O vereador Lucas Barreto está agora no PSD, houve essa mudança, mas o nosso partido está alinhado com o PSD. Com referência a minha reeleição, eu nunca parei de trabalhar na medicina,os meus pacientes estão perguntando: ‘doutor o senhor vai nos abandonar? ’, eu tenho dito que na medicina, a cardiologia é a profissão que eu amo. Então, eu não vou parar de clinicar, agora tenho que me organizar. Mas com certeza, eu não vou parar. Com referência a política, vou tentar fazer com que as Leis, projetos e as discussões tragam benefícios e excelentes resultados para o Estado.

TA – Como o senhor está vendo a atual administração do Estado, como cidadão e como parlamentar?
AF –Como cidadão, eu vejo que o Estado precisa crescer muito. O Amapá é um dos menores Estados da federação, e ainda carece de muitos serviços. Se um Estado como São Paulo cresce 5% ao ano, o Amapá tem de crescer o dobro. Politicamente devo acompanhar as decisões dos meus presidentes.


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